Sou professora. Meu ofício é ensinar. É para isso que eu vivo e é isso que eu sei fazer: ensinar. E não estou falando só de Inglês porque todo professor ensina muito mais que isso. Ensino sobre respeito, responsabilidade, civilidade, perseverança, confiança, caráter. Impossível pensar em sala de aula e não pensar em educação em seu sentido mais amplo. E é isso que eu faço, educo.
Mas hoje fiquei pensando sobre tudo que já ensinei na vida. Não só para os meus alunos, mas para as pessoas que passaram na minha vida. Acho que meu saldo é positivo, mas não consigo não me lamentar pelos montros que eu criei. Pisei deliberadamente em corações que não mereciam ser pisados, xinguei quando não precisava, levantei a voz, critiquei e julguei sem fundamento, apontei o dedo, magoei incontáveis vezes. Não fiz todas essas coisas com a intenção de machucar, mas mesmo assim iso foi inevitável. Muito frequentemente, querendo ou não, ensinei a lição errada.
Como não lamentar que acabei ensinando tudo trocado? Estraguei essas pessoas! Não completamente, é claro, mas estraguei. As minhas antigas versões deixaram nelas marcas que hoje eu não deixaria. Aliás, hoje eu teria feito tudo diferente. Só que o tempo não volta. O que eu fiz, está feito!
E o que acontecem com meus monstrinhos de estimação? Andam por aí aos tropeços, achando que a porcaria que eu ensinei estava certa. E pior: achando q a pessoa idiota que eles conheceram, as Laras antigas, são retratos de quem eu realmente sou. Ah, se eles soubessem...
Por isso, meus caros montros, espero que onde quer que vocês estejam, vocês tenham a chance de reaprenderem as lições tortas que deixei para trás. Esqueçam isso! Muitos de vocês jamais esbarrarão em mim novamente. Não terei a chance de remendar meus erros. Mas espero que alguém o faça. Vocês não merecem o estrago que eu causei. Por menor que seja. E por vocês prometo tentar errar menos. Não quero mais a responsabilidade de criar monstrinhos! Prefiro olhar para o meu passado e sentir orgulho dos traços que desenhei em alguém. Aí sim valerá a pena ter ensinado.
Lara - de liquid paper na mão
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Meus monstros de estimação
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1:05 AM
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domingo, 5 de setembro de 2010
a sete chaves
o que é seu está guardado!
Bom, então só o que é seu, leitor, por que o que é meu, honestamente, não está guardado não. É sério.
O que é meu perdeu a data de validade e expirou. O que um dia era para ser meu, já saiu de série. Não adianta mais esperar porque descarregou e nunca mais vai funcionar igual. O modelo já está antiquado - e quem quer a versão 2.0 se já fazem a versão 4.5 dele, não é mesmo? Esperei tanto por algo melhor, algo mais digno que se perdeu no meio do caminho, quebrou e parou de funcionar.
O melhor que estava por vir, não veio. Perdeu a carona, se perdeu no meio do caminho, não tinha dinheiro suficiente para o ônibus! As oportunidades se foram - tiraram férias e a ressaca ainda não passou. Aquele emprego ficou com preguiça de aparecer, preferiu ficar vendo filminho em casa com aquele salário que tanto sonhei. E as pessoas que eram para eu conhecer? para eu me apaixonar? que iam me ensinar e fazer com que eu subisse na vida? Todas elas na festa que não fui convidada, que o convite se perdeu no correio.
Eu bobiei e dancei. Eu fui namorar e perdi o meu lugar. Eu não estava de altas!
Ah, essas coisas guardadas que são feitas só para nós e ninguém mais mexe. Alguém acredita? Com você vai ser diferente? O que estava tão bem guardado, desembrulhou, caríssimo. Abriu e ninguém nunca mais viu!
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6:41 PM
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sábado, 4 de setembro de 2010
recortes pt. 3
Segunda-Feira tinha finalmente chegado! Tinha um dia cheio de aulas e isso me fez pensar que não ficaria pensando muito no que aconteceria a noite, mas a cada vinte minutos me via olhando para o celular com aquela minúscula esperança que talvez ele me ligasse só para confirmar ou dizer que queria antecipar a nossa aula de violão porque tinha finalmente percebido que eu era o grande amor de sua vida e não daria conta de esperar mais nenhum minuto sem me ter por perto! Não é preciso dizer que nada disso aconteceu.
Cheguei em casa um pouco depois das cinco e meia e as seis em ponto recebo uma mensagem dele: “Está de pé nossa aula? Eu não esqueci!” Ri com a mensagem e tentei esperar um pouco para responder, mas não deu muito certo. Respondi que estava de pé sim, e que estaria em sua casa às sete da noite. Tomei banho e admito que nunca pensei que seria tão difícil escolher uma roupa!
As sete e cinco eu estava debaixo de sua portaria e pedi para o porteiro abrir a porta para mim. Como não tinha elevador, subi aquelas escadas um pouco devagar de mais, pois minha timidez e nervosismo estavam se aliando contra mim. Ligeiramente me arrependi de ter concordado com essas aulas e cogitei sair correndo de lá e rezar que nunca mais o encontrasse na minha vida. Antes de poder por meu plano de fuga em ação, ouvi alguém abrindo a porta e ao subir o último degrau, me vi diante daquela figura que a tanto tempo não tinha visto.
Era minha imaginação ou ele tinha ficado mais irresistivelmente bonito? Nunca o tinha visto sem ser com seu chinelo, short e blusa (que nunca combinavam!) e agora me via diante de alguém que usava uma blusa social azul e calça preta e um sapato fechado. Pega por surpresa, eu fiquei momentaneamente com falta de palavras e, portanto fiz o que sempre fazia quando estava perto dele, do músico, sorri.
Assim que me viu, puxou-me para um abraço como se fossemos grandes amigos de infância e que há muito tempo não nos víamos. Achando aquilo estranho, mas definitivamente não reclamando, retornei o abraço. Entrei no apartamento e vi que era totalmente diferente do que tinha imaginado. Não era sujo, não tinha comida espalhada por todos os cantos e não cheirava mal, era de fato o oposto de tudo isso. O músico, divida um apartamento com a mãe e o irmão mais velho de seu melhor amigo, o engenheiro.
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10:07 AM
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Vontades
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8:11 AM
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
recortes pt. 2
No dia seguinte, o engenheiro acordou às três da tarde. Morava em um apartamento com sua mãe, seu irmão mais velho que estava quase se casando e seu melhor amigo.
Ninguém tinha almoçando ainda e então se vestiram e saíram para almoçar no restaurante chinês que ficava na quadra ao lado de seu apartamento. Enquanto esperavam a comida, o engenheiro comentou sobre a festa para os outros. Falou que a música estava muito boa e que até chegou a dar seu número de telefone para uma menina. Os outros, sabendo de sua reputação de mulherengo, começaram a rir e perguntaram o quão bêbado ele estava na festa, por que desde que o conheciam nunca tivera dado seu número de celular para uma mulher, pois era sua tática de evitar problemas.
Não gostando desse comentário e negando que isso era verdade, começou a fazer uma breve descrição física da menina. “Tinha cabelos escuros, era baixinha e bem branquinha e estava usando um chapéu xadrez que combinava com seu vestido preto”.
“Nossa, você acaba de descrever metade do corpo estudantil feminino da UnB. Você conheceu de verdade essa menina ou foi só mais um fruto de sua imaginação nada sóbria?” Ele perguntou rindo com seu próprio comentário. “Ah, eu acredito em você e digo mais, espero que ela ligue mesmo!” A mãe disse, sorrindo para o seu filho. A comida chegou e logo o assunto foi esquecido.
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11:33 PM
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Loja de conveniência
Tem uns dias que percebi que preciso urgentemente fazer compras.
Minha geladeira está vazia e os armários, cheios de teia de aranha.
Eu queria que desse para esperar um pouco mais, mas cheguei no meu limite.
Terei que sair do meu casulo ainda hoje e sabe por quê?
Porque preciso comprar:
- 5 potes de coragem para sair da cama todo dia
- 3 botijões de gás para ir para academia
- 10 kg de auto-estima
- 6 kg de confiança
- 8 caixas de comprimidos contra preguiça
- 1 sacola resistente para carregar o peso da minha consciência
- 3 galões de 20 litros de paciência
- 4 dúzias de inspiração e boas ideias
- 5 potes de creme anti-pessimismo
- 7 sacos de balinhas conta ansiedade
Será que estou lembrando de tudo que eu preciso?
Aposto que não!
Mas quando eu chegar na loja de conveniência, garanto que vou achar pelo menos mais umas 10 coisas que eu nem sabia que estava precisando.
Alguém quer ir fazer compras comigo?
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12:15 PM
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
recortes pt. 1
Era sábado à noite e eu não estava nem um pouco a fim de sair, muito menos com pique de ir para uma festa e voltar para casa no dia seguinte com cheiro de cigarro e maconha impregnados no meu cabelo e minha roupa. Estava a fim de ficar em casa e ver um filme qualquer na HBO e dormir cedo. Obviamente o destino tinha outros planos em mente.
Havia uma festa na universidade em que estudava na qual um dos meus melhores amigos iria ter sua estréia como DJ nela. Não tive como fugir e à uma hora da manhâ me vi saindo de casa com uma energia que animaria qualquer festa. (Sim, leia-se essa frase com um tom carregado de sarcasmo).
Cheguei na festa e a música estava ridiculamente boa – fiz uma nota mental de agradecer e parabenizar meu amigo pela excelente seleção de músicas mais tarde. Encontrei vários amigos do meu curso lá e isso me animou, era raro encontrar com eles fora de um ambiente acadêmico. Aos poucos fui me empolgando mais com a festa e ao ver todo mundo se divertindo, acabei entrando no clima e esquecendo daquela minha preguiça negativa que me impedia de sair de casa.
Estava morrendo de sede, um fato raro, pois nunca sentia sede, muito menos a noite e em festas, e decidi ir ao bar para comprar um refrigerante e aproveitar para ver se tinha algum conhecido meu trabalhando lá. Assim que me aproximei do bar vi um grande amigo meu da biologia no bar e ele chamou meu nome. Fui o cumprimentar e ele me perguntou qual seria o meu refrigerante de escolha para a noite. Ri porque todos que me conheciam sabiam que eu não gostava muito de bebias alcoólicas e ele nem fez questão de fingir que não sabia disso.
No instante que eu falei que queria um Guaraná, veio um rapaz com todo ar de quem faz o curso de engenharia e veio pedir um Guaraná também. Virei para olhar para ele e não acreditei que ele tinha pedido um refrigerante no meio de uma festa open-bar! Meu amigo foi pegar nossas bebidas e voltou com só um Guaraná. “Não vai me dizer que esse é o último Guaraná da festa!” falei com um tom incrédulo.
“Antes fosse esse o problema, essa latinha aqui é o último refrigerante da noite. E aí, quem de vocês vai levar?” Meu amigo nos perguntou. Fiquei realmente surpresa com a pergunta, estava esperando que ele me desse sem nenhuma cerimônia, afinal de contas era meu amigo e sabia que não gostava de bebidas com álcool.
“Ah, eu não posso tomar bebidas alcoólicas e a água já acabou e eu estou morrendo de sede, e eu estava aqui antes dela.” Foram os argumentos usados pelo estranho da engenharia.
“Nada a ver! Eu estava aqui bem antes de você! E eu duvido que você não beba bebidas alcoólicas!” Respondi numa voz de menina que não conseguiu o que queria.
“Mas é sério, eu não posso beber, além de ter um problema no fígado, meu pai era alcoólatra e desde que ele se recuperou eu fiz uma promessa em nunca mais beber.” O estranho rapaz falou tudo isso com um tom de voz muito sério que me fez acreditar naquela história.
Antes que eu pudesse responder, o barman que se dizia ser meu amigo respondeu: “A bebida é sua, minha amiga aqui não é tão egoísta ao ponto de não dar um refrigerante a alguém que realmente não tem nenhuma opção de bebidas a não ser essa aqui.”
Eu ia começar a falar alguma coisa quando de novo, meu amigo me interrompeu com suas palavras: “Mas isso não quer dizer que você também não possa retribuir o favor, pega o celular dela e quem sabe um dia você não paga para ela um refrigerante?” Ele falou tudo isso sorrindo e me olhou como quem tivesse feito um grande favor para mim.
“Nada, não é preciso me pagar um refrigerante hoje nem algum outro dia. É sério, refrigerante engorda.” Essa foi a desculpa que dei para tentar diminuir o estrago que meu amigo tinha feito. “Te pago um suco então, e já que você não confia em mim, te dou meu número em vez de você me dar o seu, e daí você me liga quando tiver afim de me fazer retribuir esse favor, o que você acha?” Realmente me impressionava como esse rapaz conseguia ficar tão serio diante de uma situação tão inusitada como aquela. Por que ele insistia em manter contato depois dessa festa, afinal de contas era só um Guaraná!
Meu amigo, claramente se divertindo com aquela conversa não hesitou em falar que achava aquilo uma ótima idéia e me fez tirar o celular do bolso e anotar direitinho o número do celular do estranho. Assim que o fiz ele se despediu e falou: “É para ligar mesmo, hein! Vou esperar sua ligação, por favor, não quebre meu coração!”. Meu amigo riu bem alto e gritou: “Pode deixar, ela vai ligar sim!”, mas nem sei se o engenheiro tinha escutado aquilo. Fiquei fazendo companhia para meu amigo por mais um bom tempo, bebendo aos poucos uma cerveja que já estava quente. Realmente eu não conseguia ver a graça daquela bebida.
Depois que saí do bar, fui dançar com umas amigas que tinha encontrado no caminho para o banheiro e ficamos lá até quase terminar a festa. Voltei para casa já quase com o sol saindo para inaugurar mais um dia quente e seco em Brasília.
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As Queridonas
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8:12 PM
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