“Cada minuto é uma chance de você mudar tudo pra sempre”.
Olho o relógio e vejo quantas chances eu perco por hora.
“Esteja pronta às 20:00 horas”.
Olho o relógio e vejo que já são 20:00 horas e eu ainda não escolhi a minha roupa – porque eu não tenho roupas!
“17:17”.
Olho o relógio e lembro que de acordo com o saber popular alguém está pensando em mim, mas quem? Foda-se.
“Aula de XXXX das 10 às 11:50”. Olho o relógio e vejo que SÓ se passaram 17 minutos – tristeza.
sábado, 24 de julho de 2010
O relógio
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As Queridonas
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12:34 PM
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
o engenheiro que acreditava em astrologia
- Posso te fazer uma pergunta pessoal?
- Só respondo se eu também puder fazer uma pergunta
Pensei na proposta e decidi aceitar, não tinha por que eu me preocupar, afinal de contas você nunca teria coragem de perguntar algo que você realmente quisesse saber.
- Tudo bem, mas eu vou primeiro.
- Tá bom, o que você tanto quer saber?
- Qual horário que você nasceu?
- Horário?
- É, a hora que você decidiu entrar no mundo.
- Por quê? De tudo que você poderia perguntar, quer saber logo isso?
- Por que não?
- Nasci às oito da manhã em ponto.
- Então logo depois da sua entrada ao mundo você decidiu que não valia mais a pena ser pontual?
- Ainda sou muito pontual! Do que você está falando?
- Claro, é por isso que sua mãe sempre fala pra gente que o horário do almoço de domingo é meio-dia, e pro resto do pessoal é uma hora da tarde.
Você ficou em silêncio.
- Mas então, queria saber o horário do seu nascimento para fazer seu mapa astral.
- Ah, não vai me dizer que você acredita nessas bobagens!
- Acredito, do mesmo jeito que você acredita que o Corinthians vai ganhar o Brasileirão esse ano!
- Você acha então que só por que eu sou gêmeos eu devo ter dupla personalidade? Devo agir e pensar de outro jeito? Eu nasci no último dia de ser gêmeos, mais um dia e eu seria outro signo! Nada a ver essas coisas. Isso se chama aleatoriedade.
- Eu acho que não, acho que existe alguma razão por você não ter sido outro signo e sim gêmeos.
- Você é realmente a pessoa mais estranha que eu conheço!
- Sabe, essa nossa conversa daria uma bela crônica. O engenheiro que acreditava em astrologia.
- Mas eu não acredito!
- E se eu fosse astróloga e te dissesse tudo sobre sua vida, mesmo assim duvidaria?
- Lógico.
- Nossa, quanta honestidade.
- Posso fazer minha pergunta agora?
- Não.
- Por que não? Eu respondi o que você queria saber, agora é minha vez.
- A resposta é não por que eu já sei o que você vai me perguntar.
- Ah, sabe é? E você sorriu o meu sorriso e levantou a sobrancelha esquerda de leve.
- Sei, e a resposta é sim.
Steph
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As Queridonas
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11:04 AM
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- Se você gosta dele, vai lá e fala com ele.
- Não.
- Vai ficar a vida inteira esperando por ele?
- Não.
- Então, faça alguma coisa!
- Agora não.
- Por que não?
- Porque não quero arriscar tudo.
- Mas não é melhor gostar dele e estar com ele?
- Sim.
- Então..?
- E se ele não gostar de mim? Aí gostar dele não vai ser a mesma coisa.
- Oras, aí você vai poder seguir em frente.
- Mas eu não quero seguir em frente. Quero continuar gostando dele.
- Então, você não vai fazer nada?
- Não. Vou só gostar.
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As Queridonas
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11:03 AM
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Fotografia
Não posso jogar tudo pro alto
entrar num conversível
e dirigir em direção à lugar nunhum.
Simplesmente não posso!
Não posso controlar meu mundo
Nem meu tudo
Nem nada
Não posso fazer o que eu quero.
Nem sempre o que eu quero é querível
Muitas vezes não é nem fazível
Quase sempre é impossível
Não posso viver como eu gostaria.
Onde eu gostaria
Com quem eu gostaria
Quando eu gostaria
Não sou dona de mim mesma.
Nem das minhas possibilidades
Nem das minhas oportunidades
Não me digam o contrário!
Não me venham com lições baratas!
Não se enganem!
Tenho consciência da minha condição e da minha existência.
Sei quem eu sou e quem eu não sou
Não posso ser plena
Nem incompleta
Jamais suportaria!
Existo no equilíbrio entre o que é e o que não é.
Entre o que pode e o que não pode
Entre o que quero e o que não quero
Entre a afirmação e a negação
Às vezes olho para o meu negativo.
Meu território tão pouco explorado
Apaixono-me por ele
Encanto-me com ele
Reconheço-me nele
Mas não é nesse lugar que vivo.
Ele só me mostra o não
É preciso voltar para o positivo
E se contentar
E aceitar
Porque nem todas as possibilidades são realmente possíveis
Nem tudo é querível
Nem tudo é fazível
A maior parte do todo
A maior parte da vida
Só existe em sua forma negativa
Como numa fotografia
Que por mais que revele um retrato da verdade
Jamais a retrata por completo
Jamais a revela em sua plenitude
Em sua completude
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As Queridonas
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12:17 AM
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
O elevador
ELE sempre gostou dela. ELA nunca ligava para ele. Até aquele dia.
Eles estavam na festa de uma colega em comum. Já era tarde e ela decidiu ir embora. Ele aproveitou o momento e disse que ia embora também - tinha que acordar cedo no dia seguinte. Ela achou um tanto ‘conveniente’ a saída dele, mas não falou nada. Eles, então, se despediram de todos e foram em direção ao elevador.
Já tinham conversado lá dentro do apartamento, no meio dos outros amigos. Ele já sabia que ela não estava mais namorando. Ela já sabia que ele ainda tinha namorada. Ele já sabia que ela estava com uma viagem marcada e emprego novo. Ela já sabia que ele tinha acabado de comprar um carro novo e que os pais estavam na Europa. Eles já sabiam das novidades, então o que falar agora, que estavam a sós ali esperando o bendito elevador?
Trocaram olhares. Nada do elevador. O prédio era alto. Olharam para os lados. Falaram então de um tema universal: o tempo! Ela disse: nossa, esfriou bastante, né?! Ele concordou. O elevador estava quase chegando. Enquanto isso, ele a olhava fixamente e ela estava sem graça. Cadê as palavras quando a gente precisa delas? O elevador chegou – graças a Deus, pensou ela.
Ledo engano. Eles entraram no elevador e ela logo percebeu que o ambiente era menor que o corredor. Óbvio. Na verdade, pequeno e vazio demais para os dois. Ela arrumou o cabelo e ele continuava olhando para ela. Ela abaixou a cabeça, levantou novamente e lá estavam os olhos dele. Decidiu reparar nele também – ia olhar para onde mais?
Observou os jeans, o tênis, a camiseta, a barba por fazer e o relógio dele – bela combinação. Notou o quanto ele era alto, que parecia estar mais forte e que tinha uma boca bonita. Ela de repente ficou ainda mais sem graça. Percebeu que estava começando a imaginar coisas com a boca dele. Agora, eram os olhos dele nela e os olhos dela na boca dele.
Poxa, elevadores costumavam ser tão rápidos ao percorrer 11 andares. Esse não estava normal – parecia que eles estavam ali por uma eternidade. Outra coisa que não estava normal era a tensão entre os dois – era quase palpável nesse momento.
Ela sentiu vontade de ser beijada por ele. Desejou que ele fizesse alguma coisa e rápido. Mas ele continuava só olhando para ela – claro, ele tinha namorada. Ela tentou se controlar. Ficou imóvel e pensou, quase em desespero: ‘então pára de me olhar assim, cara’.
E ele sentiu muita vontade de beija-la. Pela primeira vez notou um interesse da parte dela. Era o momento ideal. Lembrou da namorada. Depois pensou no quanto já tinha desejado uma situação como essa com a menina que estava ali na frente dele. Mas continuou apenas contemplando-a, reparando no vestido verde, nos cabelos levemente ondulados e nos olhos pretos. E imaginando um possível toque. Mas imóvel.
A porta do elevador se abriu. Ufa! Sairam daquele cubículo e foram caminhando em direção a portaria, renovados pelo ar ‘puro'. Mas foi um misto de alívio e decepção. O que não poderia ter acontecido naquele elevador, hein?!
Por fim, eles finalmente se despediram - em vão. Continuaram a andar na mesma direção. Seus carros estavam estacionados lado a lado. Outra coisa ‘conveniente’. Quando foram se despedir de novo, ela deu um beijo no rosto dele. Ele pensou em voz alta (talvez muito alta): vai ser esse o beijo de boa-noite?
Aí não teve jeito. Eles se beijaram. E a culpa? Do bendito elevador.
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As Queridonas
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7:31 PM
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Machu Picchu
Pausa da literatura para compartilhar aquilo que foi quase um parto.
*Quanto a minha mãe? Rá. Ela disse que eu vou longe desse jeito. Realmente - verei o pacífico em Lima!
Rosana – feliz depois de um ‘quase’ parto de decisão.
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As Queridonas
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11:07 PM
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terça-feira, 20 de julho de 2010
a crônica da amiga que não é mais
entrando nesse clima das queridonas, um ótimo dia do amigo para você leitor!
Já foi-se o tempo em que éramos eu e você e elas. Sim, você se foi e nós ficamos. Outro dia nos encontramos no mesmo lugar que íamos tantas vezes. Eu, igual, você, não mais.
Conversamos um pouco, trivialidades da vida. Seu namorado ia bem, ia finalmente se formar. O meu tinha acabado de receber uma promoção, sim, tínhamos finalmente começado a namorar. Eu, normal, você, não mais.
Senti que o peso das suas escolhas estavam nitidamente te atormentando. Lembra quando você nos julgou por seguir nossos sonhos, nossas intuições? Nós, felizes, você, não mais.
Ficamos lá juntas por mais um tempo e você começou a se sentir inferior. Teve que mencionar o quanto você ganhava e onde comprava suas roupas. Eu sorri diplomaticamente. Nem te falei que entrei pro mestrado e faria um mochião por um mês antes do semestre começar. Eu, livre, você, não mais.
Nos despedimos. Uns meses depois sem nenhuma notícia sua, você me convidou impessoalmente por e-mail para uma festa. Eu, confusa, você, demais.
Era uma vez eu e você e elas. Você, eu e elas.
No meio do caminho você se perdeu. Amigos, amigos, negócios a parte. Mas lembre-se, o ditado nunca foi: amigos, use-os e depois descarte!
Steph - com uma pitada de veneno
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As Queridonas
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10:39 PM
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