Todo mundo reclama da vida. Não importa quão positivos (ou até mesmo Pollyanas) sejamos. Em algum momento vamos nos sentir frustrados, incomodados, revoltados, decepcionados e vamos reclamar. Seja via Twitter, blog, Gtalk ou até mesmo por meio da fala (Incrível como a nossa comunicação mudou, né?), o fato é que vamos choramingar. E o que há de errado nisso?
Reclamar faz parte da natureza humana, não? Bom, da minha faz! E eu sou humana, então... O que eu quero dizer é que se não é normal, pelo menos é comum chorar pitangas. E sempre vai ter alguém para concordar com a gente. Já percebeu? Sempre tem alguém que também detesta segundas-feiras ou que também está de dieta. Ou alguém que quer matar todo mundo no trânsito ou chutar o balde e mudar para Lua. Sempre tem um para reclamar da NET, das operadoras de celular, dos restaurantes, dos filmes ruins, de tudo. E se você parar para pensar nisso, vai ver que nossa miséria procura companhia. Quando você não aguenta mais a academia, você liga para aquela amiga que está na mesma que você só para ver que você não está sozinho. Ou quando você trava uma batalha telemártica de horas com a atendente de algum SAC, você se vangloria para aquele colega que também se orgulha de fazer o mesmo. Vai dizer que não? É sempre assim!
Mas aí vem aqueles dias piores em que você constata que está vivendo uma vida de cão: seu salário não dá para nada, você está acima do peso, suas roupas ficam horrorosas em você, seus amigos têm vida social e você não, você não é bem-sucedido como achou que seria, seu cabelo está de mal de você, a falta de chuva está acabando com sua pele, tudo está errado. Aí, meu amigo, nem chocolate na causa, né? Bate mesmo aquela depressão do cão e nada te tira do fundo do poço. Muito pelo contrário! Sempre vai ter alguém para te puxar mais para baixo...
Contra isso, ainda não achei remédio. Acho que ninguém achou, né? Parece que o tempo melhora as coisas e vem sempre um outro dia, um seriado novo, uma pessoa nova, uma comida ou um gesto de carinho de alguém para te levantar e te empurrar de volta para o mundo real e para sua vidinha de cão. E aí me pergunto: isso é mesmo vida de cão? Ô expressãozinha mais mal empregada, viu?
Tem muito cachorro por aí sofrendo, mas aqui em casa, vida de cão é vida de rei. É cama, comida e coçadinha na barriga! Não tem preocupação, nem trabalho, nem stress. E quando faz alguma coisa errada, é só fazer uma carinha de coitado que já está tudo bem. Todo mundo se derrete... Cachorro sim sabe apreciar a vida! Eles ficam felizes com pouco e sabem dar valor às pessoas certas. Nunca se decepcionam. Balançam o rabinho para o dono amigo e sabem que nada vale mais que um buraco bem cavado, um pratinho de água fresca e uma caixa de brinquedo. Eles não julgam como nós. Perdoam e sabem se entregar de corpo e alma. Sabem ser amigos de verdade, sem pedir nada em troca.
E isso é vida de cão? Se é, é essa vida que eu quero para mim! Quero uma vida mais amena, mais simples e mais verdadeira. Quando tudo estiver ruim, vou deitar no sofá e tirar um cochilinho no colo de alguém até tudo passar. Quando eu tiver ânimo, vou correr pelo jardim loucamente até minha língua não caber mais dentro da boca. Depois vou encher de beijos aqueles que gostam de mim e pedir um pouco de carinho. Se encontrar quem não me interessa por aí, mostro meus dentes e sigo meu caminho. Não guardo máguas e nem ressentimentos. Não me policio e faço o que quero. Se eu errar, peço desculpa do jeito mais charmoso que eu puder e deixo isso para lá. Viver que nem cachorro é viver intensamente. Cada minuto como se fosse o último. Da maneira mais honesta possível. Como a vida devia ser vivida. Talvez algumas das grandes lições que temos que aprender estejam bem debaixo de nossos narizes, latindo para gente. Já pensou nisso?
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Vida de cão
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domingo, 26 de setembro de 2010
palavreando
O que vale mais - gestos ou palavras?
Por mais que nós sonhamos que aquele gatinho do carro branco ligue pra gente quando disse que ia ligar, por mais que rezamos que ele queira, nem que seja só uma vezinha sequer, nos fazer uma surpresa, se lembrar de algo que dissemos, por mais que ele se dobre em quatro, faça tudo que a gente sempre desejou ainda vai ficar faltando algo - aquela verbalizaçãozinha que nem importa mais depois dele praticamente te dar um continente inteiro. Sim, ainda assim vamos querer uma afirmação verbal do quanto somos importante, bonitas, inteligentes.
Não me limito em dizer que isso se restringe ao amor. Todo mundo quer uma verbalização positiva a seu respeito. Você estudou (claro, depois de deixar tudo para o último minuto, depois de enrolar o final de semana todo, depois de curtir o namoro, depois de ir ao cinema ver aquele filme que você nem fazia tanta questão) e foi bem na prova! Vai dizer que não é bom escutar um: "nossa, você é f*da, hein!?"
Eu sei, eu também sou assim. É por isso que eu acredito que palavras falam mais que gestos, que palavras são verdadeiros orgasmos para os nossos ouvidos. Afrodisíaco mesmo é saber que alguém disse algo bom a nosso respeito, sobre o nosso novo corte de cabelo, sobre nosso emprego, curso, artigo! Então termino o post reforçando: rapazes, amigos, digam tudo o que sentem por nós, ressaltem os pontos positivos, assim, assim....isso!
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Com que freqüência você lê?
Na verdade, a atual relação com a literatura chega a ser paradoxal. Todos nós sabemos a importância da leitura, sabemos que ela ajuda a desenvolver habilidades de escrita, adquirir vocabulário, trabalhar o imaginário e fantasia (e quem sabe transformar a realidade) e mais uma série de coisas. Literatura nos ensina a pensar e crescer e descobrir! A gente sabe disso. No entanto, é apenas mais um discurso que permanece no mundo das idéias. E ainda é possível ouvir que ‘com meus filhos vai ser diferente’. Agora eu me pergunto: como isso vai ser possível? Como esperar da futura geração se estamos apenas perpetuando velhos hábitos?
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8:50 PM
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
a crônica da caixinha
Enquanto eu olhava pela última vez as ruas de Brasília e me despedia silenciosamente das minhas memórias você olhou pra mim - talvez pela primeira vez.
"Por que você está tão triste? Não era isso que você queria?"
"Continua sendo o que eu quero."
"Então por que essa cara?"
"Acho que a pergunta certa seria, o que você está fazendo aqui?"
"Como assim?"
"Faz mais de um ano que não nos vemos ou nos falamos direito e por alguma razão, de todas as pessoas que eu conheço e realmente se importam comigo, você é quem está me levando para o aeroporto."
"Não faz tanto tempo assim, faz?"
Ainda com a cabeça encostada no vidro e olhando para a paisagem respondi que de fato fazia um ano que não nos víamos.
Foi você quem finalmente quebrou aquele silêncio esmagador: "Acho que nunca te agradeci pelo chaveiro que me deu hoje."
Ainda sem olhar para ele, ri. "De nada. Você também nunca agradeceu o outro chaveiro que te dei de aniversário uns anos atrás."
"Agradeci sim!"
Ignorei o comentário. "Aliás, por que ele não está aqui com suas chaves?" Tirei o meu rosto do vidro, sentei direito e o encarei.
"Ele está guardado em uma caixinha no meu guarda-roupa."
Sem pensar, respondi: "Ah, assim como a nossa amizade."
Você quase ultrapassou o sinal vermelho. "Como assim como a nossa amizade?"
"Assim como você guardou o chaveiro em uma caixinha, você decidiu guardar a nossa amizade lá também. Faz mais de um ano que temos uma conversa decente e você entra e sai da minha vida a sua conveniência. Fico chateada que nossa amizade, melhor, que eu sou do tamanho de uma caixinha e que fico acumulando poeira em cima de várias outras coisas que cabem dentro de um armário."
Você nunca teve coragem de responder e o resto da ida até o aeroporto foi gritantemente silenciosa.
Quando eu finalmente embarquei recebi uma mensagem sua, mas não tive coragem de ler e deletei na hora.
Alguns anos depois, nos encontramos em um supermercado e você perguntou por que eu nunca respondi aquela mensagem. Fui honesta e disse que nunca cheguei a ler. Você me contou o que tinha escrito.
E daí eu olhei para você e percebi como você era de verdade - talvez pela primeira vez.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Três desejos
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12:43 AM
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domingo, 19 de setembro de 2010
la dolce vita
Eis o que eu faço quando não estou escrevendo!
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| o início: a massa |
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| produto semi-feito: quase lá! |
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| hora de enfeitar: maquiagem culinária |
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| segundos antes de desaparecer |
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| deliciosamente artístico |
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| em seu tamanho original |
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sábado, 18 de setembro de 2010
recortes pt. 7
Foi então que o engenheiro aproximou-se dos velhos amigos e disse: “Mas você hein, não perde tempo!” e deu aquele tapinha nas costas do músico como de aprovação.
Constrangido e não aprovando aquele comentário ele respondeu: “Do que você está falando?”
“Uma mulher cancela com você e em menos de vinte quatro horas já arruma outra? Isso é realmente impressionante!” Sabia que esse comentário não era verdadeiro, mas estava curioso para ver como seu amigo reagiria.
“Ah! Então quer dizer que você veio afogar as magoas?” A loira perguntou.
“Não, só vim aqui para me distrair um pouco...”
“Ele estava arrasado quando seus planos foram cancelados!” disse o engenheiro
“Pela namorada...?” A loira perguntou de tal modo que parecia que ela torcia pela resposta negativa.
“Não” Ambos os rapazes responderam ao mesmo tempo.
“Não, quer dizer, bem, ela não é minha namorada, é só uma amiga” o músico tentou esclarecer.
“Você estava muito triste para ela ser só sua amiga...” o engenheiro provocou.
“Então se ela é só uma amiga, não terá problema de você me dar uma carona para casa não é mesmo?” A loira perguntou, e a cada pergunta se aproximando um pouco mais.
“Bom, eu já estou de saída, pode ser agora?”
“Pode!” E levantou-se rapidamente e o pegou pelo braço.
Durante a caminhada até seu carro, a loira tinha falado que tinha deixado sua chave com a sua amiga que morava com ela, mas só voltaria mais tarde e perguntou se não seria incômodo esperar por ela em seu apartamento.
Ele olhou para ela e pensou nos comentários que o engenheiro tinha feito durante a noite e finalmente concordou com o pedido. Estavam os dois já bem embriagados quando chegaram em casa e ela já segurando seu sapatos nas mãos praticamente se jogava para cima dele.
Entraram no apartamento e não tinha ninguém em casa. Já estava tarde e talvez por cansaço ou talvez pelo simples fato de estar bêbado, foram até seu quarto e como uma vela que se apaga por um simples vento, a luz que vinha do seu quarto se apagou.
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10:58 PM
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