segunda-feira, 31 de maio de 2010

As good as it gets

Eu devia ter uns 12 anos a primeira vez que eu assisti Melhor É Impossível. Achei o filme um saco. Chato, sem graça, entediante. Detestei. Senti que tinha desperdiçado mais de duas horas da minha vida com uma porcaria. Foi o começo de uma relação turbulenta.

Fiquei com raiva da Helen Hunt ter feito o filme. Como a Jo de Twister, uma mulher tão interessante, podia ter aceitado fazer uma garçonete chata naquele filme? O mesmo sentimento de raiva se transferiu para Cuba Gooding Jr. Como um elenco tão bom tinha se reunido para fazer aquilo? A única coisa que salvava era mesmo o cachorrinho. Verdell seria charmoso em qualquer circunstância, não é mesmo?

Eu tentei ver o filme mais de uma vez, mas simplesmente não consegui gostar dele. Sempre acabava mudando de canal e achando alguma coisa melhor para assistir. Até Polishop ficava mais interessante perto de Melhor É Impossível, que era um título ironicamente bem nada a ver com a minha opinião sobre o filme.

Mas o tempo passou, eu cresci, eu mudei, eu vivi. E se tem uma coisa que eu aprendi é que o tempo faz a gente ver as coisas de maneira diferente. Não é que as coisas mudam. A gente muda. Eu não sou mais a mesma pessoa que assistiu esse filme em 97. Sou outra completamente diferente.

Aí, ontem resolvi dar uma última chance ao filme. Resultado: amei! E como não amar? Como não gostar de Jack Nicholson no papel de Melvin? Como não gostar de Helen Hunt e sua garçonete? Como não se apaixonar pelo cachorro que passa a pular a divisória da calçada? A história do filme é linda e é contada de uma maneira bem real, quase poética. E o título, então? Te dá a ideia de que o filme falará de algo muito bom, melhor impossível. Mas isso é um problema da lacuna da tradução. As Good as it Gets não é sobre coisas que não podem melhorar; é sobre coisas que atingiram o máximo de sua potencialidade. O título original não carrega em si o otimismo que o traduzido carrega porque o filme não é otimista, não é clichê. Conseguem ver a diferença? É sutil, mas está aí...

Então, percebo que o problema todo é que há 12 anos, eu não estava preparada pra absorver a beleza toda da coisa. Eu ainda achava que Twister era o melhor filme da história e que literatura de boa qualidade era revistinha. Eu ainda entendia pouco da vida. Conhecia pouco do mundo. Conhecia pouco de mim mesma.

E quantas vezes isso já me aconteceu? Quantas vezes me foi dada a oportunidade de mudar de opinião assim? Adoro isso! Gosto de lembrar da ansiedade que sentia quando minhas revistinhas da Turma da Mônica chegavam e dos minutos (porque não dava nem uma hora, ?) que eu passava me divertindo lendo aquilo. Sinto saudade da minha infância. É o mesmo sentimento que sinto ao assistir filmes da Disney. Também adoro reler o Pequeno Príncipe e ver o que vou sentir de diferente. Porque esse livro nunca foi para criança, ? Ele foi escrito para você ler de vez em quando e ver a vida de maneira diferente, enxergar o que mudou desde a última vez que você o leu. Olho para trás e sinto raiva dos professores que me obrigaram a ler clássicos  quando eu ainda não estava preparada para apreciá-los e acabaram me fazendo detestar muitos deles. Mas ao mesmo tempo agradeço a eles por terem me mandado ler clássicos. Melhor do que ler porcaria!

A verdade é que é uma delícia ver que o tempo, que as coisas que vivi, que as cicatrizes que ganhei me fazem mudar. Mudam minha maneira de ver as coisas, de pensar. E isso acontece diariamente. Por mais que às vezes eu sinta que vivo o mesmo dia várias vezes, isso não é verdade. Todo dia acordo uma pessoa diferente porque vivi o dia anterior. E me pego imaginando como será que vou ver o meu hoje daqui muitos e muitos anos. Não posso ter certeza de nada, mas sei que vou olhar para esse tempo e sentir saudade. Vou relembrar o que estou vivendo e vou ficar feliz por ter passado por tudo que estou passando, por estar vivendo. Bom ou ruim, tudo faz a diferença. Tudo me molda. Tudo me faz ser a pessoa que sou e hoje estou construindo quem eu vou ser amanhã, não é mesmo?

Então, proponho que revisitemos nossas antigas opiniões regularmente. Vamos rever os filmes que não gostamos e ver se ainda vamos achá-los ruins ou se vamos gostar deles dessa vez. Vamos reler livros porque cada vez que relemos alguma coisa, lemos algo diferente. Vamos viver o presente tendo em mente que amanhã ele terá outra cara. Vamos aproveitar as chances que a vida nos dá de percebermos o quando andamos, o quando mudamos, o quanto crescemos. Que tal? Porque this is as good as it gets.


Lara - brincando de máquina do tempo


PS: para quem ficou curioso ou quer matar a saudade...

sábado, 29 de maio de 2010

Shortinho Amarelo

Bom, hoje decidi escrever, em vez de um post, um conto.

Espero que gostem!


Inicio minha história, então, com um homem que chamaremos de Paulo Inácio (mas, para todos que me conhecem, sabem exatamente de quem estou falando!) Paulo Inácio não era nada meu, na verdade, nunca tinha sido nada meu além de amigo. E digamos que nem podíamos o classificar como um bom amigo, era na verdade um "amigo-cido". (Uma mistura ambígua entre "amigo" e "conhecido".) Nosso relacionamento, a meu ver, estava justamente aí, nesse limbo amigável. Já para Paulo Inácio, nós éramos grandes amigos, coisa que eu nunca entendi, porque por mais que ele afirmasse eu ser uma de suas grandes amigas, nunca sabia devidamente mostrar.

Sim, eu era apaixonadamente apaixonada por Paulo Inácio. Nos nossos raros momentos de intimidade (aqueles em que o universo nos concedia alguns dignos momentos a sós) eu o chamava de Shortinho Amarelo. Ok, explicarei.

Na primeira vez em que o vi, Paulo usava um short todo amarelo. Não, não era parcialmente amarelo, mas to-do amarelo. Para completar o seu look solar, também usava uma blusa amarela. Foi então que tivemos nosso primeiro contato. Estávamos em uma de nossas primeiras aulas de cálculo 3 e ele se sentou do meu lado, lá no fundão onde eu sempre sentava.

Nos primeiros momentos da aula não falamos nada um para o outro. O professor, no entanto, nos surpreendeu com uma prova surpresa e foi aí que fomos forçados a interagir. Claro que Paulo não tinha uma caneta, afinal de contas, quem escreve algo em uma aula de cálculo, não é mesmo?

"Pode me emprestar uma caneta, por favor? Esqueci de trazer uma."

"Tem preferência de cor? Tenho uma azul e uma preta."

Ele estava muito amarelo, eu não conseguia parar de imaginar mil situações que o levassem a escolher, entre todas as roupas de seu armário, essa combinação específica.

"Tanto faz. A que você não for usar."

Não resisti. " Você saberia dizer a diferença entre uma caneta azul e uma preta?"

Comecei a rir sozinha, me achando a rainha da piada.

"Uh, sim? Por que?"

Senti um súbito arrependimento. Talvez minha alusão a ele ser daltônico não tivesse sido tão engraçado quanto eu pensava. Droga, pensei. Para tentar remediar a situação logo fiz uma outra pergunta.

"Você é sempre tão monocromático?"

E ele me olhou por um bom tempo, o suficiente para eu querer morrer de vergonha e me enterrar na cadeira do anfiteatro, e abriu o maior sorriso e deu uma gargalhada genuína. Falou: " E se eu fosse de fato daltônico, hein?" E foi aí, nesse exato momento, em que me apaixonei por Paulo Inácio e o entreguei simultaneamente minha caneta preta e meu coração.

Bom, foi assim que o apelido começou. O interessante é que eu acabei de contar como nos conhecemos, mas a história que narro é sobre como nossa amizade acabou.

Um belo dia, após meses sem nos falar (tal era a constância do nosso relacionamento) nós nos esbarramos no parque. (Ele corria e eu passeava enquanto bebia uma água de coco) Conversamos por muito tempo e, inesperadamente, inacreditavelmente, ele me chamou para sair. Mais especificamente, para ir ao cinema. (Vale a pena informar ao leitor que Paulo Inácio odiava cinema, pois isso envolvia a leitura de legendas- complexo de mais para certos engenheiros) Concordei na hora antes que ele tivesse a chance de mudar de idéia. Marcamos o cinema para aquela noite e ele me buscaria em casa já que éramos praticamente vizinhos.

Quinze minutos depois do horário marcado, nada de Paulo Inácio me ligar. Antes de sentir muita raiva, fiquei preocupada, pois ele era doentemente pontual. Mais quinze minutos se passaram e nada de meu celular tocar. Contemplei ligar para ele, mas resisti fortemente! Mais quinze minutos. Mais quinze minutos. Mais meia hora. Mais meia hora. Decidi ligar. O celular pareceu tocar por um infinito, e nada dele me atender. Entrei na internet para ver se estava on-line (as pessoas podem esquecer, não é mesmo de cinemas marcados apensas quatro horas antes) e nada de Paulo Inácio.

Foi aí que eu entrei em sua página de recados, sim, sofro do mal de seguir a vida alheia, e vi que havia vários de seus amigos o convidando para o churrasco da engenharia civil que seria naquela noite. Tudo se encaixou. Ele tinha se esquecido do churrasco, me chamou para o cinema, mas quando voltou para casa se lembrou do churrasco e esqueceu do cinema.

No churrasco, Paulo Inácio tinha sido a sensação do momento. Várias meninas tinham ido começar uma conversa com ele (claro que nenhuma o insultaria de daltônico sem antes o conhecer, mas fazer o quê?). Nenhuma delas o chamou a atenção, a não ser uma loira que estava na pista de dança desde o início do churrasco. Bruna, a caloura do semestre. Paulo Inácio, que não manjava a dança, foi se arriscar na pista e logo chamou a atenção de Bruna. (Óbvio!) Passaram o resto do churrasco "conversando" e "se conhecendo melhor".

Quando deu pra lá de duas da manhã, decidiram que estava na hora de ir embora. Paulo Inácio, sendo o eterno cavalheiro, se ofereceu para levá-la para casa. Ela no inicio recusou a oferta, pois morava longe e no dia seguinte tinha uma aula bem cedo. Não sei bem o que aconteceu, só sei que não muito tempo depois os dois estavam entrando pela porta da frente do apartamento do rapaz. (Sim, além de tudo, Paulo morava com um amigo que nunca estava em casa nos finais de semana).

No dia seguinte, eu, já no auge da minha neurose, decidi ligar mais uma vez para ver se tudo estava bem com ele. (Nunca se sabe, talvez ele realmente enfartou no banheiro e ninguém conseguiu o socorrer a tempo e por isso não tinha me ligado!) Liguei e ninguém atendeu. Foi aí que tudo se encaixou novamente.

Paulo Inácio e Bruna tinham passado a noite se divertindo um com o outro e agora dormiam juntos. Ele estava tão exausto de tanta diversão que não tinha forças para atender o meu telefonema. Deve ter visto o meu nome na tela do celular e pensado: "Ah, depois eu ligo. Não deve ser nada importante." Ou até talvez tenha pensado em atender, mas Bruna acordou e começou a beijá-lo e aí, bom, você já sabe o resto.

Lá pelas tantas, a amiga de Bruna passou na casa de Paulo Inácio para buscar a amiga. Mais uma vez, Paulo, sempre um encantador, a chamou para subir. Papo vem, papo vai, os três se viram divertindo no meu sofá. (Bom, não exatamente no meu sofá de casa, mas na casa de Paulo Inácio tinha um sofá verde que era tão confortável que toda vez que eu ia lá eu sentava nele e ficava horas lá ao ponto de Paulo o batizar como meu sofá)

Bom, fato é que não sei se tudo isso que contei é verdadeiro. Não sei se de fato ele foi ao churrasco, se enfartou no piso do banheiro ou se esqueceu de verdade do cinema. Sei que depois disso nunca mais ele deu sinal de vida. Eu sei que acreditei tanto nessa história que inventei que passei a tomá-la como verdadeira, como se tivesse acontecido na vida real.

Uns meses depois disso ter acontecido, encontrei com o irmão de Paulo Inácio na padaria da esquina. Tivemos a seguinte conversa:

"Mas você e o Paulo, hein? Nunca vão se resolver não?

"Do que você está falando?

"Oras, vocês não tinham marcado um cinema uns meses atrás? Ele finalmente teve a coragem de te chamar pra sair e você não atendeu o celular a noite toda!"

Fiquei sem saber o que responder. Sabotei minha chance com Paulo Inácio porque achei que ele não estava falando sério quando tinha me chamado para sair, e me vinguei dele sem antes lhe dar a uma devida chance. Sim, quem tinha ido para o churrasco e conhecido alguém, Bruno, no caso, tinha infelizmente sido eu.

Steph - com aspirações a Pulitzer

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Silêncio dos não tão inocentes


Eu sempre falei mais que a boca, mais que o homem das cobras, pelos cotovelos. Escolha a expressão que quiser. O fato é que eu sempre falei muito. Tipo o burrinho do Shrek, sabe? A pressa de me comunicar foi tanta que só aguentei esperar 8 meses depois de nascida para falar as primeiras palavras. Não lembro como foi, mas pelo o que conheço de mim, posso garantir que foram 8 meses de muita angústia.

Depois que eu dominei a língua, não parei mais. Sempre gostei de falar em público, de me voluntariar para dar minha opinião na aula, de me manifestar, de dizer para todo mundo o que eu penso sobre as coisas.  Acho que foi por isso que virei professora. Porque aí tudo que eu falo passou a importar, né? Não tem jeito. Os alunos têm que me ouvir.

Mas de um tempo para cá, percebi que isso mudou. Já não sinto tanta vontade de falar, muito menos necessidade. Fui aprendendo que às vezes ganho mais ouvindo e fui vendo que consigo ser mais produtiva pensando, sem balbuciar uma palavra sequer. Aos poucos fui conseguindo me calar.

Sim, ainda falo bastante, mas agora sou mais cuidadosa, sou mais seleta. Escolho o que vou falar e para quem. Penso muito antes. Gente que antes escutava tudo que eu tinha para falar hoje só recebe de mim o estritamente necessário. Nada além disso.

O que aconteceu no meio do caminho? Percebi o valor do silêncio. Percebi que as palavras são muito pequenas às vezes. Que elas não são suficientes para explicar  que se passa na minha cabeça. Que quem me conhece não precisa delas para saber o que está acontecendo comigo. Aprendi que meu olhar, meu rosto, meu corpo todo fala. E que esse tipo de comunicação é muito mais eficiente, muito mais profundo.

Aprendi também que às vezes falar cansa. Por vários motivos. Porque quem deveria me ouvir parece ser surdo, porque os outros não me entendem, porque me desgasta ter que explicar o que para mim é óbvio, porque não leva a lugar algum, porque tem quem não mereça esse esforço.

No Ensino Médio, eu tive um professor que sempre falava que nunca deveríamos discutir com ignorantes. Ná época eu achava engraçada essa fala. Ria dela e adora usá-la como desculpa para evitar alguém. Mas hoje, mais de 6 anos depois, entendo o que ele queria que aprendessemos. Sua lição era muito grande para mim antes, mas hoje faz total sentido. Não vejo mais propósito em disperdiçar meu tempo, minhas palavras, minhas ideias com aqueles que não são dignos disso. Pode parecer pretensão minha, mas não é. Pra que ficar convencendo uma pessoa que acredita em A que B é a melhor opção? Cada cabeça uma sentença. Cada um sabe o que pensa e não cabe a mim mudar isso. Cada um precisa aprender suas lições e pretensão seria se eu tentasse acelerar esse processo.

Moral da história: descobri que gosto do silêncio, gosto de ficar reclusa no meu próprio mundo onde falar é subestimado. E gostaria incluse que pudessem ler meus pensamentos de vez enquando. Com certeza me pouparia muito trabalho! Com o passar dos anos fui enxergando as coisas de maneira diferente e fui me calando. É o meu curso natural e não há nada de errado com isso. Meu silêncio é uma opção da qual me orgulho muito. Se não falo é porque não quero, porque não preciso, porque não sinto vontade. Se precisar, na hora certa vou falar. Ou muito provavelmente vou escrever. Porque a escrita é mais eficaz. Ela vai mais longe. Ela dura mais. Sua beleza, sua sinceridade e sua simplicidade me encantam muito muito muito mais. E é justamente por isso que ela me serve bem mais que a fala.

Lara - de boca e cotovelos fechados.

terça-feira, 25 de maio de 2010

não é meu número

Quem já ouviu essa expressão?

O melhor de dar aula são as coisas que aprendemos com nossos alunos! Outro dia, dando aula pra uma aluna, ela me falou que o Justin Bieber não era o número dela! Me senti meio, digamos, velha por não entender nada da frase!
A primeira pergunta: QUEM será Justin Bieber? e segundo: Número? Número de que?
Pois é, aprendi que estou bem por fora, MESMO!

Depois de decifrar a incognita JB (e ouvir vááárias músicas dele!) ela me explicou a expressão - "não é meu número". Comecei então a refletir sobre a vida e tudo que não me "servia" mais, pois não era mais meu número, ou talvez, nunca tenha sido meu número (mas sabe, sempre temos por perto por que nunca se sabe quando nos pode servir!)

O que de fato é meu número? (Justin Bieber definitivamente não é!)Às vezes eu acho que nada que seja meu número foi de fato escolhido por mim, foram sempre escolhas que foram feitas e eu simplesmente as aceitei. Como que eu sei que eu gosto de suco de morango com banana? Desde que eu me lembre, meu pai sempre falou: "A minha filha AMA suco de morango com banana!" Mas se eu não fosse filha dele, e um dia estivesse na casa de um amigo e me oferecessem esse suco, será que eu tomaria? Será que eu amaria essa mistureba tanto quanto meu pai fala que eu amo? Eu de fato, estou sempre tomando esse suco, mas será que foi eu que um dia falei pro meu pai misturar essas duas frutas e fazer um suco? Quem é que decide?

Gosto complicado mesmo de entender são os gostos que temos para pessoas. Por que assim, na teoria qualquer pessoa pode descrever a pessoa ideal pra ela. Na prática, quantas pessoas de fato já namoraram ou tiveram algo sério com alguém que ela achasse ideal? Parece que é regra estar com alguém exatamente o oposto! Tenho uma amiga que adora os homens baixinhos e carecas e ela nunca nem sequer beijou um homem com esse fenótipo! Bom mesmo são aquelas pessoas que insultamos, xingados, nos dão a maaaioor raiva, defamamos pela escrita, mas no fundo, morremos de amor! Como explicar?

Eu acho que o que acontece é que eu nao estou pronta ou madura o suficiente para ter um número definido. Estou na fase do "in between", digamos assim! Claro, afirmo com convicção que o Justin Bieber não é (e nunca será!) meu número, ao contrário do John Mayer que nasceu sendo meu número (e estou só no aguardo dele perceber isso para nos casarmos e vivermos felizes pra sempre!) mas na maioria das vezes, não faço idéia do que eu quero, do que eu gosto, de quem eu sou! Espero que isso seja só uma fase (como todos dizem que é), mas acho que às vezes nós nunca encontramos nosso número exato, por que sempre procuramos algo mais, e, convenhamos, nunca estaremos completamente satisfeitos.

Steph - em busca de um número mais próximo ao ideal

Com que roupa eu vou?

Todo dia você sai de casa arrumada - ou pelo menos de um jeito decente! Mas não, no dia que você PRECISA estar apresentável (seja porque você tem que ir a um lugar inesperado ou porque acaba encontrando Aquela pessoa ou porque surge uma oportunidade relacionada ao campo profissional ou acontece qualquer outra coisa significativa), é justamente nesse dia que você está mais baranga. Agora eu me pergunto: POR QUE?

Um sábado desses, como de costume, eu fui dar aula pela manhã. Sendo um sábado e eu tendo acordado às 7 horas para trabalhar, minha opção de roupa foi bem, digamos, “confortável”. Dei aula até as 12 horas e eis que minha mãe me liga falando que não ia fazer almoço em casa e que estava na casa da minha tia e que eu tinha que passar lá. Ok, nada demais. O que a minha mãe se esqueceu de comentar é que não era um almoço qualquer, e sim uma espécie de reunião familiar. Portanto, tinha beeem mais gente lá do que eu esperava – e com família a gente não pode brincar, o povo fala mesmo! E lá estava eu: tão ‘confortavelmente’ vestida... Que droga!

Sério, eu sei que roupa não devia importar tanto assim, mas ela é determinante em muitos ocasiões, prova disso são as consequências desses mal-entendidos com o guarda-roupa. Pra mim, é mais uma vez Murphy mandando ver e provando que nem o guarda-roupa escapa. Mas então, como lidar?

Eu me comprometi a fazer a minha parte, sabe. Tô tentando deixar menos espaço para essas possibilidades e levando mais a sério a pergunta "com que roupa?". Aprendi que até para ir a esquina você precisa de dignidade (já encontrei um ex-professor nessa situação e pude ver a ‘pena’ no olhar dele e o possível pensamento de que ‘o tempo não é bom com todo mundo’ estampado na sua cara). Será que esses momentos realmente tem que acontecer?

OBS: Já dizia minha mãe - "até suas calcinhas tem que ser bonitas, você nunca sabe quando pode sofrer um acidente e acordar inconsciente e semi-nua por aí..."

Rosana - na versão 'com que roupa?'

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E tudo acaba um dia...

— Mariana, nunca mais olha na minha cara ou fale comigo! — foi essa a frase que meu ex-namorado me falou no dia 13 de junho de 2009 quando terminou nosso relacionamento de 3 anos e 10 meses. Nunca esqueço essa data nem esse dia. Lembro direitinho que ele entrou no carro com uma sacolinha cheia de coisas que eu tinha dado para ele e me falou poucas e boas.

Na verdade não foi bem aí que tudo terminou, mas foi o começo do fim… a história ficou mal resolvida durante um bom tempo. Pelo menos até ele arrumar uma namorada mais ou menos em setembro ou outubro do ano passado. E aí sim as coisas pioraram. Quando você termina e sabe que a pessoa não está com ninguém é uma coisa. Quando você fica sabendo que ela está NAMORANDO, é bem diferente. É uma porta para a depressão.

Talvez eu seja dramática e tenha levado a sério demais um relacionamento que era pra ser uma coisa mais leve. Mas durante quase nove meses eu fiquei mal. Chorei, não quis comer, não quis saber de nada da minha vida. Larguei tudo que eu gostava: dança, francês, espanhol… e curti a minha fossa. Com o tempo, para não preocupar as pessoas, fiquei sofrendo sozinha, mas decidi que isso não era pra mim, que eu queria ser feliz. Aceitei todo tipo de ajuda: dos mentores espirituais até a kinesiologia. O importante era sair da fossa. O problema é que depois de 9 meses, o buraco é tão fundo, que mesmo querendo muito, é extremamente difícil.

O meu problema é que a fossa se juntou com relacionamentos mal sucedidos. Um me quis e eu não quis. O outro viajou e terminou por orkut. O último resolveu voltar com a ex. E assim se foi a minha auto-estima. Mas ok, não era aí que eu queria chegar. Decidi usar o espaço desse blog porque esse términio traumático me fez crescer e perceber muitas coisas que acontecem por aí. Hoje recebi notícias do meu ex de duas pessoas diferentes e fiquei pensando…

A primeiro delas é como as pessoas tem facilidade de fingir que nada aconteceu. Parece que eu sou a única pessoa que fica remoendo quando alguém que eu já fiquei ou tive qualquer coisa passa por mim e faz a famosa Kátia (cega, surda e muda, gíria da minha amiga @marilianaomi). Eu realmente faço questão de falar com a pessoa. No caso do meu ex, ele passou pela amiga e fingiu que não viu. Encontrou com a minha irmã na academia e fez o mesmo. Eu não consigo entender esse tipo de atitude. Por que as pessoas não podem simplesmente ser civilizadas? Falar “oi, tudo bem?” não mata ninguém.

Eu não entendo. A pessoa fica quatro anos com você. Você divide tudo com ela. Ela sabe tudo da sua vida, você confia seus segredos, seu corpo, tudo… e ela simplesmente some, desaparece. E o que é pior, muitas vezes sai falando de você por aí (eu mesma fiz isso numa tentativa frustrada de me convencer de que o melhor era mesmo terminar quando na verdade eu queria era estar com ele). É difícil manter amizade com ex, mas seria bom se a gente conseguisse. Eu particularmente ando numa vibe de me reconciliar com as pessoas. Acredito que é possível ser amigo de quem você já ficou ou teve qualquer coisa sem nenhum tipo de malícia. A gente que tem mania de complicar as coisas.

A segunda coisa que eu sempre fico pensando é: por que diabos a gente quer tanto voltar com o ex? Com esses últimos ficantes, todos quiseram voltar com as suas meninas do passado. Meu Deus, pra quê? A gente tem mania de achar que só existe aquela pessoa e acaba confundindo ciúmes, saudades com amor. Existe tanta gente no mundo. Depois disso, passei a acreditar que não é impossível ter um relacionamento com alguém que teve ex. Afinal, ela ou ele sempre vai estar em vantagem em relação a você. Nós nos prendemos ao passado e vivemos de eternos flash back… e isso, meus amigos, é extremamente depressivo.

Apesar de tudo, do sofrimento, foi uma experiência de vida incrível. Perdi um namorado que eu amava incondicionalmente, mas ganhei uma mãe, uma irmã, um pai e muitos amigos, que me amam muito mais do que ele jamais poderia ter me amado. E é aí que entra a música do Jason Mraz. Prestem atenção na letra. É incrível.





Mariana de Paula (irmã da Lara) - especial para As Queridonas

"É mais uma história de amor /Que outro me tome o lugar / Não está mais aqui quem chorou / Um outro que venha chorar" Chico Buarque

Penso, logo sobrevivo!

Adoro coisas que me fazem pensar. Livros, filmes, músicas, fotos, qualquer coisa. Contanto que seja uma coisa que me faça ficar pensativa por um bom tempo, está valendo. Penso muito, o tempo todo. Minha cabeça não descansa jamais. Penso no que vivi, no que sonhei que viveria, no que imagino que vou viver, no que fiz certo, no que tentei fazer certo, no que fiz completamente errado do começo ao fim. O leque da minha imaginação é infinito e isso me obriga e me permite pensar sobre tudo Tudo mesmo..

Às vezes, cansa. Tudo que se faz demais cansa. Mas na maioria das vezes é delicioso. Nada melhor do que terminar de ler um bom livro e sentir um enorme vazio dentro de si que aos poucos vai sendo consumindo pelo surgir da reflexão. Você pensa sobre tudo o que leu, reflete sobre a vida e vê um pensamento puxando outro e mais outro e mais outro. Quando para de pensar, nem se lembra como chegou até aquele último pensamento, mas isso não faz a menor diferença porque o divertido é a jornada.

Às vezes, dói. Pensar no que se perdeu, no que se viveu ou deixou de viver, em quem se foi, tudo isso dói. Muito. No fundo da alma. Mas é preciso viver de nostalgia também. É preciso lembrar do passado para que  melhoremos o presente e o futuro. É preciso fuxicar cada canto da memória e pensar e pensar e pensar. Só assim a gente cresce, a gente aprende, a gente entende, a gente perdoa.

Às vezes, diverte. Faz com que lembremos de coisas deliciosas, que demos risadas. Permite que imaginemos cenas de felicidade extrema ou que revivamos momentos em que fomos genuinamente felizes. Abre nossos olhos para novas possibilidades!

Pensar é uma dádiva única. Uns exercitam mais essa faculdade do que outros, mas a verdade é que quem disse "Penso, logo existo." estava erradíssimo. Não é bem por aí. Nossa existência nada tem a ver com o pensar. Já nossa sobrevivência.... essa depende dele! Eu nunca sobreviveria um dia sem pensar, sem refletir. Nada faria sentido, minha própria existência seria insignificante se eu não permitisse que qualquer coisa - por mais mundana ou pequena que seja - tocasse minha mente.

Agora, para você que é muito curioso e que está se perguntando de onde surgiu toda essa minha inspiração para falar sobre isso, conto tudo. Hoje descobri um blog muito lindo e muito muito bem escrito que me fez pensar bastante sobre a efemeridade da vida. Quer entrar lá também? http://parafrancisco.blogspot.com/ Já aviso: prepare os lenços de papel, viu?

Bom, mas agora é hora de recolher meus pensamentos para mim mesma (porque como diria meu queridíssimo Drummond - "É um ato individual, como nascer e morrer.") e deixar vocês com os seus. Só espero audaciosamente que de alguma forma minhas palavras tenham o poder de despertar o pensamento de alguém por aí. Se isso acontecer, missão cumprida!

Lara - sobrevivendo

"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo." -- Buda