quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vida de cão

Todo mundo reclama da vida. Não importa quão positivos (ou até mesmo Pollyanas) sejamos. Em algum momento vamos nos sentir frustrados, incomodados, revoltados, decepcionados e vamos reclamar. Seja via Twitter, blog, Gtalk ou até mesmo por meio da fala (Incrível como a nossa comunicação mudou, né?), o fato é que vamos choramingar. E o que há de errado nisso?

Reclamar faz parte da natureza humana, não? Bom, da minha faz! E eu sou humana, então... O que eu quero dizer é que se não é normal, pelo menos é comum chorar pitangas. E sempre vai ter alguém para concordar com a gente. Já percebeu? Sempre tem alguém que também detesta segundas-feiras ou que também está de dieta. Ou alguém que quer matar todo mundo no trânsito ou chutar o balde e mudar para Lua. Sempre tem um para reclamar da NET, das operadoras de celular, dos restaurantes, dos filmes ruins, de tudo. E se você parar para pensar nisso, vai ver que nossa miséria procura companhia. Quando você não aguenta mais a academia, você liga para aquela amiga que está na mesma que você só para ver que você não está sozinho. Ou quando você trava uma batalha telemártica de horas com a atendente de algum SAC, você se vangloria para aquele colega que também se orgulha de fazer o mesmo. Vai dizer que não? É sempre assim!

Mas aí vem aqueles dias piores em que você constata que está vivendo uma vida de cão: seu salário não dá para nada, você está acima do peso, suas roupas ficam horrorosas em você, seus amigos têm vida social e você não, você não é bem-sucedido como achou que seria, seu cabelo está de mal de você, a falta de chuva está acabando com sua pele, tudo está errado. Aí, meu amigo, nem chocolate na causa, né? Bate mesmo aquela depressão do cão e nada te tira do fundo do poço. Muito pelo contrário! Sempre vai ter alguém para te puxar mais para baixo...

Contra isso, ainda não achei remédio. Acho que ninguém achou, né? Parece que o tempo melhora as coisas e vem sempre um outro dia, um seriado novo, uma pessoa nova, uma comida ou um gesto de carinho de alguém para te levantar e te empurrar de volta para o mundo real e para sua vidinha de cão. E aí me pergunto: isso é mesmo vida de cão? Ô expressãozinha mais mal empregada, viu?

Tem muito cachorro por aí sofrendo, mas aqui em casa, vida de cão é vida de rei. É cama, comida e coçadinha na barriga! Não tem preocupação, nem trabalho, nem stress. E quando faz alguma coisa errada, é só fazer uma carinha de coitado que já está tudo bem. Todo mundo se derrete... Cachorro sim sabe apreciar a vida! Eles ficam felizes com pouco e sabem dar valor às pessoas certas. Nunca se decepcionam. Balançam o rabinho para o dono amigo e sabem que nada vale mais que um buraco bem cavado, um pratinho de água fresca e uma caixa de brinquedo. Eles não julgam como nós. Perdoam e sabem se entregar de corpo e alma. Sabem ser amigos de verdade, sem pedir nada em troca.

E isso é vida de cão? Se é, é essa vida que eu quero para mim! Quero uma vida mais amena, mais simples e mais verdadeira. Quando tudo estiver ruim, vou deitar no sofá e tirar um cochilinho no colo de alguém até tudo passar. Quando eu tiver ânimo, vou correr pelo jardim loucamente até minha língua não caber mais dentro da boca. Depois vou encher de beijos aqueles que gostam de mim e pedir um pouco de carinho. Se encontrar quem não me interessa por aí, mostro meus dentes e sigo meu caminho. Não guardo máguas e nem ressentimentos. Não me policio e faço o que quero. Se eu errar, peço desculpa do jeito mais charmoso que eu puder e deixo isso para lá. Viver que nem cachorro é viver intensamente. Cada minuto como se fosse o último. Da maneira mais honesta possível. Como a vida devia ser vivida. Talvez algumas das grandes lições que temos que aprender estejam bem debaixo de nossos narizes, latindo para gente. Já pensou nisso?

domingo, 26 de setembro de 2010

palavreando

O que vale mais - gestos ou palavras?

Por mais que nós sonhamos que aquele gatinho do carro branco ligue pra gente quando disse que ia ligar, por mais que rezamos que ele queira, nem que seja só uma vezinha sequer, nos fazer uma surpresa, se lembrar de algo que dissemos, por mais que ele se dobre em quatro, faça tudo que a gente sempre desejou ainda vai ficar faltando algo - aquela verbalizaçãozinha que nem importa mais depois dele praticamente te dar um continente inteiro. Sim, ainda assim vamos querer uma afirmação verbal do quanto somos importante, bonitas, inteligentes.

Não me limito em dizer que isso se restringe ao amor. Todo mundo quer uma verbalização positiva a seu respeito. Você estudou (claro, depois de deixar tudo para o último minuto, depois de enrolar o final de semana todo, depois de curtir o namoro, depois de ir ao cinema ver aquele filme que você nem fazia tanta questão) e foi bem na prova! Vai dizer que não é bom escutar um: "nossa, você é f*da, hein!?"

Eu sei, eu também sou assim. É por isso que eu acredito que palavras falam mais que gestos, que palavras são verdadeiros orgasmos para os nossos ouvidos. Afrodisíaco mesmo é saber que alguém disse algo bom a nosso respeito, sobre o nosso novo corte de cabelo, sobre nosso emprego, curso, artigo! Então termino o post reforçando: rapazes, amigos, digam tudo o que sentem por nós, ressaltem os pontos positivos, assim, assim....isso!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Com que freqüência você lê?

De verdade. E eu não estou falando das placas e propagandas espalhadas pela cidade e nem das notícias em destaque dos jornais e sites. Muito menos das legendas na TV. Eu digo: livros, literatura! E eu ainda vou mais além, quero saber os livros que você lê por puro prazer - nada daquelas (talvez traumatizantes) obrigações escolares. Quero saber qual foi a última vez que você abriu um livro por curiosidade e ao ler a história pensou “El@ adivinhou o que eu queria dizer” ou “Que fantástico!”?

É triste pensar que esse tipo de situação ainda é relativamente ‘rara’ no nosso cotidiano. A literatura tem sido deixada em segundo plano por muitos ou mesmo esquecida em alguma parte daquela lista gigante de afazeres. Afinal, ‘eu posso viver sem ter lido esse ou aquele livro’, e ‘leitura demanda tempo’ - a vida anda tão corrida - ‘depois eu vejo o filme’. Ou a melhor: isso é coisa de intelectual, eu tenho que trabalhar! Não era pra ser assim. Quando foi que a literatura passou a viver em outro plano? Longe do nosso dia-a-dia?

Na verdade, a atual relação com a literatura chega a ser paradoxal. Todos nós sabemos a importância da leitura, sabemos que ela ajuda a desenvolver habilidades de escrita, adquirir vocabulário, trabalhar o imaginário e fantasia (e quem sabe transformar a realidade) e mais uma série de coisas. Literatura nos ensina a pensar e crescer e descobrir! A gente sabe disso. No entanto, é apenas mais um discurso que permanece no mundo das idéias. E ainda é possível ouvir que ‘com meus filhos vai ser diferente’. Agora eu me pergunto: como isso vai ser possível? Como esperar da futura geração se estamos apenas perpetuando velhos hábitos?

Hábito. Acredito que literatura é, acima de tudo, uma questão de hábito. Oras, é preciso, então, criar esse hábito da leitura desde cedo e a qualquer hora! E não que isso seja apenas papel da escola ou da família. Os meios de comunicação são armas poderosas e (especialmente a TV - com sua enorme audiência) poderiam fazer muito pela literatura. Mas já reparou quão raras são as cenas em programas/novelas/séries que incluem livros e literatura? (Ainda bem que a Internet está indo bem até agora!). Enfim, eu acredito no poder dos livros, acredito que ele pode encurtar distâncias e acredito que a gente pode mudar isso. Acredito, inclusive, que eu poderia dedicar mais tempo às minhas leituras...

Pronto, falei.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a crônica da caixinha

Enquanto eu olhava pela última vez as ruas de Brasília e me despedia silenciosamente das minhas memórias você olhou pra mim - talvez pela primeira vez.


"Por que você está tão triste? Não era isso que você queria?"

"Continua sendo o que eu quero."

"Então por que essa cara?"

"Acho que a pergunta certa seria, o que você está fazendo aqui?"

"Como assim?"

"Faz mais de um ano que não nos vemos ou nos falamos direito e por alguma razão, de todas as pessoas que eu conheço e realmente se importam comigo, você é quem está me levando para o aeroporto."

"Não faz tanto tempo assim, faz?"

Ainda com a cabeça encostada no vidro e olhando para a paisagem respondi que de fato fazia um ano que não nos víamos.

Foi você quem finalmente quebrou aquele silêncio esmagador: "Acho que nunca te agradeci pelo chaveiro que me deu hoje."

Ainda sem olhar para ele, ri. "De nada. Você também nunca agradeceu o outro chaveiro que te dei de aniversário uns anos atrás."

"Agradeci sim!"

Ignorei o comentário. "Aliás, por que ele não está aqui com suas chaves?" Tirei o meu rosto do vidro, sentei direito e o encarei.

"Ele está guardado em uma caixinha no meu guarda-roupa."

Sem pensar, respondi: "Ah, assim como a nossa amizade."

Você quase ultrapassou o sinal vermelho. "Como assim como a nossa amizade?"

"Assim como você guardou o chaveiro em uma caixinha, você decidiu guardar a nossa amizade lá também. Faz mais de um ano que temos uma conversa decente e você entra e sai da minha vida a sua conveniência. Fico chateada que nossa amizade, melhor, que eu sou do tamanho de uma caixinha e que fico acumulando poeira em cima de várias outras coisas que cabem dentro de um armário."

Você nunca teve coragem de responder e o resto da ida até o aeroporto foi gritantemente silenciosa.

Quando eu finalmente embarquei recebi uma mensagem sua, mas não tive coragem de ler e deletei na hora.

Alguns anos depois, nos encontramos em um supermercado e você perguntou por que eu nunca respondi aquela mensagem. Fui honesta e disse que nunca cheguei a ler. Você me contou o que tinha escrito.

E daí eu olhei para você e percebi como você era de verdade - talvez pela primeira vez.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Três desejos

Um dia desses, algo muito estranho aconteceu comigo. Eu estava andando   pela praia quando de repente tropecei em alguma coisa enfiada na areia. Comecei a cavar freneticamente, totalmente dominada pela curiosidade. O que poderia ser? Não demorei muito a elaborar diversas teorias (uma mais ridícula do que a outra): uma arca de tesouro, uma mensagem em uma garrafa, um pé de bota perdido. Essas são as coisas que as pessoas normalmente encontramnos filmes, certo? Bem, eu fui mais sortuda! Eu encontrei uma lâmpada! Difícil acreditar? Eu sei, mas é verdade. Ah, e não parou por aí. O que você faria se você encontrasse uma lâmpada dando sopa por aí? Eu segui meus instintos - meu espírito de Aladdin - e a esfreguei. Adivinha só quem saiu daquela porcaria velha... Um gênio! Massa demais, né?

Mal consegui digerir a surpresa. Quando que eu ia imaginar que essas coisas realmente existiam... Como se eu não estivesse suficientemente surpresa, aquele homem de aparência tão estranha vira para mim e diz:

"E aí, mina? Quais três desejos você vai me pedir para tornar realidade? Pode mandar que eu faço."

A essa altura minha mandíbula já estava tocando o chão. Era simplesmente inacreditável!

"Eu acho que um copo d'água ia bem, hein.", ele continuou.

Eu só balancei a cabeça em concordância e um copo de água surgiu em minha mão direita. Depois de me beliscar inúmeras vezes, decidir ir com a maré. O que de pior poderia acontecer? Ganhar três desejos de mão beijada? Pensando assim até que a ideia não era tão ruim...

Mas o que eu deveria pedir? Paz mundial? Não, muito Miss America para mim. Pedir por mais três desejos? Muito cliche! Pedir para ser bonita jovem e magra para sempre? Não, muito obrigada. Pedir para viver eternamente? Muito solitário para o meu gosto. E que tal ficar rica e famosa? Muito Paris Hilton! Além disso, não sou muito fã de paparazzi... Essa decisão era mais difícil do que eu pensava. Eu queria algo que mostrasse minha personalidade ou que eu não sou uma pessoa tão egoísta. Mas que diabos seria isso?

O gênio já estava quase morrendo de tédio e cansaço uma vez que ainda estávamos na praia debaixo de um sol de rachar a cabeça. A única coisa que o coitado falava era:

"Anda logo, criatura! Isso era para ser fácil, sabe? Você pede, eu faço, eu volto para minha lâmpada. Além do mais, você não tá decidindo de qual filho você gosta mais. Escolhe logo uma coisa e pronto! Qual é a dificuldade?"

Aquela pressão toda estava me deixando nervosa. Eu não queria desperdiçar aquela chance. Era uma chance única. Eu só precisava de mais uns minutinhos para me decidir...

Ele estava ficando cada vez mais ansioso para acabar logo com aquilo e começou a me dar sugestões. 

"Que tal uma história de amor bem bonita??

Expliquei para ele que isso eu já tinha. Eu já havia encontrado um grande amor há anos e nós dois éramos felizes desde então. Sim, houveram altos e baixos, mas isso é que faz a gente ver que estamos indo para algum lugar, certo?

"Ok, que tal dar vida eterna a alguém que você gosta?"

Isso me soava um tanto injusto. Eu jamais poderia fazer alguém que realmente amo carregar tamanho fardo. Que droga viver para sempre, vendo todo mundo de quem você gosta morrer, pessoas indo e vindo! Deprimente, não?

"Quem sabe dinheiro, então?"

Essa ideia era ótima, mas eu não queria dinheiro pelo qual eu não tivesse tido que trabalhar. Algumas pessoas precisavam mais disso do que eu. Ele me disse que justiça não fazia parte do negócio dele, então aceitei um pouco de dinheiro. Eu queria começar meu próprio negócio, comprar um apartamento e viajar pelo mundo com a minha família. Depois disso, uma boa ideia para meu segundo desejo me ocorreu: eu pedi a ele por um carregamento vitalício de comida brasileira para onde quer que eu fosse. Ele prontamente me garantiu meu desejo e deixou bem claro o quanto ele estava feliz por eu só ter mais um desejo.

Qual seria o desejo perfeito para fechar? Tantas coisas passaram pela minha cabeça, mas nada me parecia justo. Muitas pessoas envolvidas... O que eu poderia pedir a ele que faria minha vida ser perfeita? Foi aí que me toquei. Minha vida não era perfeita! Mas qual seria a graça se ela fosse? Sorri para ele e disse:

"Meu terceiro desejo é viver minha vida do jeito que for para eu viver: com altos e baixos, com momentos tristes e felizes, sentindo tudo que eu tiver que sentir - tristeza, alegria, orgulho, raiva, amor. Quero o pacote completo. Quero viver uma vida plena e olhar para trás e sentir uma enorme felicidade."

Ele estava nitidamente aliviado que eu havia decidido o que eu queria mas ele me disse que isso tecnicamente não contava como um desejo já que ele não teria que fazer nada. Como eu já estava cansada de tanto tomar decisões, virei para ele e falei:

"Me dá um pôr-do-sol bem bonito e uma carona para casa. E aí estamos quites. Até porque tem um monte de gente para quem eu preciso contar essa história..."

"Você vai mesmo contar para pessoas? Você acha que eles vão acreditar em você?"

"Claro que eles não vão! Eles muito provavelmente vão dizer que eu estou louca e vão rir da minha cara." 

"Então para que contar?"

"Não tem porque, mas eu gosto de dividir. Aliás, acabei de ter uma ideia! Talvez eu escreva sobre isso no meu blog. Isso com certeza daria uma certa credibilidade a minha história, né?"

"E eu lá sei! Só sou um gênio, cara! Quem sou eu para saber?"


domingo, 19 de setembro de 2010

la dolce vita

   Eis o que eu faço quando não estou escrevendo! 

o início: a massa



produto semi-feito: quase lá!
hora de enfeitar: maquiagem culinária
segundos antes de desaparecer

deliciosamente artístico
em seu tamanho original
                                                                      


sábado, 18 de setembro de 2010

recortes pt. 7

Foi então que o engenheiro aproximou-se dos velhos amigos e disse: “Mas você hein, não perde tempo!” e deu aquele tapinha nas costas do músico como de aprovação.
Constrangido e não aprovando aquele comentário ele respondeu: “Do que você está falando?”
“Uma mulher cancela com você e em menos de vinte quatro horas já arruma outra? Isso é realmente impressionante!” Sabia que esse comentário não era verdadeiro, mas estava curioso para ver como seu amigo reagiria.
“Ah! Então quer dizer que você veio afogar as magoas?” A loira perguntou.
“Não, só vim aqui para me distrair um pouco...”
“Ele estava arrasado quando seus planos foram cancelados!” disse o engenheiro
“Pela namorada...?” A loira perguntou de tal modo que parecia que ela torcia pela resposta negativa.
“Não” Ambos os rapazes responderam ao mesmo tempo.
“Não, quer dizer, bem, ela não é minha namorada, é só uma amiga” o músico tentou esclarecer.
“Você estava muito triste para ela ser só sua amiga...” o engenheiro provocou.
“Então se ela é só uma amiga, não terá problema de você me dar uma carona para casa não é mesmo?” A loira perguntou, e a cada pergunta se aproximando um pouco mais.
“Bom, eu já estou de saída, pode ser agora?”
“Pode!” E levantou-se rapidamente e o pegou pelo braço.

Durante a caminhada até seu carro, a loira tinha falado que tinha deixado sua chave com a sua amiga que morava com ela, mas só voltaria mais tarde e perguntou se não seria incômodo esperar por ela em seu apartamento.
Ele olhou para ela e pensou nos comentários que o engenheiro tinha feito durante a noite e finalmente concordou com o pedido. Estavam os dois já bem embriagados quando chegaram em casa e ela já segurando seu sapatos nas mãos praticamente se jogava para cima dele.

Entraram no apartamento e não tinha ninguém em casa. Já estava tarde e talvez por cansaço ou talvez pelo simples fato de estar bêbado, foram até seu quarto e como uma vela que se apaga por um simples vento, a luz que vinha do seu quarto se apagou.