sexta-feira, 23 de julho de 2010

Fotografia

Não posso jogar tudo pro alto
entrar num conversível
e dirigir em direção à lugar nunhum.
Simplesmente não posso!
 

Não posso controlar meu mundo
Nem meu tudo 
Nem nada 
 

Não posso fazer o que eu quero.
Nem sempre o que eu quero é querível
Muitas vezes não é nem fazível
Quase sempre é impossível
 

Não posso viver como eu gostaria.
Onde eu gostaria
Com quem eu gostaria
Quando eu gostaria


Não sou dona de mim mesma.
Nem das minhas possibilidades
Nem das minhas oportunidades


Não me digam o contrário!
Não me venham com lições baratas!
Não se enganem!


Tenho consciência da minha condição e da minha existência.
Sei quem eu sou e quem eu não sou
Não posso ser plena 
Nem incompleta
Jamais suportaria! 

Existo no equilíbrio entre o que é e o que não é.
Entre o que pode e o que não pode
Entre o que quero e o que não quero 
Entre a afirmação e a negação 

Às vezes olho para o meu negativo.
Meu território tão pouco explorado
Apaixono-me por ele 
Encanto-me com ele
Reconheço-me nele

Mas não é nesse lugar que vivo.
Ele só me mostra o não
É preciso voltar para o positivo
E se contentar
E aceitar

Porque nem todas as possibilidades são realmente possíveis
Nem tudo é querível
Nem tudo é fazível

A maior parte do todo
A maior parte da vida

Só existe em sua forma negativa 

Como numa fotografia
Que por mais que revele um retrato da verdade
Jamais a retrata por completo
Jamais a revela em sua plenitude 
Em sua completude  

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O elevador

ELE sempre gostou dela. ELA nunca ligava para ele. Até aquele dia.

Eles estavam na festa de uma colega em comum. Já era tarde e ela decidiu ir embora. Ele aproveitou o momento e disse que ia embora também - tinha que acordar cedo no dia seguinte. Ela achou um tanto ‘conveniente’ a saída dele, mas não falou nada. Eles, então, se despediram de todos e foram em direção ao elevador.

Já tinham conversado lá dentro do apartamento, no meio dos outros amigos. Ele já sabia que ela não estava mais namorando. Ela já sabia que ele ainda tinha namorada. Ele já sabia que ela estava com uma viagem marcada e emprego novo. Ela já sabia que ele tinha acabado de comprar um carro novo e que os pais estavam na Europa. Eles já sabiam das novidades, então o que falar agora, que estavam a sós ali esperando o bendito elevador?

Trocaram olhares. Nada do elevador. O prédio era alto. Olharam para os lados. Falaram então de um tema universal: o tempo! Ela disse: nossa, esfriou bastante, né?! Ele concordou. O elevador estava quase chegando. Enquanto isso, ele a olhava fixamente e ela estava sem graça. Cadê as palavras quando a gente precisa delas? O elevador chegou – graças a Deus, pensou ela.

Ledo engano. Eles entraram no elevador e ela logo percebeu que o ambiente era menor que o corredor. Óbvio. Na verdade, pequeno e vazio demais para os dois. Ela arrumou o cabelo e ele continuava olhando para ela. Ela abaixou a cabeça, levantou novamente e lá estavam os olhos dele. Decidiu reparar nele também – ia olhar para onde mais?

Observou os jeans, o tênis, a camiseta, a barba por fazer e o relógio dele – bela combinação. Notou o quanto ele era alto, que parecia estar mais forte e que tinha uma boca bonita. Ela de repente ficou ainda mais sem graça. Percebeu que estava começando a imaginar coisas com a boca dele. Agora, eram os olhos dele nela e os olhos dela na boca dele.

Poxa, elevadores costumavam ser tão rápidos ao percorrer 11 andares. Esse não estava normal – parecia que eles estavam ali por uma eternidade. Outra coisa que não estava normal era a tensão entre os dois – era quase palpável nesse momento.

Ela sentiu vontade de ser beijada por ele. Desejou que ele fizesse alguma coisa e rápido. Mas ele continuava só olhando para ela – claro, ele tinha namorada. Ela tentou se controlar. Ficou imóvel e pensou, quase em desespero: ‘então pára de me olhar assim, cara’.

E ele sentiu muita vontade de beija-la. Pela primeira vez notou um interesse da parte dela. Era o momento ideal. Lembrou da namorada. Depois pensou no quanto já tinha desejado uma situação como essa com a menina que estava ali na frente dele. Mas continuou apenas contemplando-a, reparando no vestido verde, nos cabelos levemente ondulados e nos olhos pretos. E imaginando um possível toque. Mas imóvel.

A porta do elevador se abriu. Ufa! Sairam daquele cubículo e foram caminhando em direção a portaria, renovados pelo ar ‘puro'. Mas foi um misto de alívio e decepção. O que não poderia ter acontecido naquele elevador, hein?!

Por fim, eles finalmente se despediram - em vão. Continuaram a andar na mesma direção. Seus carros estavam estacionados lado a lado. Outra coisa ‘conveniente’. Quando foram se despedir de novo, ela deu um beijo no rosto dele. Ele pensou em voz alta (talvez muito alta): vai ser esse o beijo de boa-noite?

Aí não teve jeito. Eles se beijaram. E a culpa? Do bendito elevador.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Machu Picchu

Pausa da literatura para compartilhar aquilo que foi quase um parto.

Olha, se tem um lugar que eu sempre tive vontade de conhecer (e nem sei dizer o porquê) é Machu Picchu. Já olhei tantas fotos, já li e ouvi tantas histórias que até perdi a conta. Sabia de cor qual era a melhor época de ir e até checava os preços de passagens com certa regularidade procurando por uma daquelas super promoções. E não que um dia, eu encontro uma dessas passagens? E o melhor, em um daqueles meses ‘aconselháveis’ e que coincidia com as minhas férias e com as do meu namorado? Per-fei-to!!!

Fiquei muito empolgada. Comecei a pensar nos roteiros da viagem (inclusive criei um para os 9 possíveis dias de viagem), verifiquei preços de hotéis e albergues e na hora H: Eu congelei.

Não conseguia confirmar a compra das passagens. Tanta coisa que eu podia estar fazendo e preparando uma viagem a passeio? Francamente - já até visualizava a minha mãe falando algo do tipo. Mas e se eu morresse e não conhecesse MP? Aí vem um bendito amigo meu e diz que eu devia era ter medo era de viver 10 anos e continuar quebrada sem poder conhecer Paris, Barcelona e Grécia. Realmente, eu devia ter medo disso!

Pausa de uns dias enquanto deixava a ideia de MP amadurecendo. Estava em busca de um motivo auto-convincente. No meio desse turbilhão de pensamentos, e por via das dúvidas, resolvi checar novamente o site da LAN e dar uma olhada nas minhas queridas passagens. PUTZ. Cadê as minhas passagens promocionais? PÂNICO. Foi nesse momento que eu vi o quanto seria bom ir pra MP. O quanto eu queria. (É estranho como ás vezes a gente tem que literalmente perder alguma coisa pra perceber o tanto que ela é importante pra gente). Adeus, Peru! Foi bom enquanto durou.

Meia hora depois, ainda descrente, eu chequei novamente o site. E lá estavam elas! (Sério, acho que o site fez isso de propósito, só pode!). Mas enfim, agora eu não tinha mais dúvidas: dia 21, essa queridona aqui vai para o Peru! Isso, é claro, se nada acontecer até lá...

*Quanto a minha mãe? Rá. Ela disse que eu vou longe desse jeito. Realmente - verei o pacífico em Lima!

Rosana – feliz depois de um ‘quase’ parto de decisão.

terça-feira, 20 de julho de 2010

a crônica da amiga que não é mais

entrando nesse clima das queridonas, um ótimo dia do amigo para você leitor!

Já foi-se o tempo em que éramos eu e você e elas. Sim, você se foi e nós ficamos. Outro dia nos encontramos no mesmo lugar que íamos tantas vezes. Eu, igual, você, não mais.


Conversamos um pouco, trivialidades da vida. Seu namorado ia bem, ia finalmente se formar. O meu tinha acabado de receber uma promoção, sim, tínhamos finalmente começado a namorar. Eu, normal, você, não mais.

Senti que o peso das suas escolhas estavam nitidamente te atormentando. Lembra quando você nos julgou por seguir nossos sonhos, nossas intuições? Nós, felizes, você, não mais.

Ficamos lá juntas por mais um tempo e você começou a se sentir inferior. Teve que mencionar o quanto você ganhava e onde comprava suas roupas. Eu sorri diplomaticamente. Nem te falei que entrei pro mestrado e faria um mochião por um mês antes do semestre começar. Eu, livre, você, não mais.

Nos despedimos. Uns meses depois sem nenhuma notícia sua, você me convidou impessoalmente por e-mail para uma festa. Eu, confusa, você, demais.

Era uma vez eu e você e elas. Você, eu e elas.

No meio do caminho você se perdeu. Amigos, amigos, negócios a parte. Mas lembre-se, o ditado nunca foi: amigos, use-os e depois descarte!

Steph - com uma pitada de veneno

Oooops! Cadê?

Era uma vez uma pessoa muito especial.

Eu gostava dela e ela de mim.
Eu importava para ela e ela para mim. 

A gente ria juntos(as), se divertia juntos(as), vivia juntos(as).
A gente se falava, se escutava, se aconselhava, se amparava, se incentivava se completava. 

Mas aí...
De uma hora pra outra...  
Pufffff!
Essa pessoa sumiu!
Sumiu assim: sem mais nem menos. 

Não sei cadê e muito menos porquê.
Só sei que não tá mais aqui.
Que muito provavelmente  nunca nem esteve aqui.

Na verdade, eu sei cadê, sim.
Está fazendo teatro pelos palcos da vida alheia.

Mas isso eu não quero não.
Falsidade e fingimento...Credo! Sai de perto!

Agora que a mágica e o encantamento se foram, só o que quero de você é distância.
Quero respeito!
Sai para lá! Me larga!
Não quero mais saber de você!
E sabe por quê?  

Porque quero pessoas novas! 
Pessoas que valham a pena!
Que me acrescentem algo, que me amem, que sejam verdadeiras, que sejam defeituosas e perfeitas na medida certa para mim.

Para você que já vai tarde, ex-especial, meu adeus. Seja feliz bem longe de mim!
À você que vem chegando, novo especial, seja muito bem-vindo. Meu coração está completamente aberto para você porque sei que seremos grandes amigos.

Lara - desapegando e se apegando constantemente 


  

na academia

eu a vi, seu amigo disse para você depois da malhação.
e você  respondeu: tô nem aí! sem tirar os olhos da televisão.

e quem acreditou?
é, cupido, nessa você falhou!

seu amigo estranhando seu comportamento
ficou mais atento
será que eu estava em alguma parte do seu pensamento?
ou talvez nem fosse o caso, pois a vida afinal é feita de mais de um acontecimento
possivelmente algum problema técnico com seu equipamento?

e você, com seus olhos vidrados na televisão
ficaram na exata mesma posição
é amigo, você é mesmo um bobalhão!

steph - rindo

sábado, 17 de julho de 2010

não sou seu príncipe encantado!

Não sou seu príncipe encantado!
você me disse outro dia com um tom meio irritado.
Pare de me chamar, de me ligar, de se importar
Pois amor, isso eu nunca vou ser capaz de lhe dar.
Fiquei um tanto surpresa
e as palavras que você falou não estavam com muita clareza
Você estava bêbado, disso eu tenho certeza!
Mas você ainda tinha muito o que dizer
e eu ficando nervosa, olhando pro relógio, o que será que iria acontecer?
Você percebeu minha inquietude
e falou que era esse o problema com a juventude!
Falei que se tivesse algo pra falar, que dissesse logo
se não ficaria que nem Hamlet, palavras vazias ao meio de um grande monólogo
Foi então que você entrou no assunto sério
não gostava de mim e isso não era nenhum mistério
foi inclusive por isso que não me chamou para festa junina do ministério
Fiquei sem palavras ao perceber que era isso que você tinha que me falar
mas era o que me faltava, vou te contar!
Falei que gostava de você sim, mas não era para tanto, vamos combinar!
Achei graça que você se achava tanto
Aliás, um alívio, quebrou-se o encanto!
Sou chata e persistente
mas graças a mim estás mais contente
Não foi pelas aulas de inglês que subistes na carreira?
Ok, talvez não seja para tanto, estou de brincadeira!
Mas quero que se lembre que amiga como eu, só existe uma
E amante tão boa, rapaz, acho que nenhuma!
Não sou seu príncipe encantado, você repetiu mais uma vez já num tom mais doce.
E eu ri.
Nunca achei que fosse.

Steph - brincando de fazer de conta