Ele tinha o ligeiro hábito de me ensinar as coisas que eu não queria aprender. Falava comigo por dois minutos e, ao mesmo tempo em que me sentia privilegiada por receber sua indivisível atenção, sabia que não duraria muito. Ele me conquistava com seus solos de guitarra e sempre adaptava as letras de música para que coincidissem com a minha pessoa. Ele tinha um péssimo gosto nas roupas que usava e das meninas que namorava. Ele, uma pessoa tão certa de si mesma, tão cheio de timidez. Ele era inconsciente de que eu o via tanto, não tantas vezes, mas tanto.
Steph Lispector
sábado, 31 de julho de 2010
ele, pronome possessivo
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O óbvio.
Tem! Quando alguém te faz uma pergunta supondo que ela seja muuito óbvia, mas acaba que ela não é tãão óbvia assim pra você - que fica com Aquela cara de tacho. Ou então, você até sabe a resposta, mas tem medo de responder ‘só’ aquilo. É muito óbvio! Ninguém quer perder tempo com essas coisas. Não pode ser isso... Mas era aquilo! Aparentemente essas coisas 'óbvias' fazem toda a diferença na vida, mas acaba que percebê-las nem é tão óbvio assim... Então é isso! Cuidado com essas coisas ditas ‘explícitas’: elas estão em TODOS os lugares, você provavelmente vai perder tempo na sua vida por não percebê-las e muitas das suas ‘caras de tacho’ vão ser por causa delas.
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5:41 PM
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Sessão da Tarde
Outro dia decidi que viveria uma aventura.
Como toda boa aventura, a minha exigia preparação.
Arrumei uma mochila com barrinha de ceral (odeio, mas garante a sobrevivência, né?), band-aids, fósforos, lanterna, um par de meias extra, um pouco de coragem e um tantão de animação.
Preferi não levar bússula.
Deixaria que as estrelas e o sol me orientassem.
Estava mesmo decidida.
Porque depois daquela aventura, não tinha mais volta.
Eu jamais seria a mesma!
Clichê, mas verdade.
Eu não ia olhar para ninguém da mesma forma.
Muito menos para o mundo. Ou para mim.
Eu sairia de casa uma e voltaria completamente diferente.
A mesma casca, mas recheio diferente.
Vesti a roupa mais aventureira que eu tinha, amarrarei meu cabelo e não esqueci do repelente.
Estava definitivamente pronta para viver minha aventura.
Caminhei em direção a porta e pensei em levar a chave comigo.
Achei melhor deixá-la na fechadura.
Bagulho pra quê?
Eu ia levar só o que eu ia precisar na minha aventura.
Na volta, alguém abriria a porta para mim, ué.
Dei um passo para fora e encarei o mundo.
À primeira vista era o mesmo mundo de sempre.
Mas eu sabia que tinha muita aventura escondida nele.
Olhei para trás.
Escaneei minha sala de estar inteira.
E pensei.
Pensei melhor e dei meia volta.
Fechei a porta e caminhei em direção ao sofá
Larguei a mochila no chão, tirei meus tênis e me sentei no meu lugar favorito.
Liguei a TV.
Estava passando Sessão da Tarde.
Um filme de aventura!
Era mesmo tudo que eu precisava!
Lara - vivendo longe do limite
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Sapateira
Outro dia eu estava conversando com a Steph quando, do auge de sua sabedoria winklerística, ela me falou uma frase que ficou na cabeça:
- Isso aí é que nem crocs: uma delícia de usar em casa, mas dá vergonha de sair com ele na rua.
Ai, gente, o que seria de mim sem a Steph, né?
Parei para pensar sobre isso e sobre todos os pares de crocs que eu tenho e fiquei assustada. Quantos seriados, livros, hobbies...Quantas pessoas, quantas coisas, quantas histórias...Tudo crocs! Tudo coisa que fica guardada no fundo da minha sapateira. Tudo coisa que eu uso (ou vejo, ou faço) só quando não tem ninguém olhando, quando eu sei que não tem ninguém para me julgar por perto!
Sério! Chega a ser assustador isso, né? Quase parece que eu sou mais de uma pessoa: uma pública e uma privada. Mas aí eu pergunto: e quem não é? E quem não tem um monte de pares de crocs? Você não conta para todo mundo que achou Crepúsculo viciante ou que fica roendo as unhas esperando o próximo episódio de Pretty Little Liars ou One Tree Hill ( não que eu faça nada disso!), conta? E quem precisa saber que você é amigo de X ou Y ou que você passa horas por dia no GTalk conversando só besteira com gente que você nem vê mais?
A gente não precisa mostrar tudo, né? Nem só de Louboutins vive o mundo! Toda sapateira precisa de sapatos de luxo para ocasiões especiais, de outros que aguentem o dia-a-dia e de crocs. Todo pé merece um descansinho...um tempo da realidade. Se não, a gente fica louco!
É por isso que tenho vários crocs. De todas as cores, tamanhos, estilos. E não abro mão deles. Porque são eles que descansam a minha cabeça, que me dão ânimo, que me acalmam. Sem eles, eu seria mais chata, mais estressada, mais sem graça, mais apática (sim, eu podia ser pior!). Gente, o que seria de mim sem minha sapateira?
Lara - sapateando
PS: só pra deixar registrado, acho crocs o sapato mais feio que o ser humano já inventou!
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domingo, 25 de julho de 2010
alexicada
me faltam palavras.
tudo que queria te dizer está dito já.
nos meus olhares, nas minhas atitudes, nos meus sorrisos.
mas eu acabo deixando tudo isso pra lá.
me faltam palavras.
quero te dizer tanta coisa, mas a oportunidade nunca aparece.
é sempre a consulta do dentista, o horário do almoço que não bate, sua ausência da academia.
acaba que conversamos sobre tudo, menos o que importa - acontece!
te contar a verdade seria minha carta de alforria.
me faltam palavras.
e não entendo, pois já tenho tudo decorado e ensaiado.
tudo já está pronto para ser executado.
a palavra?
nunca me faltou.
a coragem?
é, me abandonou.
Steph
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11:49 PM
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Loop
-- Mas você tem certeza do que você está fazendo?
-- Aham. Lógico!
-- Se você acha que é o melhor para você...
-- Eu acho. Eu pensei bem e acho mesmo que é melhor assim.
-- Então tá. Mas depois não diz que eu não te avisei...
-- Que mania que você tem de me agorar! Por que você não torce para dar certo?
-- Mas eu torço.
-- Não parece.
Um tempo depois...
-- Eu te avisei!
-- Que saco! Para de jogar isso na minha cara!
-- Tá bom. Mas eu sabia que isso não ia dar certo.
-- Se você sabia, por que você não falou nada?
-- Ah, e você me escuta? Desde quando?
-- Você devia ter brigado comigo, me dado um murro na cara, qualquer coisa.
-- Vou lembrar disso da próxima vez. Mas e agora?
-- E agora nada, né? Vou voltar pro plano A.
-- Você tem certeza?
-- Tenho.
-- Depois não diz que eu não te avisei...
Lara - tonta de tanto viver em loop.
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sábado, 24 de julho de 2010
de portas abertas
Fato é todo mundo já ouviu alguma vez na vida o ditado: Quando uma porta fecha, uma outra se abre! É mesmo? Sou só eu ou alguém mais fica com muita raiva de ouvir essas besteiras? Não, porque quando você está na fossa tudo que você realmente quer ouvir é que uma porta, algum dia, vai se abrir para você e que esse seu sofrimento agora é nada mais que desnecessário. Obrigada amigos pelas sábias palavras!
Já faz um bom tempo que venho querendo expor um certo problema que vem se manifestando aqui na capital. O tal do Open Door Policy, ou, traduzindo perigosamente: A Política da Porta Aberta. Sim, isso existe, e é um problema!
Um sujeito vem e te paquera. Ok, mais que te paquera, fica com você, te dá uma caixa de bombons caros, te leva para dançar, seus amigos já estão no décimo encanto com eles e aí a bomba cai. Você não faz idéia de onde ela veio, mas agora tem que agüentar esse gás tóxico. Você já imaginando seu feriadão juntos na Chapada (você afinal de contas é uma pessoa ambiciosa!) e em pleno pontão à beira do lago olhando o pôr do sol ele vem e te apresenta a tal maldita política. Ele se concentra e olha bem nos seus olhos. Seu negativismo diz para você fugir dali, mas sua esperança a deixa imóvel. E é então que ele fala: acho que devíamos ver outras pessoas, devíamos manter as portas abertas.
Você escuta os vidrinho que encapa seu coração quebrar. Mas o sujeito não pára por aí. Não, porque todo sofrimento é pouco. Ele, achando você leiga no assunto, acha a necessidade de te explicar o que significa deixar as portas abertas. E explica, e exemplifica, e no final, sorri e espera uma resposta sua. Você faz uma expressão facial nada atraente e não sabe se chora ali na hora ou o espanca até a morte.
É, às vezes é melhor deixar a porta fechadinha do que correr o risco de ver o que saí quando elas se abrem!
(post dedicado àquela que entende que a vida realmente é um heartbreak warfare)
Steph
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1:12 PM
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