terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cadê o tempo que tava aqui?

Não tenho tempo!
Essa é minha mais nova desculpa pra tudo!
Por que você está sumida? Por nunca mais apareceu em tal lugar? Por que não está lendo a pilha de livros que você tem pra ler? Por que não comprou o que tem que comprar? Por que não fez back up do computador? Por que não estudou mais? Por que não entrou no mestrado ainda?

Penso, penso, penso sobre essas coisas e a resposta é sempre a mesma: me falta tempo! Que o tempo é relativo todo mundo sabe. Sim, duas horas assistindo seriado passam infinitamente mais rápido do que duas trabalhando. Einstein já sabia disso e não tem como discordar. Mas o grande problema do tempo para mim é que não importa quanto tempo eu tenha, nunca parece ser o suficiente!

Nunca tenho tempo suficiente para mim, para investir em mim, para gastar com as coisas que eu realmente quero fazer. Talvez seja porque a vida não deixa que seja diferente. É preciso trabalhar, trabalhar, trabalhar. Essa é a prioridade! É preciso se esgotar em obrigações e esquecer que o mundo é mais que isso. É assim que o dia-a-dia exige que vivamos. Ou não? É preciso maximizar o tempo para esquecermos de nós mesmos e nos perdermos em nossas tarefas.

Olha só, não estou reclamando de ter obrigações. Não é isso. Trabalhar é bom. O que é ruim para mim é não ter tempo para mais nada. É chegar em casa e não ter forças para ler um livro sequer. É sentir meu cerébro fritar de cansaço e saber que o tempo que teoricamente eu teria para mim não será realmente meu; será de outras coisas que tenho para fazer. Difícil viver assim! Sem nunca parar...

É isso que eu quero! Um relógio que pare! Não precisa ser muito. Pode ser só por uma hora por dia, mas quero um relógio que não deixe o tempo se esvair, que congele um pouquinho para eu parar e descansar a cabeça de tudo. Já pensou que luxo seria se pudéssemos todos fazer isso todo dia? Só uma horinha... Poder parar e fazer o que quiser. Se deixar invadir pelo ócio sem culpa. Dormir um sono tranquilo. Assistir uma coisa bem boba na televisão. Ver os amigos. Qualquer coisa. Eu quero fazer qualquer coisa, contanto que seja para mim e sem sentir que com isso estou desperdiçando meu tempo. Por que quer saber de uma coisa? Estou cansada de não ter tempo para nada e de correr constantemente contra o relógio. Está mais do que na hora do relógio correr atrás de mim.

Lara - tentando arrumar tempo pra sobreviver

domingo, 14 de novembro de 2010

filosofia de taxista

Já dizia alguém famoso, não sei bem quem exatamente, que conselho, se fosse bom, não se dava de graça. Sábias palavras, caríssimo autor anônimo, sábias palavras.
Eu não sei bem o que eu quero da minha vida. Talvez seja por isso que eu comprei uma passagem sem volta para o Rio de Janeiro. Estava chovendo quando desembarquei e entrei em um taxi qualquer de aeroporto.

O motorista não perguntou para onde eu ia, simplesmente colocou minha bagagem no porta-malas e dirigiu como se já soubesse tudo da minha vida e não precisasse de maiores instruções sobre meu destino.

Como já éramos amigos íntimos ele começou.

- Sabe, o bom não é o amor. O bom é casar. É tão bom que já me casei 10 vezes.

Não sabia bem o que falar ou como reagir. Minha primeira reação foi rir, mas segurei a vontade. Talvez ele realmente fosse vidente! Um pai de santo, talvez. Por que não? Eu devia falar algo sobre meu destino, mas não me pareceu apropriado no momento. Qual era a pressa, não é mesmo? Não era esse o ponto da minha aparente loucura?

Ele sabia da minha história, certeza. Continuou.

- Esse negócio de amor é coisa de adolescente. Gente velha quer mesmo uma boa companhia e só.

Fazia sentido pensei pra mim mesma. Fiquei dois anos atrás de um suposto grande amor e para quê? Para ser monumentalmente decepcionada no final, respondeu aquela voz amiga do meu subconsciente. Não gostei da resposta, afinal de contas, não foi tão ruim assim. Eu finalmente consegui o que tanto queria, uma pena só a realidade não ter correspondido com minhas expectativas.

O taxista se intrometeu nos meus pensamentos. Não gostou da conversa interna que estava tendo, queria fazer parte do papo.

- Já sofreu por amor minha filha? Mexe com isso não. Quando for namorar, ame só 10% senão você vai sofrer.

Ele claramente sabia do que estava falando. Sabia que tinha feito algo de errado, amei com um zero a mais!

Estávamos em pleno engarrafamento carioca, não tinha para onde fugir. Não precisava dizer para onde eu tinha que ir por enquanto. Continuei calada.

- Sabe, muita mulher desesperada entra no táxi e roda a cidade toda chorando atrás do marido ou namorado. Perda de tempo.

Não me surpreendi, mas achei cliché na hora. Por que rodar a cidade toda, gastar dinheiro se você já sabe que o seu marido ou namorado está te traindo? É a tal da dor, né? Rejeição realmente não é pra qualquer um e se tem algo que a gente não esquece é traição. Por mais que depois ele se arrependa, te escreva uma carta dizendo tudo que você sempre quis ouvir, você sempre vai ter um pé atrás com ele. Nunca vai confiar totalmente nele, especialmente quando ele for sair com aquelas amigas que você sabe que não valem nada.

O meu amigo não se contentou e prosseguiu.

- Se tá bom fica, se não tá, separa. Tem gente demais nesse mundo pra ficar brigando e dizendo 'ah, mas eu amo é você'.

Isso é mesmo. Era exatamente isso que eu precisava ouvir. Uma segurança verbal, mesmo que vindo de um completo estranho, para me assegurar de que o que eu estava fazendo não era errado, não era fuga. Se fosse isso que eu queria eu nunca teria abdicado daquele sofá que eu tanto quis experimentar. Nunca.

O engarrafamento foi lentamente melhorando e começamos a andar. Me deu uma vontade louca de chorar, mas as lágrimas não desceram.

- Vou ficar entre a Figueiredo e a Barata Ribeiro. Rua 567, na esquina do Itaú, eu falei pela primeira vez.

Ele não falou mais nada durante a viagem até chegarmos lá.

- Serão R$35,60 da corrida, os conselhos ficam por minha conta.

Steph - tentando

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Queda de braço

Lutei duelos terríveis.
Contra inimigos terríveis que vão desde monstros no meu armário até ex-amigos.
Lutei contra o mundo.
Contra a maré. Contra a descrença em mim mesma. Contra a preguiça.
Lutei pelo meu direito de sonhar. Sonhar dormindo e acordada.
Lutei pelo direito de falar e mais pelo de ficar calada.
Por espaço, por sossego, por vontades também.
Lutei para acordar, para dormir, para enxergar, para escutar, para fugir, para ficar, para sumir.
Para ser quem eu sou, para abrir mão de quem era para eu ser.
Lutei até para parar de lutar.
E ultimamente nem sei para que ainda insisto em lutar quando meu maior inimigo sou eu mesma.
Meus medos, minhas inseguranças, meus defeitos, minhas limitações, minha complexidade.
Nessa queda de braço, sempre saio perdendo.


PS: Queridonas voltando à ativa!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Outubro

Chegou como alívio
Já não aguentava mais setembro
Precisava de notícias boas, de novos ares, de uma pontinha de esperança
Esperei, esperei e esperei por esse mês que me traria conforto e um pouco de chuva
O feriado era para eu descansar e ajudar o tempo a passar mais rápido
O fim do semestre era para dar um pouco de ânimo
Mas e aí, outubro? O que foi que você fez?
Me decepciounou!
Sugou o restinho de energia que eu estava poupando
Potencializou meu mau humor, meu cansaço e meu stress
Não trouxe nenhuma boa nova
Não atendeu às minhas expectativas
E o pior de tudo?
É que parece que está durando 2 meses!
Para que tudo isso?
Para que andar tão devagar?
Para arrastar novembro pro fundo do poço também?
Chega de outubro!
Chega de novembro e dezembro!
Chega de mesmice, de decepção!
Chega de 2010!


Porque ô anozinho mais sem graça esse, viu
Deu quase tudo errado...

Lara - sempaciência para dar tempo ao tempo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O divã e eu

- Por que você não experimenta deitar no divã na próxima sessão?
- Mas por quê?
- É só um convite... Se preferir pode ficar aí.
- Mas é normal você chamar as pessoas para deitarem no divã?
- Como assim "normal"?
- Normal, ué! Todo mundo deita aí ou só quem é mais louco ou problemático?
- Por que você se preocupa tanto em ser normal?
- Não sei...Acho que porque ninguém quer ser anormal...
- E o que é ser anormal?
- Não sei...
- Por que você seria anormal?
- Não sei... Difícil responder essa... E por que deitar no divã? Pra que serve?
- Para você olhar mais para você. Para você dialogar com você mesma.
- Mas não é estranho eu não olhar no seu rosto quando eu falo com você?
- Não. Por que seria? Você não tem que olhar para mim.
- Eu sempre aprendi que a gente tem que olhar nos olhos quando conversa com alguém. Acho estranho não te ver. Entende? É normal isso?
- Mas eu estou aqui. E olha você se preocupando com a normalidade de novo...
- Não consigo evitar...
- Não precisa olhar para mim. Você está aqui para conversar com você, não comigo.
- É....Faz sentido. Na próxima sessão vou tentar. Se eu não gostar, posso voltar para poltrona?
- Pode. O que te deixar mais confortável. Mas vai ser bom para você... Você está preparada pro divã.

Verdade! Eu estava mesmo preparada para olhar mais para mim.

domingo, 17 de outubro de 2010

três quartos

pois é, quem sou eu?
as vezes eu acho que ninguém sabe quem eu sou de verdade.
sério. acho que, pra falar a verdade, nem eu sei quem eu sou por completo.
sou uma pessoa quando estou na faculdade, sou uma outra pessoa no trabalho, aqui em casa já sou uma outra pessoa totalmente diferente, e por aí vai. sou mil e uma personalidades em uma só pessoa.
eu consigo ser emocionalmente forte quando se trata de questões de saúde, e daí uma fracote quando se trata de amor. sou muito inteligente pra umas matérias, e uma lerda pra aprender outras. ao mesmo tempo que tenho muito sono, não consigo dormir. penso e re-penso em tudo e em nada ao mesmo tempo. quero mudar, mas odeio mudança. não tenho paciência e quero tudo pra ontem, mas eu não faço nada para mudar essa minha rotina. alguns me acham engraçada, enquanto nunca consigo fazer outros sorrirem. uns me acham legal, outros nem tanto. cada um parece ter sua própria opinião ao meu respeito - e eu que nem uma opinião consigo formar?
as pessoas captam o que emitimos, mas acho mesmo que o que eu transmito é sim um quarto daquilo que sou.



enfim, o que eu quero dizer é que eu estou em busca dos 3/4 que me faltam! mas cá entre nós, essa busca podia ser um pouco mais fácil, não é mesmo?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diálogos.

- Ótimo. Aconteceu de novo. O que eu faço agora?
- Calma, a gente vai resolver isso.
- Agora ninguém mais vai confiar em mim... Nem sei se eu mesma vou!
- Não é bem assim, essas coisas acontecem com todo mundo.
- A impressão que eu tenho não é bem essa.
- A principal pergunta é: você se sente culpada pelo que aconteceu?
- Culpada não. Pelo menos não sozinha.
- Claro, você não é a única envolvida na história. Além do mais, é difícil achar um único culpado nesse tipo de situação.
- Ah nem, mas justo comigo?! Como eu vou explicar isso? E minha mãe? E meu namorado? E justo agora?
- Olha, eles vão entender, acidentes acontecem...
- É... Talvez depois de uma década.
- Não exagera! É só conversar e explicar exatamente o que aconteceu.
- Vai ser ótimo explicar que eu fui engavetada entre outros 5 carros.