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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Que?

Hoje acordei sem aquele tão comum espírito masoquista.
Hoje até meio-dia não te mandei nenhuma mensagem, nenhum e-mail, nem te liguei de um número desconhecido.
Hoje você não ia me deixar triste com aquela sua indiferença mascarada como timidez.
Hoje não ia me lembrar dos moments ruins (que superam os bons!)
Hoje não ia deixar de fazer o que tinha que ser feito para pensar em você
Hoje você não iria me afetar
Hoje não
Mas daí, sem aviso prévio, você entra novamente na minha vida sem pedir permissão.
Me pergunta como estou com aquela sua dissimulação que você domina como uma arte
E eu?
Eu, sem maiores forças para a verdade repondo que nunca estive melhor.
Me rendo e concordo em encontrar com você.

Steph - sofrendo da ira cósmica

domingo, 8 de agosto de 2010

paizão

feliz dia dos pais para todos os pais de todas as queridonas e queridões do Brasil!


Paizão,
você é o melhor!
e meu amor por você é o maior!
mesmo com aquele seu humor
acredite, ainda é muito amor!



terça-feira, 3 de agosto de 2010

a carne é fraca!

A minha carne é fraca, a sua também? Conheço muita gente boa com carne muito enfraquecida. São tantas as situações em que minha carne me falha, me trai, que nem saberia numerar todas.

Aquele gatinho que você sabe que não presta, não é pra você, já partiu seu coração em quarenta mil pedacinhos, te liga depois de meses sem uma notícia. O que você faz? Sai com ele, obviamente. A carne é fraca!

Você sabe que tem que perder peso. Por razões de saúde, beleza, objetivo pessoal, aquele emprego que sempre quis. Começa bem a dieta, até se inspira e vai para academia. Umas semanas depois, aniversário daquele brother seu, e é no rodízio de pizza mais gorduroso da cidade. Você? Você vai, oras! A carne é fraca!

Você já em um relacionamento, um gatinho da academia te da mole. Um outro de uma matéria que fizeram juntos pede seu telefone. Você paquera, conversam na internet, trocam mensagens de texto. Você fechar a porta? A carne é fraca!

Você com aquela prova pra estudar, com aquele projeto pra entregar. No último minuto seu amigo te chama pra ver aquele filme que você estava morrendo de vontade de ver e todo mundo já viu. Você vai, obviamente.

Você estudando para concurso público, quer estabilidade, quer dinheiro para viajar e viver bem a vida, mas não resiste à viagens que surgem. Não resiste também a trabalhos freelance que podem te dar uma graninha rápida. E como resistir de participar daquele congresso internacional que vai ficar show no seu currículo? É, a sua carne também é fraca.

O que posso concluir é o seguinte: A minha carne é fraca, mas ainda bem! Carne dura? Ninguém mastiga!

Steph - filet mignon

sábado, 31 de julho de 2010

ele, pronome possessivo

Ele tinha o ligeiro hábito de me ensinar as coisas que eu não queria aprender. Falava comigo por dois minutos e, ao mesmo tempo em que me sentia privilegiada por receber sua indivisível atenção, sabia que não duraria muito. Ele me conquistava com seus solos de guitarra e sempre adaptava as letras de música para que coincidissem com a minha pessoa. Ele tinha um péssimo gosto nas roupas que usava e das meninas que namorava. Ele, uma pessoa tão certa de si mesma, tão cheio de timidez. Ele era inconsciente de que eu o via tanto, não tantas vezes, mas tanto.

Steph Lispector

domingo, 25 de julho de 2010

alexicada

me faltam palavras.

tudo que queria te dizer está dito já.
nos meus olhares, nas minhas atitudes, nos meus sorrisos.
mas eu acabo deixando tudo isso pra lá.

me faltam palavras.

quero te dizer tanta coisa, mas a oportunidade nunca aparece.
é sempre a consulta do dentista, o horário do almoço que não bate, sua ausência da academia.
acaba que conversamos sobre tudo, menos o que importa - acontece!
te contar a verdade seria minha carta de alforria.

me faltam palavras.

e não entendo, pois já tenho tudo decorado e ensaiado.
tudo já está pronto para ser executado.

a palavra?
nunca me faltou.
a coragem?
é, me abandonou.

Steph

sábado, 24 de julho de 2010

de portas abertas

Fato é todo mundo já ouviu alguma vez na vida o ditado: Quando uma porta fecha, uma outra se abre! É mesmo? Sou só eu ou alguém mais fica com muita raiva de ouvir essas besteiras? Não, porque quando você está na fossa tudo que você realmente quer ouvir é que uma porta, algum dia, vai se abrir para você e que esse seu sofrimento agora é nada mais que desnecessário. Obrigada amigos pelas sábias palavras!

Já faz um bom tempo que venho querendo expor um certo problema que vem se manifestando aqui na capital. O tal do Open Door Policy, ou, traduzindo perigosamente: A Política da Porta Aberta. Sim, isso existe, e é um problema!

Um sujeito vem e te paquera. Ok, mais que te paquera, fica com você, te dá uma caixa de bombons caros, te leva para dançar, seus amigos já estão no décimo encanto com eles e aí a bomba cai. Você não faz idéia de onde ela veio, mas agora tem que agüentar esse gás tóxico. Você já imaginando seu feriadão juntos na Chapada (você afinal de contas é uma pessoa ambiciosa!) e em pleno pontão à beira do lago olhando o pôr do sol ele vem e te apresenta a tal maldita política. Ele se concentra e olha bem nos seus olhos. Seu negativismo diz para você fugir dali, mas sua esperança a deixa imóvel. E é então que ele fala: acho que devíamos ver outras pessoas, devíamos manter as portas abertas.

Você escuta os vidrinho que encapa seu coração quebrar. Mas o sujeito não pára por aí. Não, porque todo sofrimento é pouco. Ele, achando você leiga no assunto, acha a necessidade de te explicar o que significa deixar as portas abertas. E explica, e exemplifica, e no final, sorri e espera uma resposta sua. Você faz uma expressão facial nada atraente e não sabe se chora ali na hora ou o espanca até a morte.

É, às vezes é melhor deixar a porta fechadinha do que correr o risco de ver o que saí quando elas se abrem!

(post dedicado àquela que entende que a vida realmente é um heartbreak warfare)
 
Steph

sexta-feira, 23 de julho de 2010

o engenheiro que acreditava em astrologia

- Posso te fazer uma pergunta pessoal?
- Só respondo se eu também puder fazer uma pergunta
Pensei na proposta e decidi aceitar, não tinha por que eu me preocupar, afinal de contas você nunca teria coragem de perguntar algo que você realmente quisesse saber.
- Tudo bem, mas eu vou primeiro.
- Tá bom, o que você tanto quer saber?
- Qual horário que você nasceu?
- Horário?
- É, a hora que você decidiu entrar no mundo.
- Por quê? De tudo que você poderia perguntar, quer saber logo isso?
- Por que não?
- Nasci às oito da manhã em ponto.
- Então logo depois da sua entrada ao mundo você decidiu que não valia mais a pena ser pontual?
- Ainda sou muito pontual! Do que você está falando?
- Claro, é por isso que sua mãe sempre fala pra gente que o horário do almoço de domingo é meio-dia, e pro resto do pessoal é uma hora da tarde.
Você ficou em silêncio.
- Mas então, queria saber o horário do seu nascimento para fazer seu mapa astral.
- Ah, não vai me dizer que você acredita nessas bobagens!
- Acredito, do mesmo jeito que você acredita que o Corinthians vai ganhar o Brasileirão esse ano!
- Você acha então que só por que eu sou gêmeos eu devo ter dupla personalidade? Devo agir e pensar de outro jeito? Eu nasci no último dia de ser gêmeos, mais um dia e eu seria outro signo! Nada a ver essas coisas. Isso se chama aleatoriedade.
- Eu acho que não, acho que existe alguma razão por você não ter sido outro signo e sim gêmeos.
- Você é realmente a pessoa mais estranha que eu conheço!
- Sabe, essa nossa conversa daria uma bela crônica. O engenheiro que acreditava em astrologia.
- Mas eu não acredito!
- E se eu fosse astróloga e te dissesse tudo sobre sua vida, mesmo assim duvidaria?
- Lógico.
- Nossa, quanta honestidade.
- Posso fazer minha pergunta agora?
- Não.
- Por que não? Eu respondi o que você queria saber, agora é minha vez.
- A resposta é não por que eu já sei o que você vai me perguntar.
- Ah, sabe é? E você sorriu o meu sorriso e levantou a sobrancelha esquerda de leve.
- Sei, e a resposta é sim.

Steph

terça-feira, 20 de julho de 2010

a crônica da amiga que não é mais

entrando nesse clima das queridonas, um ótimo dia do amigo para você leitor!

Já foi-se o tempo em que éramos eu e você e elas. Sim, você se foi e nós ficamos. Outro dia nos encontramos no mesmo lugar que íamos tantas vezes. Eu, igual, você, não mais.


Conversamos um pouco, trivialidades da vida. Seu namorado ia bem, ia finalmente se formar. O meu tinha acabado de receber uma promoção, sim, tínhamos finalmente começado a namorar. Eu, normal, você, não mais.

Senti que o peso das suas escolhas estavam nitidamente te atormentando. Lembra quando você nos julgou por seguir nossos sonhos, nossas intuições? Nós, felizes, você, não mais.

Ficamos lá juntas por mais um tempo e você começou a se sentir inferior. Teve que mencionar o quanto você ganhava e onde comprava suas roupas. Eu sorri diplomaticamente. Nem te falei que entrei pro mestrado e faria um mochião por um mês antes do semestre começar. Eu, livre, você, não mais.

Nos despedimos. Uns meses depois sem nenhuma notícia sua, você me convidou impessoalmente por e-mail para uma festa. Eu, confusa, você, demais.

Era uma vez eu e você e elas. Você, eu e elas.

No meio do caminho você se perdeu. Amigos, amigos, negócios a parte. Mas lembre-se, o ditado nunca foi: amigos, use-os e depois descarte!

Steph - com uma pitada de veneno

na academia

eu a vi, seu amigo disse para você depois da malhação.
e você  respondeu: tô nem aí! sem tirar os olhos da televisão.

e quem acreditou?
é, cupido, nessa você falhou!

seu amigo estranhando seu comportamento
ficou mais atento
será que eu estava em alguma parte do seu pensamento?
ou talvez nem fosse o caso, pois a vida afinal é feita de mais de um acontecimento
possivelmente algum problema técnico com seu equipamento?

e você, com seus olhos vidrados na televisão
ficaram na exata mesma posição
é amigo, você é mesmo um bobalhão!

steph - rindo

sábado, 17 de julho de 2010

não sou seu príncipe encantado!

Não sou seu príncipe encantado!
você me disse outro dia com um tom meio irritado.
Pare de me chamar, de me ligar, de se importar
Pois amor, isso eu nunca vou ser capaz de lhe dar.
Fiquei um tanto surpresa
e as palavras que você falou não estavam com muita clareza
Você estava bêbado, disso eu tenho certeza!
Mas você ainda tinha muito o que dizer
e eu ficando nervosa, olhando pro relógio, o que será que iria acontecer?
Você percebeu minha inquietude
e falou que era esse o problema com a juventude!
Falei que se tivesse algo pra falar, que dissesse logo
se não ficaria que nem Hamlet, palavras vazias ao meio de um grande monólogo
Foi então que você entrou no assunto sério
não gostava de mim e isso não era nenhum mistério
foi inclusive por isso que não me chamou para festa junina do ministério
Fiquei sem palavras ao perceber que era isso que você tinha que me falar
mas era o que me faltava, vou te contar!
Falei que gostava de você sim, mas não era para tanto, vamos combinar!
Achei graça que você se achava tanto
Aliás, um alívio, quebrou-se o encanto!
Sou chata e persistente
mas graças a mim estás mais contente
Não foi pelas aulas de inglês que subistes na carreira?
Ok, talvez não seja para tanto, estou de brincadeira!
Mas quero que se lembre que amiga como eu, só existe uma
E amante tão boa, rapaz, acho que nenhuma!
Não sou seu príncipe encantado, você repetiu mais uma vez já num tom mais doce.
E eu ri.
Nunca achei que fosse.

Steph - brincando de fazer de conta

domingo, 11 de julho de 2010

a crônica da loira

Fato é, estou sempre usando minha vida para literatura. E como não usar? Não digo de maneira alguma que minha vida é tão interessante ao ponto de que todos deviam ter uma vida como a minha. Pelo contrário, muito pelo contrário. Acredito, no entanto, que certas coisas, que aparentemente só conseguem acontecer comigo, deviam ser aproveitadas para pelo menos entreterem o meu tão pequeno círculo de leitores. Logo eu que adoro uma boa piada.


Foi assim que mais um desses tão inusitados casos do destino aconteceram. Estávamos eu e você conversando debaixo do seu bloco outro dia. Você tinha acabado de chegar do trabalho e eu estava indo para o meu carro, que, como de praxe, estava estacionado na sua quadra. (E aqui eu tomo a liberdade de me perguntar: Por que logo hoje, que eu não tinha tomado um banho o dia todo depois de um dia cheio fora de casa você decidiu falar comigo? Bom mesmo é que se eu tivesse arrumada e perfumada, não olharia duas vezes em minha direção, não é mesmo?)

Você me perguntando sobre o meu dia e eu sem a mínima vontade de conversar sobre aquilo. Já tinha se passado tanto tempo que a gente não se falava que eu nem me lembrava mais de como agir perto de você. Para falar verdade, não me lembrava mais de quase nada. Quando que você começou a deixar esse seu cabelo crescer? Quando que você deixou que suas olheiras dominassem a melhor parte do seu rosto? Quando que você começou a sorrir desse jeito pra mim? Vem cá, quando é que você se importava com o meu dia?

E você me fazendo perguntas e eu nem lembro mais se consegui respondê-las. Foi entre você me explicando que tinha mudado de emprego e eu me chutando mentalmente por não ter me perfumado que veio um carro vermelho parar bem perto da gente. Você nem percebeu, foi um alívio. Como era bom saber que você era distraído para tudo na vida e não só com o meu coração! O motorista do carro ficou nos olhando - não resisti e tive que olhar. Era uma loira. De imediato meus olhos escureceram e eu perdi a pouca paciência que eu já não tinha nesse dia e pensei: como isso é possível!? Dei uma risada.

Você não entendeu e continuou me contando sobre o certificado que tinha acabado de tirar. Ouvindo você falar tudo isso comecei a te invejar. Por que eu não escolhi uma carreira que me desse tanto retorno quanto a sua escolha profissional? Por que tudo era tão fácil para você enquanto eu sempre tive que dar dois passos a mais? Balançava minha cabeça como quem entendia tudo que você falava. (Sei que você já me explicou mais de três vezes, mas acredite, até hoje não sei dizer ou explicar o que você faz!)

Ela desligou o carro e chamou o seu nome. Suei frio e engoli o sorriso. Você virou a cabeça, olhou para ela e sorriu, mas não era qualquer sorriso. Era um sorriso normal, os especiais você reservava pra mim. Fiquei atenta para a troca de palavras, nada de muito interessante. Daria meu único rim para tirar a oleosidade do meu cabelo que estava evidente nesse momento. Ela saiu do carro e você se aproximou dela. Hora da morte. Estava tudo acabado.

E foi aí que você a apresentou pra mim. E eu não me contive, dei a risada mais gostosa que consegui soltar. É, de vez em quando a vida me dá umas boas surpresas.

O inimigo era a namorada do seu melhor amigo.

Steph - lidando com a realidade e a ficção

sábado, 10 de julho de 2010

o porque dos por quês

hoje, uma crônica não tão literária

por que eu gosto de você? por que eu escrevo tanto sobre você, publico, anuncio em todos os lugares da internet, mas na hora H não consigo dizer que gosto de você? por que diabos eu ainda tenho essa atração por você se nem vocação pra príncipe encantado você tem? Quem nunca se fez essa pergunta, que atire a primeira pedra! Eu me vejo fazendo essa pergunta várias vezes no decorrer do mesmo dia! Mas não é só em relação a meu gosto peculiar por homens extremamente complicados e enrolados que eu me pergunto o por quê.

por que eu não falei aquilo quando eu tive a oportunidade? ai, já tinha tudo tão planejado na minha mente!
por que eu não estudei um pouquinho mais pra essa prova? caiu tanta coisa que eu sabia!
por que eu não fiz aquela dieta? agora, como vou usar o bikini na frente de todos?
por que eu recusei aquele emprego mesmo? não era a hora certa?
por que eu não atendi o telefone? por que eu não mandei aquele e-mail? por que? por que? por que?

Conheço tanta gente boa que se deixa levar pelos por quês que fico até arrepiada. Eu mesmo estaria mentindo se me excluisse dessa lista. Esses por quês são uns danadinhos mesmo, hein? Entram em nossas vidas e não nos acrescentam em nada, entram sem pedir licença e não tem hora marcada pra sair. Entram e saem com suas agendas secretas. Resposta concreta nao sou capaz de dar, mas gosto de pensar que eles entram para nos ensinar e fazer com que a gente fique mais esperto, mais atento, com nosso sistema imune mais forte e resistente a eles. A cada por que novo estaremos um pouquinho mais fortes para lidar com a situação e talvez não cair tão profundamente no desespero, nem que seja pelo menos um tiquinho de nada. Verdade seja dita: ninguém sabe porque!

Sei que é uma tarefa complicada, mas não é bem melhor um dia pelo menos conseguir dizer tudo aquilo que você gostaria de falar na hora certa e não duas horas depois? voltar para casa com um sorriso na cara porque foi capaz de dizer um "eu gosto de você" ou um "não quero só ser sua amiga, quero deitar nesse seu sofá e não ter hora para voltar pra casa." É bem melhor, não é mesmo?

Mas a pergunta não se cala: por que meu Deus? por que eu?
Acredito que até Ele soltaria um: porque eu não sei como resposta.

Steph

quinta-feira, 8 de julho de 2010

a crônica do menos

Se eu reclamasse mais, poderia correr o risco de perder todos meus amigos.
Se eu adiasse mais, bom, acho isso impossível.
E se eu estudasse mais?
E se eu me aplicasse mais?
E se eu não engordasse mais?
Como seria bom se para a Europa eu fosse mais!
Se eu pudesse ficar o dia todo na frente da televisão assistindo a todos os canais!
Se o tempo me desse horas no meu dia a mais!
Se eu conseguisse domar minha ansiedade e produzir mais.
Queria eu ser mais.
Eu sou mais.
Se eu acreditasse mais.
Se a fé eu tivesse mais.
Se a esperança em algo melhor eu não perdesse mais!
Se eu me valorizasse mais, me cuidasse mais, me amasse mais.
Queria me expressar mais, dizer mais, e sempre, beijar mais.
Se eu desse conta de me organizar e não me sobrecarregar mais - seria bom, aliás,
seria perfeito se eu das minhas olheiras me livrasse e nunca as visse mais!
Daria eu conta de enlouquecer e daqui fugir e nunca voltar atrás?
Tenho que admitir, lutar e correr atrás dos sonhos, tô achando difícil demais.
Se eu comesse salada mais e malhasse mais - acho que isso, jamais!
Se eu me perdoasse mais, seria capaz de não ter culpa mais?
Devia rir mais, sair mais, me distrair mais, não ter que pensar mais!
Sou só eu, ou alguém mais?
Ninguém mais quer ser algo mais?
Ah, se você pensasse mais, lesse mais, me olhasse mais, entenderia.
Se nos falássemos mais, convivêssemos mais, tenho certeza que também sentiria.
Se eu te chamasse mais, você iria?
Ainda me procuraria?
Ainda me enlouqueceria?
Será que eu de você ainda gostaria?
Tenho tanto pra te contar, quem sabe, talvez, pode ser que algum dia!
Já pensou se você agisse mais?
Eu escreveria menos.
Com certeza pensaria em você menos,
e mais feliz eu seria
ainda bem que isso, pelo menos!

Steph

domingo, 4 de julho de 2010

coisa de novela

tô nem aí se é brega!

segue mais uma crônica!

Hoje encontrei com uma amiga minha e contei tudo pra ela. Tudo mesmo. É possível sentir saudades das coisas que você ainda não viveu? Pois é, hoje a noite, senti. E muita. Conversamos até eu me gripar. O frio e meu cabelo molhado do banho que tinha acabado de tomar não combinaram muito bem. A batata frita no meu prato já estava fria, mas não importava, eu continuava contando tudo pra ela. Tudo mesmo. Ela me ouviu, ouviu, ouviu. E entendeu. As poucas batatas fritas que restavam no meu prato continuavam esfriando.


Depois de escutar o drama todo, foi a vez dela falar. Mil e um conselhos. Muitos risos da minha parte - como que ela me sugeria uma coisa dessas? Nem com muita tequila isso seria possível! Ou seria? Não, acho que não. Mais risos. Estava muito frio e meu cabelo ainda estava bem molhado. Dei o primeiro espirro de vários. Finalmente consegui terminar de comer as batatas fritas frias. O que a minha amiga falava, fazia muito sentido, lógico que fazia, ela já tinha passado por tudo isso. Falar é muito fácil, não é mesmo? Continuamos conversando por mais uma hora e pouco. Estava muito frio.

Ao pagar a conta fomos pro meu carro para ela buscar o seu presente. Ela estava me abandonando. Estava indo pra Itália com seu namorado para morar indefinidamente pela Europa e eu iria ficar. Por que eu sempre fico? Queria ter essa coragem. Queria ter esse tipo de namoro. Queria mesmo era ir pra Europa! Conversamos mais um pouco, mas minha crise de espirros a assustou. Nos despedimos. Queria tanto ter um rumo - é pedir demais?

Liguei o carro, mas não estava pronta para ir pra casa. Sexta feira a noite e ninguém na rua. Todos de luto pelo Brasil. Me encontrei na sua quadra, no seu bloco, na sua portaria. A luz do seu apartamento estava acesa, decidi arriscar. Interfonei e você atendeu. Não estava nervosa, estava decidida. Com o seu violão em mãos, entrei no seu apartamento. Você sorrindo pra mim daquele jeito, e ainda tem gente que diz que a vida não tem poesia. Você claramente não entendeu o que eu estava fazendo lá e foi aí que eu perguntei:

"Por que você me procura?"

"Te procuro?"

"É. Por que você me liga, conversa comigo, me chama pra sair se no final das contas não quer nada sério comigo? Por que você me procura?"

Por essa você não esperava, hein. Te peguei e você estava sem saída. Tinha que responder. Você estava na minha frente e não podia mudar o status para ausente, e nem sair sem se despedir e nem me bloquear. Tinha que responder.

"Por que você acha que eu te procuro?"

"Não vale responder com pergunta. Eu perguntei primeiro."

Mais um momento de silêncio.

"Te procuro por que você está sempre por perto."

Não gostei da resposta. Não era o suficiente. Entreguei o violão de volta, e inventei uma desculpa para ir embora. Foi aí que ao você me abraçar para se despedir de mim, finalmente te dei aquele beijo que eu tanto esperava. Foi com tanto gosto, com tanta vontade, que quando eu lembro desse momento parece que ele nem aconteceu. Ele foi épico e decepcionante. Você o retribuiu com mais vontade do que eu esperava. Sorri internamente. Eu tinha vencido, agora eu era o herói, como diria Chico Buarque.

Eu interrompi o beijo e fechei a porta sem olhar pra trás. Não queria estragar o momento. Nem se eu tivesse planejado teria sido tão perfeito. E ao descer as escadas do segundo andar até o térreo sentia que você me olhava da sua janela. Você não sabe explicar até hoje, mas você, por alguma razão, desceu também as escadas e me seguiu. Ao abrir meu carro, você estava do meu lado e com a respiração um pouco ofegante falou:

"Eu te procuro por que gosto demais de você."

E você me beijou.

Steph - precisa nem falar, né?

domingo, 27 de junho de 2010

verdade

em uma aulinha de violão
você conquistou meu coração
ainda bem que você nem percebeu
por que em nada você me acrescenta, Romeu!

Steph 

sábado, 26 de junho de 2010

ontem a noite

chegando em casa de madrugada
maquiagem borrada, descabelada
o rosto dolorido de tanta gargalhada
uma bela noitada!
friozinho na barriga
coração traidor de uma figa!

Steph - vivendo a vida

quinta-feira, 24 de junho de 2010

novo mantra

hoje sou só sorrisos
e não sei bem por quê
hoje sou só sorrisos
e não tem nada a ver com você!

Steph

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sorriso

Aquele sorriso seu, é meu.
das piadas que eu conto e você não entende.
das milhares de coisas que ainda me surpreende.
das conversas até a madrugada que temos no seu sofá.
das caronas que você sempre me dá.
das horas em que fiquei ouvindo você tocar.
das vezes em que me perdi em seu olhar.
Aquele sorriso seu, era meu.
Aquele sorriso meu, desapareceu.

Steph - seguindo a Rosana

terça-feira, 22 de junho de 2010

a crônica nominal

eu:
estacionamento. fila. aeroporto. ansiedade. espera. famílias. amigos. lembranças. desconhecidos. horários. atraso. banheiro. saudade. saudade. saudade.

você:
avião. fome. comida. bebida. turbulência. cinto de segurança. saudade. solidão. olhar. troca. loira. sorrisos. conversa. conversa. conversa.

eu:
espera. café. estranho. pergunta. informação. conversa. sorrisos. café. histórias. troca. diversão. risadas. esquecimento. esquecimento. esquecimento.

você:
animação. novidade. tempo. avião. aterriso. conversa. malas. atraso. demora. conversa. saída. despedida. procura. procura. procura.

eu:
pagamento. troca. número. celular. despedida. abraço. significado. corrida. procura. multidão. recém-chegados. encontro. abraços. abraços. abraços.

você:
alegria. momento. casa. banho. jantar. mala. roupas. presentes. cama. sono. sonho. loira. culpa. culpa. culpa.

eu:
felicidade. inquietude. estranhamento. lembrança. aeroporto. estranho. banho. jantar. presentes. cama. sono. sonho. culpa. culpa. culpa.

você:
término. lágrimas. briga. gritos. saída. hotel. ligação. loira. trânsito. beijos. felicidade. momento. tristeza. tristeza. tristeza.

eu:
término. lágrimas. briga. gritos. telefone. amigas. chocolate. sorvete. fofocas. filmes. lágrimas. lembranças. tristeza. tristeza. tristeza.

você:
continuação. empenho. trabalho. promoção. viagens. madrugadas. trabalho. amizades. novidades. crescimento. amadurecimento. reconhecimento. saudade. saudade. saudade.

eu:
continuação. academia. emprego. novidade. viagens. promoção. crescimento. sonho. realização. encontro. passado. reconhecimento. saudade. saudade. saudade.

você:
arrependimento. portaria. antigo. flores. chocolate. perfume. anel. casamento. promessa. mudanças. esperança. borboletas. ansiedade. ansiedade. ansiedade.

eu:
portaria. flores. chocolate. perfume. anel. olhar. tristeza. explicação. atraso. continuação. marido. novo. adeus. adeus. adeus.

espero que dê para entender!
Steph

sábado, 19 de junho de 2010

a crônica da janela

Da janela do meu carro, eu vejo a janela do seu quarto. Passo horas a imaginar o que seria da minha vida se eu estivesse do outro lado da outra janela. No momento está tudo escuro, do meu lado, metaforicamente, do seu, literalmente. Sei que está em casa pela janela que deixou aberta.

Chegastes em casa cansado - mais um dia longo de resolver problemas para pessoas que não te pagam o suficiente pelas dores de cabeças diárias. Encontrastes o apartamento vazio, não é nenhuma novidade, sempre és o primeiro a chegar. Mais por ansiedade que por fome, abres a geladeira para comer algo e não encontra nada que o apeteça.

O frio da geladeira o lembra do calor que está sentindo. Vai para o quarto, abre a janela, tira a gravata que até hoje não consegues colocar da maneira correta. Lá se vai o blaser, a blusa, a calça. Vais ao banheiro e toma uma ducha para relaxar. O telefone toca e você não atende. Ela acha que você ainda está no trabalho. Sempre me surpreendo como ela se preocupa com você depois desse tempo todo. Não me incomoda mais como antigamente, afinal sei que as mães têm as melhores das intenções.

Já em roupas mais confortáveis, mas ainda sozinho em casa, cochilas no sofá novo que eu ainda não tive a chance de experimentar. Momentos depois, chegam seus amigos e a festa começa. Entro levemente em pânico - resquìcios de uma baixa auto-estima que ainda não foi totalmente elevada.

Mas aí a luz acende.

Da janela do meu carro eu vejo você, e da janela do seu quarto, você sorri pra mim.

- Feliz aniversário para aquele que nunca lê esse blog -

Steph - menos Goethe, mais Drummond