sábado, 28 de janeiro de 2012

A cara de bunda

A espécie humana é muito heterogênea. Tem gente de toda cor, de todo estilo de todo formato. Tem gente com cara de queijo, com cara de meia lua, de berinjela, de cavalo. Mas tem um tipo de cara que eventualmente todo mundo tem: a de bunda. Não importa se você é mais lindo que o português da novela ou tão feio que parece que apagaram um fogo da sua cara com tamanco, pelo menos um diazinho da sua vida, nem que seja por um mísero minuto, você fez uma bela cara de bunda.

Na boa, eu acho que esse tipo de cara não é problema nenhum. Aliás, é um direito seu! Seu chefe é um saco e não te dá valor, seu salário é menor que o mês, o povo mais lento da cidade resolve sair de casa na hora que você está atrasado, você engorda num piscar de olhos e nem com reza braba e muito suor consegue emagrecer, seu "amigo" te sacaneia, o pneu do seu carro fura bem quando você estava indo para festa mais épica do ano, uma criança imunda passa a mão suja de tinta azul naquele seu vestido nude que custou mais caro que um rim no mercado negro, tudo dando errado e você tem que ver o lado bom das coisas? Tentar a gente até que tenta, né? Mas... Tem hora que não dá! E é aí que a cara de bunda aparece.


Até aí, nada demais, afinal todo mundo pode fechar a cara uma vez ou outra. O problema é o ciclo da cara de bunda. Com certeza você conhece alguém que fica emburrado pelo menos 90% do tempo e que deixa isso bem claro pra deus e o mundo (aí é abuso de cara de bunda porque ninguém merece ter que aguentar isso) e é bem essa pessoa tão "agradável" que implica com a sua cara de bunda. Já percebeu? Você tendo um dia de cão, eventualmente fraqueja, torce o nariz por breves minutos e aí vem bem esse cretino dando uma de investigador da KGB querendo saber o porquê da sua cara de bunda. Vai dizer que não é assim?

- Que que você tem hoje?
- Nada não. Dia ruim.
- Mas o que foi?
- Ah, bobagem. Já passa.
- Foi sua mãe? Seu namorado? Seu chefe?
- Não.
- Ah, já sei. Foi aquela sua amiga folgada, né?
- Não. Juro que não foi nada. É cansaço mesmo.
- Mas porque você está com essa cara então?
- Não tou com cara nenhuma.
- Tá sim! Me conta o que foi...
- Não, porra, me larga!
- Credo, que grosseria!

Eu, apesar da minha fama de pavio curto, nunca consigo terminar meus diálogos desse jeito, mas vontade, sinceramente, não me falta. E sabe por quê? Porque as pessoas não olham pro próprio umbigo! Só elas tem direito de ficar com cara de bunda e não querer falar sobre o assunto? Por acaso os emburrados de plantão patentearam a cara de bunda e esqueceram de avisar? Faça-me o favor!

Então, sociedade, aqui vai meu apelo: pessoas pentelhas, me deixem em paz! Quando vocês tão putos da vida, eu não encho o saco de vocês, então vocês podem parar de encher o meu! E parem de ler entrelinhas onde não tem nem linha pra ler porque o mundo é grande e não gira em torno de vocês, ok? Na maioria das vezes, um dia ruim é só um dia ruim mesmo. E pelo menos a minha cara de bunda é temporária... A sua é?

Lara - de pavio cada dia mais curto pra algumas coisas

1 comentários:

PsychoTon disse...

Que ódio que eu tenho quando uma pessoa fica insistindo para você contar algo que, na verdade, não existe! E quando uma pessoa chega para você, fala que está triste, você pergunta o porquê e ela diz que não quer falar? Ah, fala sério, porque veio me dizer isso então? >.<