No outro lado da linha, o músico olhava para o celular que tinha terminado nossa conversa de maneira abrupta e riu. Sabia que eu era péssima em carregar meu celular e sabia que provavelmente a bateria tinha acabado mais uma vez no meio de uma de nossas conversas. Pondo o celular no bolso, foi até seu quarto onde estava o engenheiro.
“Que cara é essa?” disse o engenheiro ao o ver entrar no quarto.
“Ah, meus planos foram cancelados hoje...” respondeu olhando para o chão.
“E desde quando isso é motivo para ficar em casa olhando para o chão? Vamos sair! Barzinho é o que não falta nessa cidade!”
“Ah, acho que é melhor ficar em casa mesmo, amanha tenho que acordar cedo..”
“Então quer dizer que pode voltar tarde do cinema, mas não de um barzinho para casa? É isso que eu estou ouvindo?”
“Ha-Ha, no cinema pelo menos eu não chegaria em casa bêbado!”
“Vamos beber só para relaxar então, não temos nada melhor para fazer mesmo! Vamos, aposto que o resto do pessoal deve estar por lá...”
Hesitou um pouco, sabia que não era uma boa idéia ir, mas se deixou levar pela pressão do engenheiro.
....
O barzinho estava lotado para variar. Quando chegaram lá, logo avistaram um grupo de amigos seus que estudaram com eles na faculdade. A noite estava agradável e uma cerveja gelada era o que faltava para tornar aquele cenário ideal. Assim que sentaram, avistaram uma mesa de mulheres que usavam jalecos brancos. Assim que o músico tinha sentado percebeu que uma delas em particular não parava de o olhar. Achou aquilo estranho, pois nunca tinha a visto antes.
Depois de algumas horas, e algumas várias cervejas, a mulher que o olhava, a loira, se sentou no lugar vazio do lado do músico.
“Você não se lembra de mim, não é? Ela falou se inclinando um pouco perto demais dele.
“E é pra lembrar?” Ele perguntou, tentando se afastar.
“Já fomos casados! Como não se lembra de mim?” Ela riu e ele ficou momentaneamente petrificado em seu lugar esperando uma explicação.
“Sim, acho que estávamos na terceira série, e nós éramos o casal da festa junina do colégio. O padre nos casou e tudo!” Continuou rindo e Ele finalmente parece ter se situado em relação aquela estranha.
“Ah! Nossa! Aquilo foi há mil séculos atrás! Como se lembrou de mim?” Perguntou realmente surpreso.
“Uma mulher nunca esquece seu primeiro marido!”
O engenheiro, presenciando essa conversa toda, percebeu que a loira queria algo mais daquela conversa, enquanto o músico parecia realmente só estar lá pela conversa. Sabia que seu amigo estava triste em relação ao furo da amiga, mas ele (o engenheiro) levava o rancor dela nunca ter ligado para ele e nem mesmo ter mencionado sequer uma vez seu encontro na festa. Sabia também que seria só uma questão de tempo até que eles (a menina e o músico) se entendessem e ficassem juntos. O engenheiro estava decidido a não deixar isso acontecer sem ele ter sua devida chance com ela.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
recortes pt. 6
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Encabulada (final)
Depois de alguns dias, ela já estava bem melhor. E, de fato, tinha aprendido alguma coisa: o tempo é mesmo o melhor remédio! Mas eis que, na segunda-feira antes do tal concurso, vem a surpresa: a caminho do trabalho, ela recebe uma ligação do dito-cujo, querendo saber se eles poderiam se encontrar no final da tarde. Ela inicialmente ficou sem saber o que dizer, pois esperava que o encontro fosse acontecer só na semana seguinte, mas disse que daria um jeito. A esperança de colocar os pingos nos ‘is’ - de uma vez por todas - a deixou estranhamente animada.
Para o encontro, o rapaz sugeriu a torteria favorita dela, mas ela disse que a praça de alimentação do shopping estava de bom tamanho e era mais perto. Marcaram no shopping, às 19 horas. Sempre pontuais, os dois chegaram quase juntos e ele, tentando criar um clima mais amistoso, foi logo perguntando sobre o dia dela. Ela, curta e grossa e sem um pingo de paciência, disse que não interessava e que era melhor irem direto ao ponto.
Ele então começou a se explicar e disse que queria uma espécie de tempo, que precisava acertar os 'ponteiros', mas que gostava muuuito dela. Aham. Ela imediatamente rejeitou a proposta do 'tempo' e disse que, considerando a situação, era melhor não ficarem juntos mesmo, que cada um deveria seguir com sua vida e que ele poderia ficar tranquilo para ficar com quem ele quisesse.
Confuso (ou se fazendo de confuso), ele disse que não estava entendendo a reação dela e que não tinha ninguém na vida dele. Ela, meio nervosa, riu. O rapaz, percebendo a delicadeza da situação, jurou por tudo que é mais sagrado que não tinha outra pessoa na vida dele e que apesar de gostar muito dela, a viagem tinha ajudado ele a ver as coisas sob outra perspectiva e que ele só estava precisando de um tempo para repensar a vida dele - sozinho. Era só isso.
Querendo por um fim ao encontro, ela disse que não se importava com o que pudesse ter acontecido de verdade e nem com as repensadas da vida dele, mas que ele devia ter sérios problemas por apresentar uma mudança de comportamento tão abrupta sem um motivo decente. Ela concluiu a conversa dizendo que talvez fosse melhor ele ficar sozinho mesmo, e pediu para que nunca mais a procurasse, ligasse ou mandasse mensagem. Era melhor assim. E sem perder tempo ou dar a ele a chance de prolongar o diálogo, ela levantou-se e foi embora, enquanto ele ficou ali - com aquela cara de pastel sentado a mesa.
Era A separação (definitiva!). E a verdade era que ela não fazia questão de trocar o adjetivo dessa vez - pois sabia que isso poderia machucá-la ainda mais. Mas não era verdade que ela não se importava com a verdadeira causa de toda a mudança. "Será que ele estava dizendo a verdade? Será que não tem mais ninguém? Será que ele nunca mais vai me procurar mesmo?" - eram pensamentos que insistiam em permanecer na sua cabeça; e ela ficou encabulada pensando nisso por um bom tempo, mas confiando que o melhor remédio (o tempo) logo logo faria efeito...
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Encabulada (continuação)
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Encabulada
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domingo, 12 de setembro de 2010
recortes pt. 5
Já se fazia dois meses que tínhamos nossas aulinhas de violão semanais e por mais que estava ficando impossível conciliar meus estudos da universidade com a música noturna, eu estava me divertindo demais para poder parar. Além das "aulas" duas vezes por semana, tínhamos nossos almoços semanais também. Toda quarta-feira ele me encontrava na universidade e almoçava comigo no RU. Era engraçado o ver todo arrumado enquanto ninguém mais no refeitório usava uma gravata. (Sim, o músico, durante o dia era concursado!) Ele rapidamente fez amizades com os meus amigos e quando não dava para ele me encontrar para almoçar todos reclamavam de sua ausência.
Além dos nossos almoços e conversas, mandávamos e-mails com piadas ou reportagens interessantes e eu até tinha o convencido a me acompanhar a varias exposições de arte e cinema, atividades que nunca teria feito se não fosse meus empurrõezinhos estratégicos, mas sempre bem intencionados. Ultimamente estávamos passando muito tempo juntos. Sempre nos falávamos por telefone e aqueles encontros semanais rapidamente viraram encontros diários. Acho que grande parte da nossa afinidade vinha do fato de sermos tão diferentes um do outro, e foram exatamente essas diferenças que nos aproximava.
Um dia que tínhamos planejado ir ver uma mostra de filmes em francês no CCBB, mas eu tinha uma prova no dia seguinte e devido a falta de tempo, não tinha estudado a matéria ainda.
O músico me ligou com a maior empolgação do mundo para confirmar nosso cinema: “Não acredito que estou animado de verdade para ir ver um filme em francês! Só você mesmo para me fazer ver uma coisa dessas!” Ele falou rindo.
“Ah, sobre isso, por favor não me odeie! Tenho prova amanhã, e não vai dar para ir!” Falei essas palavras com o coração carregado, maldita prova, realmente queria ir!
“Ah, mas você é inteligente, não precisa estudar! Te busco em casa às 7 da noite!”
Percebi que tentava me elogiar para conseguir o que queria. “Ah, claro! Se sou tão inteligente assim então para que ir a universidade? Já sei o suficiente e portanto vou parar de ir e um emprego vai automaticamente cair do céu!” Respondi com o mesmo tom brincalhão dele.
“Esse é o espírito da coisa! E de qualquer forma, você vai sempre ter esse seu músico aqui para te sustentar!” Ele falou isso, provavelmente brincando sem perceber o efeito que essas palavras tinham sobre mim, e houve uma pausa um pouco maior que se esperava da minha parte.
“Está aí ainda?” Ele perguntou.
“Sim, desculpe, um brinco meu tinha caído aqui no chão...”
“Ah, ta...”
Sabia que ele não tinha acreditado muito em mim.
Esse era o problema da nossa amizade, ao mesmo tempo em que ambos queríamos mais alguma coisa, nenhum de nós era capaz de dar o primeiro passo. Não sei o que o impedia, mas da minha parte com certeza era medo de ser rejeitada e perder o que tínhamos.
“Olha, prometo que saímos amanha sem falta! Te deixo até me levar para um barzinho, que tal? Eu realmente preciso estudar!”
“Não, tudo bem, a gente se fala mais tarde ou amanha então...” Percebi que ele não estava muito feliz com minha mudança de planos.
“Pode ir sem mim para o cinema, aproveita e leva um dos seus amigos e apresente a eles o maravilhoso mundo do cinema europeu!” Ele não se convenceu muito, mas percebeu que a prova devia ser importante para eu perder um cinema, um dos meus programas favoritos e me deixou ir.
"Ah, claro! Vou chamar o engenheiro para ir lá ver comigo então, aposto que estava morrendo de vontade de ir mesmo!"
Senti-me um pouco mais aliviada vendo que ele já estava fazendo piadinhas e como meu celular estava com a bateria fraca, ele acabou a nossa conversa por nós. Foi melhor assim, eu realmente precisava estudar. Peguei meus livros e fui até a biblioteca e percebi que a noite seria longa.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Ah, se soubesse...
Ah, se eu soubesse...
como ficar milionária sem fazer esforço
como criar um avatar para malhar e para corrigir redação por mim
como me livrar de gente incoveniente para sempre
como trocar o pneu do carro
como achar tudo que eu perdi
como cozinhar decentemente
como derrotar a preguiça
como resistir a tentação do bombom nosso de cada dia e da pipoca
como saber quem vale a pena e quem não vale
como ter coragem sem ter medo
como lidar com meu próprio humor
como fazer as perguntas certas
como encontrar a plenitude
como não querer matar algumas pessoas
como dar conta da minha vida sem me afogar
como voltar para borda da piscina
como botar um basta nas histórias mal resolvidas
Ah, se eu soubesse tudo isso...
Se eu soubesse todas as respostas...
O mundo não teria a menor graça!
Aí eu ia reclamar do que?
Eu ia aprender o que?
Lara - sabendo que não sabe de nada
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Nadar.
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