Nenhum ano será realmente novo se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos. (Camões)
sábado, 1 de janeiro de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Borges
Ele estava em uma cadeira de rodas, imóvel, mas amava a ver dançar. Ela tinha um encanto pela música, especialmente da maneira que só ele sabia como tocar. Não eram amigos, eram apenas conhecidos. Se viam de vez em quando no shopping, no parque, no cinema, tinham vários gostos e amigos em comum, mas não eram amigos de verdade. Se cumprimentavam quando se viam e trocavam uma idéia ou outra, mas nada muito profundo. Eram apenas conhecidos.
Um amigo dele, aliás, um grande amigo dele um dia começou a namorá-la. Imagina a surpresa dele! Imagina a surpresa dela ao ver que o grande amigo do namorado era aquele menino simpático da cadeira de rodas! Começaram a se ver com mais freqüência e a se conhecer. Ele admitiu que adorava a ver no palco, e ela enrubesceu tão sutilmente que só ele foi capaz de perceber. Era graciosa até nos momentos de timidez, ele pensou. Ela admitiu ter os mesmos gostos musicais que ele, e falou ainda que antes dele sofrer o acidente, quando ele tocava em shows na universidade, ela nunca faltava uma apresentação. Era uma fã incondicional.
Começaram a cultivar uma amizade de verdade. No dia em que a avó dela morreu, ele estava lá para segurar sua mão, no dia em que ele ingressou para o mestrado, ela foi a primeira a saber. Enquanto eles se tornavam melhores amigos, ela e o namorado cresciam também em seu relacionamento. Então em um domingo ensolarado, em um churrasco aparentemente sem muito compromisso, o namorado decidiu a pedir em casamento. Era o sonho dela começar uma família e ela aceitou na hora.
Foi aí que as rosas começaram. No começo ela achou aquilo tudo muito estranho, mas romântico. Desde que ela tivera se tornado noiva ela recebia uma rosa todos os dias pela manhã em sua casa. Não era bem a cara de seu noivo ficar mandando uma flor todos os dias para ela, mas só podia ser ele. Ela achava o máximo receber rosas por que fazia referência ao seu livro favorito inclusive. Ela não era o tipo de pessoa que tinha admiradores secretos e amores impossíveis, era uma pessoa muito bem resolvida acima de tudo. Tinha agora já uma imensa coleção de rosas. Tinha semanas que vinham só as vermelhas, outros dias mudava e mandava as amarelas, as brancas, as rosas. Quando ela perguntou o sentido das rosas para o noivo, ele se fez de desentendido, falou que não sabia do que ela estava falando. Ela, em sua inocência, achou encantador a negação.
Mas aí o inimaginável aconteceu. Nas vésperas do casamento, no que devia ser a época mais feliz na vida dela, seu melhor amigo morreu. Foi um ataque cardíaco fulminante, sem muito mistério. Aconteceu e ele morreu. Os médicos a asseguraram que ele não tinha sofrido muito. Isso a tranqüilizou, mas não diminuiu a dor.
Ela se conformou e a vida continuou.
Mas as rosas, essas nunca mais apareceram misteriosamente em sua casa.
Steph - desvinculando
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
tudo que eu queria te dizer
- Eu consegui um emprego em outro estado.
Abri a janela do carro. Me senti meio tonta com uma leve ânsia de vômito. Como assim? Como que você faz isso comigo!? Mas só sorri.
- É mesmo? Que estado?
Não era essa a reação que eu esperava. Não tinham me dito que ela gostava de mim? "Em que estado?" era só isso que ela tinha pra me falar? Quem liga pra qual estado eu estou indo, eu queria que ela pelo menos fingisse que ficaria triste com a minha partida.
- Curitiba. A empresa vai arcar com todas as despesas nos primeiros seis meses até eu me adaptar.
Até você se adaptar? Espero que você nunca se adapte! Espero que você tenha a pior experiência do mundo nesse seu novo emprego!
- Que ótima oportunidade, hein! Essa você não podia deixar passar mesmo!
É, de fato eu não podia deixar passar mesmo, mas... Era sério que ela achava isso uma ótima oportunidade? Ela está até sorrindo! Nossa, bom saber que sou tão insignificante assim na vida dela, justo agora que estávamos nos conhecendo melhor.
- É, eles geralmente perguntam para os mais novos e solteiros da empresa por que não tem família nem nada muito significativo os segurando em um lugar específico.
Isso foi uma indireta? Nada significante? EU sou nada na sua vida? Você só entra na minha vida quando bem entende e agora já tá praticamente de malas prontas pra me abandonar pra sempre e quer realmente que eu fique feliz por isso? Você não vai dar nem uma chancezinha pra essa nossa amizade tão frágil?
- Ah, claro! Faz perfeito sentido, se eu fosse você, nem pensaria duas vezes. Também aceitaria na hora.
Aceitaria na hora? Eu quase nem aceitei por que queria te conhecer melhor mesmo com essa minha timidez que não consigo superar. Por que você não entende que eu gosto de você?
- Pois é, ainda mais que não tem nada me segurando por aqui...
Ok, isso foi uma indireta. Não é possível! Fala alguma coisa, qualquer coisa para diminuir esse silêncio. Sério, qualquer coisa mesmo. Vai lá, salva essa situação. Por que ele tá me olhando desse jeito?
Se declara logo e acaba com esse sofrimento de uma vez por todas. Oportunidade melhor que essa nunca mais na vida, que fique bem claro! Vai, fala! E esse olhar dela?
Mas aí o momento passou e o silêncio continuou.
E ele não falou nada.
E ela também não.
Steph - brincando com a ficção e a realidade
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O amor é um bichinho que roi roi roi
Todo mundo escreve de amor. Todo mundo fala de amor. Todo mundo procura amor. Todo mundo tem uma ideia do que é amor. E não importa o quanto se defina amor, cada um vai ter sempre sua imagem do que é isso. Para mim é um bichinho que roi roi roi, que consome cada pedaço da alma de quem ama de verdade. É a constante vontade de estar perto, mesmo quando já está. É querer compartilhar, dividir sua vida com alguém e não ver a mesma graça nas coisas sem essa pessoa ao seu lado. É querer ser cada vez melhor para que o outro te suporte e te ame não pelo o que você é, mas apesar disso. É sentir que você não é plenamente dono de si porque seu coração pertence a alguém. É deixar de ser orgulhoso e egoísta para poder ser completo.
Amor, meus caros, é uma coisa complexa. Eu poderia escrever livros e mais livros na vã tentativa de defini-lo, mas a verdade é que amor não tem definição. Porque toda definição é limitadora e o amor desconhece limites. Pode parecer clichê, mas quem ama, sabe que é verdade. Amor não é para ser discutido, é pra ser sentido.
Mas se é assim, por que esse post? Porque ontem me perguntaram se só existe um grande amor para cada um. Pensei bastante no assunto e respondi que achava que sim. Só existe UM GRANDE AMOR DA VIDA. Pode parecer pessimismo à primeira vista, mas se pararmos para refletir sobre isso, acho que concordarão comigo que, feliz ou infelizmente, é isso mesmo. Um amor só e pronto. Quer ver só?
Pode ser que você encontre grande amor da sua vida e viva uma linda história junto com essa pessoa. Vocês se casarão, terão filhos, brigarão, se odiarão, mas se amarão cada minuto de todos os dias de suas vidas. Vocês terão sorte de se encontrarem. Não será fácil ficar junto, mas vocês darão um jeito porque não existe a possibilidade de vocês iverem um sem o outro.
Pode ser que você encontre seu grande amor, viva um história com ele, um capítulo da vida de vocês apenas e pronto. Pode ser que a morte ou a vida os separe. Pode ser que vocês sejam simplesmente uma parte da vida do outro, mas isso não significa que vocês não viverão um grande amor. Pelo contrário, viverão sim, mas será breve. Pode ser que a distância os separe, que outras pessoas sejam mais convenientes, que simplesmente não dê certo. Mas essa pessoa, seu grande amor, essa será a que te ensinou o que é amar de verdade, é nela que você sempre vai pensar com carinho quando acontecer algo que te recorde dos momentos que você viveram juntos. É o sorriso dela, as piadas ruins, o gosto musical esquisito, o cheiro, o gosto dela que vão ficar encalacrados em você. Para sempre. Porque esse foi seu grande amor.
Pode ser que você encontre seu grande amor e não possa vivê-lo. A vida é assim. Paciência. O amor pode sim ser impossível. Por que não? Ele pode ser o irmão do seu marido, ou a melhor amiga da sua noiva que é apaixonada pelo namorado dela, ele pode não te querer porque já encontrou o grande amor dele. Afinal, quem disse que amor tem que ser mútuo? O importante é que o fato de você não poder viver seu grande amor, não o diminui. E você é privilegiado também. Nem todo mundo vive um grande amor!
Pode ser também que você nunca encontre seu grande amor. Não deu certo de vocês de encontrarem, ué. Desencontros acontecem. Às vezes ele esteve debaixo do seu nariz e você não viu. Às vezes você esbarrou com ele na livraria, mas nem viu que ele estava lá. Às vezes vocês simplesmente seguiram caminhos opostos e aí não dava mais para se encontrarem. Nem por isso você será infeliz. Não é isso. Amor e felicidade não são sinônimos! E existirão outros amores na sua vida. Você amará seus fihos, seu cachorro, seu companheiro, seus amigos, sua família, seu trabalho. Sei lá. Só não vai viver um grande amor. Daquele que te faz ter vontade de fugir por uns dias pra cometer loucuras ou para comer panquecas. Daquele que te faz querer brincar de desenhar carinhas felizes nos dedos das mãos um do outro ou cavar buraco na areia para enterrar os pés. Daquele que te faz perder os sentidos. Isso você não vai ter, mas terá outras coisas.
Se me perguntarem qual amor eu prefiro... Meu lado romântico quer o primeiro, meu lado poético, o segundo, meu lado pessimista não quer nenhum. Mas a verdade é que não importa o que eu prefiro. Não sou eu quem escolho que tipo de amor eu viverei. A vida se encarrega disso e ela me deu o primeiro.
Muitos dirão que tive sorte, outros, que nem tanto. Alguns arriscarão dizer que isso é o que eu penso hoje. Pode ser. Tanto faz. Não me importa porque não é isso que eu estou querendo dizer. O que eu estou querendo dizer de verdade é que não adianta procurar o amor. Ele é que encontra a gente. E aí... aí é outra história...
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domingo, 28 de novembro de 2010
Bola dupla de chiclete
Tem dias que a gente acorda achando que vai dar tudo certo. Não vai ter engarrafamento, nem encontros indesejados, nem emails pentelhos, nem aborrecimentos, chateações ou decepções. Não vai dar nada errado mesmo. E aí, por um milagre de Deus (ou não), tudo realmente dá certo. Você vive cada minuto daquele dia do jeito que você tinha planejado até que chega a hora de ir dormir para enfrentar um novo dia. Esses dias perfeitos (ou quase) se esvaem da nossa memória. Já reparou? Apesar de serem os dias certos, a gente não guarda lembranças deles.
Mas aí vêm os dias péssimo. Aqueles em que tudo sai errado. Engarrafamentos até na sua rua, telefones, emails e encontros indesejados, almoço ruim, trabalho demais pra tempo de menos, canetas que não funcionam, impressoras sem cartucho, mancha de macarrão na sua camisa branca, calça jeans que não abotoa mais. Aqueles dias que destroem seu humor e te fazem ter vontade de morar num buraco fundo pra sempre. Esses até ficam na memória, mas não todos. Senão não funcionaríamos. Não teríamos ânimo para dar o próximo passo.
Os dias que realmente contam, os que são memoráveis, no entanto, não são inteiramente bons ou ruins. São aqueles que te dão a sensação de que não está tudo perdido. Aqueles em que você se levanta, têm suas expectativas destruídas, mas que de alguma forma se salvam. Hoje foi um dia desses para mim.
Acordei antes da hora que eu gostaria, comi um almoço bem mais ou menos, inventei de ir numa feira onde mais uma vez tive uma amostra grátis do quão lascada minha geração é, mas aí... Aí resolvi que a vida é dura demais pra ser levada a sério. Fui ver filme com os amigos e fazer campeonato de bola dupla de chiclete. E quer saber? Adorei! Finalmente dei conta de fazer as bolas duplas mais legais. Nem minha melhor amiga estourando-as na minha cara me incomodou. Porque é pra esses momentos que a gente vive! Para se ocupar de fazer as coisas mais bobas nas melhores companhias e para constatar que muitas vezes a nossa felicidade não está no que a gente deixa de ter, mas nas bolas de chiclete que a gente aprende a fazer por aí.
Lara - comprando um estoque eterno de babaloo
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Em boca fechada...
Eu tenho uma coisa pra falar. Mas não posso.
Aliás, eu tenho várias coisas pra falar.
Coisas sérias e coisas inúteis. Boas e ruins.
Mas não falo nada.
E por que não?
Simples!
Porque em boca fechada não entra mosca!
Porque o silêncio não me traz consequências.
E nem me obriga a ficar me explicando.
Nem gera discussões intermináveis e nem achismos.
Não abre as portas pra dupla interpretação.
Sim, é verdade que o silêncio não resolve nada.
O simples fato de eu me calar não significa que o que eu falaria não existe.
Mas agora é o máximo que dá para fazer.
Porque acabou a paciência!
Cadê a paciência pra explicar o óbvio?
Pra lidar com a burrice (ok, limitação é mais politicamente correto) dos outros?
E a paciência pra aguentar os analfabetos das entrelinhas?
Cadê?
Paciência é uma virtude para poucos e a minha é bem seletiva.
É por isso que não escrevi mais.
Não tava com saco pra traduzir minha vida e meus pensamentos em posts poéticos e cheios de metáforas.
Se fosse para falar, eu ia cuspir marimbondos.
E aí viriam as consequências.
E para essas eu não tenho paciência mesmo.
Se fossem consequências dignas, tudo bem.
Mas normalmente elas não são.
São meros frutos do egocentrismo daqueles que não sabem ler de verdade.
Se você nos lê e entende, processa o que a gente fala, tudo bem.
Se você se ocupa de achar que tudo aqui é bronca e puxão de orelha pra você, tudo bem também.
É, meu caro, consciência pesada é uma merda!
Mas se você lê, acha que tudo gira ao seu redor e exige reparações, é pra você que não tenho mais paciência.
E quando você ler isso aqui, não se ocupe de se sentir magoado porque levou um tapa na cara online.
Interprete o texto!
E lembre-se que se a carapuça serve, não é culpa de quem escreve, porra!
É culpa sua!
Exclusivamente sua!
Não tire nosso tesão de escrever!
Não exija nada de nós!
Lide com seus monstros em silêncio.
Porque eles são só seus.
Eles assombram só você.
E fique calado.
Porque em boca fechada não entra mosca.
Ooops. uma acabou de entrar na minha aqui.
;)
Lara - englindo moscas e cuspindo marimbondos
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Os finais felizes e infelizes
Era uma vez, em um reino distante, uma linda princesa e um príncípe encantado. Eles passaram por um monte de coisa para poderem ficar junto e, quando finalmente conseguiram o que queriam, viveram infelizes para sempre. Ela reclamando de tudo, gorda e acabada e ele bebendo cerveja e alisando a pança.
Num ninho de mafagafos tem dois mafagafinhos
Quem os desamafagafar primeiro bom desamafagafador será
E ainda terá um prato cheio pra jantar!
Vou me embora pra Pasárgada
Lá trabalharei que nem escravo
Perderei meu entusiasmo
E descobrirei que Pasárgada é que nem o resto do mundo!
Ah, que saudade que sinto da minha infância querida, da aurora da minha vida, dos tempos que já não voltam mais.
Das provas infernais de matemática
Da gordinha que roubava meu lugar na fila da cantina
Dos apelidos malvados
Do palhaço que afundava a ponta das minhas canetinhas
De ter horror de ser obrigada a socializar com os filhos dos amigos dos meus pais.
Batatinha quando nasce
Não se esparrama pelo chão.
Fica debaixo da terra, porra!
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Eu abaixei, catei e joguei na cabeça do cara que tava andando na minha frente
Fulano amava Ciclana que amava Beltrano que não amava ninguém
A vida é assim e pronto
Conforme-se!
Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-ca chamou o Ibama e mandou me prender
Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar,
Vamos dar a meia-volta
E ir embora
Porque esssa história de andar em círculo é muito idiota
Moral da história:
A vida é assim. Cheia de finais. Alguns felizes, outros infelizes
Mas no final das contas, quem escreve esses finais somos nós mesmos.
Lara - escrevendo finais e começos todos os dias!
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