terça-feira, 13 de julho de 2010
Onde nascem os textos
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As Queridonas
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domingo, 11 de julho de 2010
a crônica da loira
Fato é, estou sempre usando minha vida para literatura. E como não usar? Não digo de maneira alguma que minha vida é tão interessante ao ponto de que todos deviam ter uma vida como a minha. Pelo contrário, muito pelo contrário. Acredito, no entanto, que certas coisas, que aparentemente só conseguem acontecer comigo, deviam ser aproveitadas para pelo menos entreterem o meu tão pequeno círculo de leitores. Logo eu que adoro uma boa piada.
Foi assim que mais um desses tão inusitados casos do destino aconteceram. Estávamos eu e você conversando debaixo do seu bloco outro dia. Você tinha acabado de chegar do trabalho e eu estava indo para o meu carro, que, como de praxe, estava estacionado na sua quadra. (E aqui eu tomo a liberdade de me perguntar: Por que logo hoje, que eu não tinha tomado um banho o dia todo depois de um dia cheio fora de casa você decidiu falar comigo? Bom mesmo é que se eu tivesse arrumada e perfumada, não olharia duas vezes em minha direção, não é mesmo?)
Você me perguntando sobre o meu dia e eu sem a mínima vontade de conversar sobre aquilo. Já tinha se passado tanto tempo que a gente não se falava que eu nem me lembrava mais de como agir perto de você. Para falar verdade, não me lembrava mais de quase nada. Quando que você começou a deixar esse seu cabelo crescer? Quando que você deixou que suas olheiras dominassem a melhor parte do seu rosto? Quando que você começou a sorrir desse jeito pra mim? Vem cá, quando é que você se importava com o meu dia?
E você me fazendo perguntas e eu nem lembro mais se consegui respondê-las. Foi entre você me explicando que tinha mudado de emprego e eu me chutando mentalmente por não ter me perfumado que veio um carro vermelho parar bem perto da gente. Você nem percebeu, foi um alívio. Como era bom saber que você era distraído para tudo na vida e não só com o meu coração! O motorista do carro ficou nos olhando - não resisti e tive que olhar. Era uma loira. De imediato meus olhos escureceram e eu perdi a pouca paciência que eu já não tinha nesse dia e pensei: como isso é possível!? Dei uma risada.
Você não entendeu e continuou me contando sobre o certificado que tinha acabado de tirar. Ouvindo você falar tudo isso comecei a te invejar. Por que eu não escolhi uma carreira que me desse tanto retorno quanto a sua escolha profissional? Por que tudo era tão fácil para você enquanto eu sempre tive que dar dois passos a mais? Balançava minha cabeça como quem entendia tudo que você falava. (Sei que você já me explicou mais de três vezes, mas acredite, até hoje não sei dizer ou explicar o que você faz!)
Ela desligou o carro e chamou o seu nome. Suei frio e engoli o sorriso. Você virou a cabeça, olhou para ela e sorriu, mas não era qualquer sorriso. Era um sorriso normal, os especiais você reservava pra mim. Fiquei atenta para a troca de palavras, nada de muito interessante. Daria meu único rim para tirar a oleosidade do meu cabelo que estava evidente nesse momento. Ela saiu do carro e você se aproximou dela. Hora da morte. Estava tudo acabado.
E foi aí que você a apresentou pra mim. E eu não me contive, dei a risada mais gostosa que consegui soltar. É, de vez em quando a vida me dá umas boas surpresas.
O inimigo era a namorada do seu melhor amigo.
Steph - lidando com a realidade e a ficção
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Mudanças
A aula acabou. Agora era o momento de relaxar com o pessoal das Humanas. Introdução a Filosofia e discussões sem fim que certamente favoreciam a interação entre as pessoas. Era o momento de colocar os assuntos em dia. Falar do futebol, da festa da Elétrica no próximo final de semana, do trabalho que tem que ser entregue na segunda. Uma hora se passou e a chamada então começou a circular. Ele assinou, despediu-se dos amigos e foi se encontrar com a namorada no lugar de sempre – o ponto entre o departamento de Letras e o de Ciência da Computação. A caminho daquele tão conhecido banco, onde o almoço das terças e quintas era decidido, recebeu uma ligação. Era da sua casa. A moça que trabalhava na casa dele provavelmente queria saber algo sobre onde guardar uma roupa ou se ele ia jantar em casa. ‘De novo’ – pensou ele. Atendeu e de repente o seu mundo parou. As equações ordinárias, a festa da elétrica, as opções de almoço para quinta-feira: nada importava mais. Não é que essa história de que em um minuto toda a sua vida poderia mudar era verdade?
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sábado, 10 de julho de 2010
o porque dos por quês
hoje, uma crônica não tão literária
por que eu gosto de você? por que eu escrevo tanto sobre você, publico, anuncio em todos os lugares da internet, mas na hora H não consigo dizer que gosto de você? por que diabos eu ainda tenho essa atração por você se nem vocação pra príncipe encantado você tem? Quem nunca se fez essa pergunta, que atire a primeira pedra! Eu me vejo fazendo essa pergunta várias vezes no decorrer do mesmo dia! Mas não é só em relação a meu gosto peculiar por homens extremamente complicados e enrolados que eu me pergunto o por quê.
por que eu não falei aquilo quando eu tive a oportunidade? ai, já tinha tudo tão planejado na minha mente!
por que eu não estudei um pouquinho mais pra essa prova? caiu tanta coisa que eu sabia!
por que eu não fiz aquela dieta? agora, como vou usar o bikini na frente de todos?
por que eu recusei aquele emprego mesmo? não era a hora certa?
por que eu não atendi o telefone? por que eu não mandei aquele e-mail? por que? por que? por que?
Conheço tanta gente boa que se deixa levar pelos por quês que fico até arrepiada. Eu mesmo estaria mentindo se me excluisse dessa lista. Esses por quês são uns danadinhos mesmo, hein? Entram em nossas vidas e não nos acrescentam em nada, entram sem pedir licença e não tem hora marcada pra sair. Entram e saem com suas agendas secretas. Resposta concreta nao sou capaz de dar, mas gosto de pensar que eles entram para nos ensinar e fazer com que a gente fique mais esperto, mais atento, com nosso sistema imune mais forte e resistente a eles. A cada por que novo estaremos um pouquinho mais fortes para lidar com a situação e talvez não cair tão profundamente no desespero, nem que seja pelo menos um tiquinho de nada. Verdade seja dita: ninguém sabe porque!
Sei que é uma tarefa complicada, mas não é bem melhor um dia pelo menos conseguir dizer tudo aquilo que você gostaria de falar na hora certa e não duas horas depois? voltar para casa com um sorriso na cara porque foi capaz de dizer um "eu gosto de você" ou um "não quero só ser sua amiga, quero deitar nesse seu sofá e não ter hora para voltar pra casa." É bem melhor, não é mesmo?
Mas a pergunta não se cala: por que meu Deus? por que eu?
Acredito que até Ele soltaria um: porque eu não sei como resposta.
Steph
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
a crônica do menos
Se eu reclamasse mais, poderia correr o risco de perder todos meus amigos.
Se eu adiasse mais, bom, acho isso impossível.
E se eu estudasse mais?
E se eu me aplicasse mais?
E se eu não engordasse mais?
Como seria bom se para a Europa eu fosse mais!
Se eu pudesse ficar o dia todo na frente da televisão assistindo a todos os canais!
Se o tempo me desse horas no meu dia a mais!
Se eu conseguisse domar minha ansiedade e produzir mais.
Queria eu ser mais.
Eu sou mais.
Se eu acreditasse mais.
Se a fé eu tivesse mais.
Se a esperança em algo melhor eu não perdesse mais!
Se eu me valorizasse mais, me cuidasse mais, me amasse mais.
Queria me expressar mais, dizer mais, e sempre, beijar mais.
Se eu desse conta de me organizar e não me sobrecarregar mais - seria bom, aliás,
seria perfeito se eu das minhas olheiras me livrasse e nunca as visse mais!
Daria eu conta de enlouquecer e daqui fugir e nunca voltar atrás?
Tenho que admitir, lutar e correr atrás dos sonhos, tô achando difícil demais.
Se eu comesse salada mais e malhasse mais - acho que isso, jamais!
Se eu me perdoasse mais, seria capaz de não ter culpa mais?
Devia rir mais, sair mais, me distrair mais, não ter que pensar mais!
Sou só eu, ou alguém mais?
Ninguém mais quer ser algo mais?
Ah, se você pensasse mais, lesse mais, me olhasse mais, entenderia.
Se nos falássemos mais, convivêssemos mais, tenho certeza que também sentiria.
Se eu te chamasse mais, você iria?
Ainda me procuraria?
Ainda me enlouqueceria?
Será que eu de você ainda gostaria?
Tenho tanto pra te contar, quem sabe, talvez, pode ser que algum dia!
Já pensou se você agisse mais?
Eu escreveria menos.
Com certeza pensaria em você menos,
e mais feliz eu seria
ainda bem que isso, pelo menos!
Steph
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domingo, 4 de julho de 2010
Encontros e (des)encontros
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11:52 PM
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coisa de novela
tô nem aí se é brega!
segue mais uma crônica!
Hoje encontrei com uma amiga minha e contei tudo pra ela. Tudo mesmo. É possível sentir saudades das coisas que você ainda não viveu? Pois é, hoje a noite, senti. E muita. Conversamos até eu me gripar. O frio e meu cabelo molhado do banho que tinha acabado de tomar não combinaram muito bem. A batata frita no meu prato já estava fria, mas não importava, eu continuava contando tudo pra ela. Tudo mesmo. Ela me ouviu, ouviu, ouviu. E entendeu. As poucas batatas fritas que restavam no meu prato continuavam esfriando.
Depois de escutar o drama todo, foi a vez dela falar. Mil e um conselhos. Muitos risos da minha parte - como que ela me sugeria uma coisa dessas? Nem com muita tequila isso seria possível! Ou seria? Não, acho que não. Mais risos. Estava muito frio e meu cabelo ainda estava bem molhado. Dei o primeiro espirro de vários. Finalmente consegui terminar de comer as batatas fritas frias. O que a minha amiga falava, fazia muito sentido, lógico que fazia, ela já tinha passado por tudo isso. Falar é muito fácil, não é mesmo? Continuamos conversando por mais uma hora e pouco. Estava muito frio.
Ao pagar a conta fomos pro meu carro para ela buscar o seu presente. Ela estava me abandonando. Estava indo pra Itália com seu namorado para morar indefinidamente pela Europa e eu iria ficar. Por que eu sempre fico? Queria ter essa coragem. Queria ter esse tipo de namoro. Queria mesmo era ir pra Europa! Conversamos mais um pouco, mas minha crise de espirros a assustou. Nos despedimos. Queria tanto ter um rumo - é pedir demais?
Liguei o carro, mas não estava pronta para ir pra casa. Sexta feira a noite e ninguém na rua. Todos de luto pelo Brasil. Me encontrei na sua quadra, no seu bloco, na sua portaria. A luz do seu apartamento estava acesa, decidi arriscar. Interfonei e você atendeu. Não estava nervosa, estava decidida. Com o seu violão em mãos, entrei no seu apartamento. Você sorrindo pra mim daquele jeito, e ainda tem gente que diz que a vida não tem poesia. Você claramente não entendeu o que eu estava fazendo lá e foi aí que eu perguntei:
"Por que você me procura?"
"Te procuro?"
"É. Por que você me liga, conversa comigo, me chama pra sair se no final das contas não quer nada sério comigo? Por que você me procura?"
Por essa você não esperava, hein. Te peguei e você estava sem saída. Tinha que responder. Você estava na minha frente e não podia mudar o status para ausente, e nem sair sem se despedir e nem me bloquear. Tinha que responder.
"Por que você acha que eu te procuro?"
"Não vale responder com pergunta. Eu perguntei primeiro."
Mais um momento de silêncio.
"Te procuro por que você está sempre por perto."
Não gostei da resposta. Não era o suficiente. Entreguei o violão de volta, e inventei uma desculpa para ir embora. Foi aí que ao você me abraçar para se despedir de mim, finalmente te dei aquele beijo que eu tanto esperava. Foi com tanto gosto, com tanta vontade, que quando eu lembro desse momento parece que ele nem aconteceu. Ele foi épico e decepcionante. Você o retribuiu com mais vontade do que eu esperava. Sorri internamente. Eu tinha vencido, agora eu era o herói, como diria Chico Buarque.
Eu interrompi o beijo e fechei a porta sem olhar pra trás. Não queria estragar o momento. Nem se eu tivesse planejado teria sido tão perfeito. E ao descer as escadas do segundo andar até o térreo sentia que você me olhava da sua janela. Você não sabe explicar até hoje, mas você, por alguma razão, desceu também as escadas e me seguiu. Ao abrir meu carro, você estava do meu lado e com a respiração um pouco ofegante falou:
"Eu te procuro por que gosto demais de você."
E você me beijou.
Steph - precisa nem falar, né?
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12:38 PM
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