- Por que você não experimenta deitar no divã na próxima sessão?
- Mas por quê?
- É só um convite... Se preferir pode ficar aí.
- Mas é normal você chamar as pessoas para deitarem no divã?
- Como assim "normal"?
- Normal, ué! Todo mundo deita aí ou só quem é mais louco ou problemático?
- Por que você se preocupa tanto em ser normal?
- Não sei...Acho que porque ninguém quer ser anormal...
- E o que é ser anormal?
- Não sei...
- Por que você seria anormal?
- Não sei... Difícil responder essa... E por que deitar no divã? Pra que serve?
- Para você olhar mais para você. Para você dialogar com você mesma.
- Mas não é estranho eu não olhar no seu rosto quando eu falo com você?
- Não. Por que seria? Você não tem que olhar para mim.
- Eu sempre aprendi que a gente tem que olhar nos olhos quando conversa com alguém. Acho estranho não te ver. Entende? É normal isso?
- Mas eu estou aqui. E olha você se preocupando com a normalidade de novo...
- Não consigo evitar...
- Não precisa olhar para mim. Você está aqui para conversar com você, não comigo.
- É....Faz sentido. Na próxima sessão vou tentar. Se eu não gostar, posso voltar para poltrona?
- Pode. O que te deixar mais confortável. Mas vai ser bom para você... Você está preparada pro divã.
Verdade! Eu estava mesmo preparada para olhar mais para mim.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O divã e eu
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As Queridonas
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11:17 PM
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domingo, 17 de outubro de 2010
três quartos
pois é, quem sou eu?
as vezes eu acho que ninguém sabe quem eu sou de verdade.
sério. acho que, pra falar a verdade, nem eu sei quem eu sou por completo.
sou uma pessoa quando estou na faculdade, sou uma outra pessoa no trabalho, aqui em casa já sou uma outra pessoa totalmente diferente, e por aí vai. sou mil e uma personalidades em uma só pessoa.
eu consigo ser emocionalmente forte quando se trata de questões de saúde, e daí uma fracote quando se trata de amor. sou muito inteligente pra umas matérias, e uma lerda pra aprender outras. ao mesmo tempo que tenho muito sono, não consigo dormir. penso e re-penso em tudo e em nada ao mesmo tempo. quero mudar, mas odeio mudança. não tenho paciência e quero tudo pra ontem, mas eu não faço nada para mudar essa minha rotina. alguns me acham engraçada, enquanto nunca consigo fazer outros sorrirem. uns me acham legal, outros nem tanto. cada um parece ter sua própria opinião ao meu respeito - e eu que nem uma opinião consigo formar?
as pessoas captam o que emitimos, mas acho mesmo que o que eu transmito é sim um quarto daquilo que sou.
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As Queridonas
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10:03 PM
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Diálogos.
- Ótimo. Aconteceu de novo. O que eu faço agora?
- Calma, a gente vai resolver isso.
- Agora ninguém mais vai confiar em mim... Nem sei se eu mesma vou!
- Não é bem assim, essas coisas acontecem com todo mundo.
- A impressão que eu tenho não é bem essa.
- A principal pergunta é: você se sente culpada pelo que aconteceu?
- Culpada não. Pelo menos não sozinha.
- Claro, você não é a única envolvida na história. Além do mais, é difícil achar um único culpado nesse tipo de situação.
- Ah nem, mas justo comigo?! Como eu vou explicar isso? E minha mãe? E meu namorado? E justo agora?
- Olha, eles vão entender, acidentes acontecem...
- É... Talvez depois de uma década.
- Não exagera! É só conversar e explicar exatamente o que aconteceu.
- Vai ser ótimo explicar que eu fui engavetada entre outros 5 carros.
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As Queridonas
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8:40 AM
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Achados e Perdidos
Era para ser tudo diferente.
Era para eu ter achado a felicidade suprema,
os melhores amigos do mundo,
os destinos mais interessantes para minhas longas férias...
Era para eu ter achado a fórmula mágica do emagrecimento,
o segredo para ganhar muito dinheiro,
as respostas para todas as minhas perguntas,
os filmes mais interessantes,
os livros mais bem escritos...
Era para eu ter me achado também.
Achado a minha verdadeira essência.
meus sonhos,
minhas vontades.
Achei?
Não!
Perdi!
Perdi a paciência,
a cabeça,
um monte de gente também.
Perdi as poucas respostas que eu tinha,
a força de vontade arrebatadora,
o ânimo para sair por aí procurando, procurando, procurando pelo simples prazer de encontrar.
E nesses encontros inusitados,
quase sempre só acho o que não quero,
o que não me serve,
o que não me agrada...
Por que não parar então?
Por que não desistir de procurar?
Por que não me conformar com minha falta de direção?
Não sei.
Sinceramente essas são só algumas perguntas cujas respostas desconheço.
Talvez eu ainda procure na esperança de encontrar o "Achados e Perdidos" ideal.
Ou talvez simplesmente ainda não tenha encntrado a coragem para parar de procurar.
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As Queridonas
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7:55 PM
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
me ama!
Por que você só não acorda um dia e diz que me ama?
Vamos! Anuncie, grite, mande um telegrama!
Diz que me quer em qualquer lugar- no carro, no sofá, inclusive na tua cama!
Vamos! Verbalize, escandalize, aceito até um anagrama!
Não poupe palavras - me faça sentir irresistível, até mesmo quando estou de pijama!
Deixa de drama - liberte essa paixão que eu sei que te inflama!
Vamos! Esparrama!
A dois, não serei mais dama!
Quero amor que abale até o sismograma!
De noites com você - quero mil e uma quilogramas!
Quero cansar, suar, enjoar - todo esse melodrama!
Mas você aí com esse seu silêncio e essa sua fama
Uma pena mesmo você não estar interessado nesse tipo de programa
Preciso mesmo desenhar um diagrama?
Que você então aproveite muito essa sua Brahma
Já fiz minha parte, agora é com você - e depois?
bom, depois não reclama!
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As Queridonas
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12:16 PM
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Sorry...
Querido leitor,
Eu sei que devemos desculpas a vocês. Todo escritor deve desculpa a seu leitor em algum momento, não é mesmo? J.K. Rowling me deve muito mais do que desculpa depois daquele final péssimo de Harry Potter, Stephenie Meyer me deve por ter feito eu gostar de literatura tão pobre, Poe e Wilde me devem por terem me encantado com literatura de alto nível. Saint-Exupery, por ter escrito sobre a vida como ninguém jamais o fará, J.D. Salinger por ter criado um personagem igual a mim.
Agora, nós devemos desculpa a vocês pelo pior motivo do mundo: pelo silêncio! Escritor que é digno, que honra seu ofício não se cala jamais, não se cansa jamais. Mesmo quando a inspiração o abandona, suas histórias lhe fogem do alcance e nada acontece, ainda assim o escritor tem que enxergar a possibilidade da escrita.
Quando seus problemas pessoais, suas batalhas individuais, seu cansaço, sua exaustão, seu desgaste forem tão grandes que parecem sufocar, cabe ao escritor achar seu rumo e escrever, escrever, escrever. Nada justifica o silêncio! Quem consegue escrever, quem tantas vezes usa a escrita como válvula de escape, quem tem o dom de enxergar na realidade matéria de poesia não pode nunca abandonar o leitor, ou mesmo o papel, que sempre lhe deu apoio e nunca lhe virou as costas.
Erramos. Todas nós erramos ao deixar que nossas vidas pessoais tirassem de nós a vontade, o ânimo ou até mesmo a obrigação de escrever. Erramos ao não abrir um pouco mais os olhos para procurar as palavras que nos seguem por todo lado. Erramos ao sermos egoístas e abandonar esse espaço que cultivamos com tanto suor e carinho.
Por tudo isso, sentimos muito. Como todos os seres humanos, erramos, falhamos, deixamos que nosso pessimismo e nosso humor levem vantagem sobre nós. Nos permitimos curtir uma fossinha de vez em quando e descansar da voracidade do teclado. Deixamos que nossos sentimentos nos tire a ânsia de traduzir nossas vidas em parágrafos.
Assumimos nossa falha e, diferentemente de J.K. Rowling que nunca me pediu desculpas por ter arruinado a história de Harry Potter para mim depois de tantos anos de espera, prometo tentar errar menos. Prometo escrever mais, criar mais, me envolver mais. Prometo tentar incansavelmente lutar - até contra mim mesma -- para manter esse blog ativo. Prometo escrever. Simples assim. Escrever. Tentar. Viver.
Um grande abraço um tanto envergonhado,
Lara - tomando a liberdade de falar pelas Queridonas.
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As Queridonas
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11:15 PM
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Vida de cão
Todo mundo reclama da vida. Não importa quão positivos (ou até mesmo Pollyanas) sejamos. Em algum momento vamos nos sentir frustrados, incomodados, revoltados, decepcionados e vamos reclamar. Seja via Twitter, blog, Gtalk ou até mesmo por meio da fala (Incrível como a nossa comunicação mudou, né?), o fato é que vamos choramingar. E o que há de errado nisso?
Reclamar faz parte da natureza humana, não? Bom, da minha faz! E eu sou humana, então... O que eu quero dizer é que se não é normal, pelo menos é comum chorar pitangas. E sempre vai ter alguém para concordar com a gente. Já percebeu? Sempre tem alguém que também detesta segundas-feiras ou que também está de dieta. Ou alguém que quer matar todo mundo no trânsito ou chutar o balde e mudar para Lua. Sempre tem um para reclamar da NET, das operadoras de celular, dos restaurantes, dos filmes ruins, de tudo. E se você parar para pensar nisso, vai ver que nossa miséria procura companhia. Quando você não aguenta mais a academia, você liga para aquela amiga que está na mesma que você só para ver que você não está sozinho. Ou quando você trava uma batalha telemártica de horas com a atendente de algum SAC, você se vangloria para aquele colega que também se orgulha de fazer o mesmo. Vai dizer que não? É sempre assim!
Mas aí vem aqueles dias piores em que você constata que está vivendo uma vida de cão: seu salário não dá para nada, você está acima do peso, suas roupas ficam horrorosas em você, seus amigos têm vida social e você não, você não é bem-sucedido como achou que seria, seu cabelo está de mal de você, a falta de chuva está acabando com sua pele, tudo está errado. Aí, meu amigo, nem chocolate na causa, né? Bate mesmo aquela depressão do cão e nada te tira do fundo do poço. Muito pelo contrário! Sempre vai ter alguém para te puxar mais para baixo...
Contra isso, ainda não achei remédio. Acho que ninguém achou, né? Parece que o tempo melhora as coisas e vem sempre um outro dia, um seriado novo, uma pessoa nova, uma comida ou um gesto de carinho de alguém para te levantar e te empurrar de volta para o mundo real e para sua vidinha de cão. E aí me pergunto: isso é mesmo vida de cão? Ô expressãozinha mais mal empregada, viu?
Tem muito cachorro por aí sofrendo, mas aqui em casa, vida de cão é vida de rei. É cama, comida e coçadinha na barriga! Não tem preocupação, nem trabalho, nem stress. E quando faz alguma coisa errada, é só fazer uma carinha de coitado que já está tudo bem. Todo mundo se derrete... Cachorro sim sabe apreciar a vida! Eles ficam felizes com pouco e sabem dar valor às pessoas certas. Nunca se decepcionam. Balançam o rabinho para o dono amigo e sabem que nada vale mais que um buraco bem cavado, um pratinho de água fresca e uma caixa de brinquedo. Eles não julgam como nós. Perdoam e sabem se entregar de corpo e alma. Sabem ser amigos de verdade, sem pedir nada em troca.
E isso é vida de cão? Se é, é essa vida que eu quero para mim! Quero uma vida mais amena, mais simples e mais verdadeira. Quando tudo estiver ruim, vou deitar no sofá e tirar um cochilinho no colo de alguém até tudo passar. Quando eu tiver ânimo, vou correr pelo jardim loucamente até minha língua não caber mais dentro da boca. Depois vou encher de beijos aqueles que gostam de mim e pedir um pouco de carinho. Se encontrar quem não me interessa por aí, mostro meus dentes e sigo meu caminho. Não guardo máguas e nem ressentimentos. Não me policio e faço o que quero. Se eu errar, peço desculpa do jeito mais charmoso que eu puder e deixo isso para lá. Viver que nem cachorro é viver intensamente. Cada minuto como se fosse o último. Da maneira mais honesta possível. Como a vida devia ser vivida. Talvez algumas das grandes lições que temos que aprender estejam bem debaixo de nossos narizes, latindo para gente. Já pensou nisso?
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As Queridonas
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12:17 PM
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