Mostrando postagens com marcador STEPH. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador STEPH. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Borges

Ele estava em uma cadeira de rodas, imóvel, mas amava a ver dançar. Ela tinha um encanto pela música, especialmente da maneira que só ele sabia como tocar. Não eram amigos, eram apenas conhecidos. Se viam de vez em quando no shopping, no parque, no cinema, tinham vários gostos e amigos em comum, mas não eram amigos de verdade. Se cumprimentavam quando se viam e trocavam uma idéia ou outra, mas nada muito profundo. Eram apenas conhecidos.


Um amigo dele, aliás, um grande amigo dele um dia começou a namorá-la. Imagina a surpresa dele! Imagina a surpresa dela ao ver que o grande amigo do namorado era aquele menino simpático da cadeira de rodas! Começaram a se ver com mais freqüência e a se conhecer. Ele admitiu que adorava a ver no palco, e ela enrubesceu tão sutilmente que só ele foi capaz de perceber. Era graciosa até nos momentos de timidez, ele pensou. Ela admitiu ter os mesmos gostos musicais que ele, e falou ainda que antes dele sofrer o acidente, quando ele tocava em shows na universidade, ela nunca faltava uma apresentação. Era uma fã incondicional.

Começaram a cultivar uma amizade de verdade. No dia em que a avó dela morreu, ele estava lá para segurar sua mão, no dia em que ele ingressou para o mestrado, ela foi a primeira a saber. Enquanto eles se tornavam melhores amigos, ela e o namorado cresciam também em seu relacionamento. Então em um domingo ensolarado, em um churrasco aparentemente sem muito compromisso, o namorado decidiu a pedir em casamento. Era o sonho dela começar uma família e ela aceitou na hora.

Foi aí que as rosas começaram. No começo ela achou aquilo tudo muito estranho, mas romântico. Desde que ela tivera se tornado noiva ela recebia uma rosa todos os dias pela manhã em sua casa. Não era bem a cara de seu noivo ficar mandando uma flor todos os dias para ela, mas só podia ser ele. Ela achava o máximo  receber rosas por que fazia referência ao seu livro favorito inclusive. Ela não era o tipo de pessoa que tinha admiradores secretos e amores impossíveis, era uma pessoa muito bem resolvida acima de tudo. Tinha agora já uma imensa coleção de rosas. Tinha semanas que vinham só as vermelhas, outros dias mudava e mandava as amarelas, as brancas, as rosas. Quando ela perguntou o sentido das rosas para o noivo, ele se fez de desentendido, falou que não sabia do que ela estava falando. Ela, em sua inocência, achou encantador a negação.

Mas aí o inimaginável aconteceu. Nas vésperas do casamento, no que devia ser a época mais feliz na vida dela, seu melhor amigo morreu. Foi um ataque cardíaco fulminante, sem muito mistério. Aconteceu e ele morreu. Os médicos a asseguraram que ele não tinha sofrido muito. Isso a tranqüilizou, mas não diminuiu a dor.

Ela se conformou e a vida continuou.

Mas as rosas, essas nunca mais apareceram misteriosamente em sua casa.


Steph - desvinculando

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

tudo que eu queria te dizer

- Eu consegui um emprego em outro estado.

Abri a janela do carro. Me senti meio tonta com uma leve ânsia de vômito. Como assim? Como que você faz isso comigo!? Mas só sorri.

- É mesmo? Que estado?

Não era essa a reação que eu esperava. Não tinham me dito que ela gostava de mim? "Em que estado?" era só isso que ela tinha pra me falar? Quem liga pra qual estado eu estou indo, eu queria que ela pelo menos fingisse que ficaria triste com a minha partida.

- Curitiba. A empresa vai arcar com todas as despesas nos primeiros seis meses até eu me adaptar.

Até você se adaptar? Espero que você nunca se adapte! Espero que você tenha a pior experiência do mundo nesse seu novo emprego!

- Que ótima oportunidade, hein! Essa você não podia deixar passar mesmo!

É, de fato eu não podia deixar passar mesmo, mas... Era sério que ela achava isso uma ótima oportunidade? Ela está até sorrindo! Nossa, bom saber que sou tão insignificante assim na vida dela, justo agora que estávamos nos conhecendo melhor.

- É, eles geralmente perguntam para os mais novos e solteiros da empresa por que não tem família nem nada muito significativo os segurando em um lugar específico.

Isso foi uma indireta? Nada significante? EU sou nada na sua vida? Você só entra na minha vida quando bem entende e agora já tá praticamente de malas prontas pra me abandonar pra sempre e quer realmente que eu fique feliz por isso? Você não vai dar nem uma chancezinha pra essa nossa amizade tão frágil?

- Ah, claro! Faz perfeito sentido, se eu fosse você, nem pensaria duas vezes. Também aceitaria na hora.

Aceitaria na hora? Eu quase nem aceitei por que queria te conhecer melhor mesmo com essa minha timidez que não consigo superar. Por que você não entende que eu gosto de você?

- Pois é, ainda mais que não tem nada me segurando por aqui...

Ok, isso foi uma indireta. Não é possível! Fala alguma coisa, qualquer coisa para diminuir esse silêncio. Sério, qualquer coisa mesmo. Vai lá, salva essa situação. Por que ele tá me olhando desse jeito?

Se declara logo e acaba com esse sofrimento de uma vez por todas. Oportunidade melhor que essa nunca mais na vida, que fique bem claro! Vai, fala! E esse olhar dela?

Mas aí o momento passou e o silêncio continuou.

E ele não falou nada.

E ela também não.

 
Steph - brincando com a ficção e a realidade

domingo, 14 de novembro de 2010

filosofia de taxista

Já dizia alguém famoso, não sei bem quem exatamente, que conselho, se fosse bom, não se dava de graça. Sábias palavras, caríssimo autor anônimo, sábias palavras.
Eu não sei bem o que eu quero da minha vida. Talvez seja por isso que eu comprei uma passagem sem volta para o Rio de Janeiro. Estava chovendo quando desembarquei e entrei em um taxi qualquer de aeroporto.

O motorista não perguntou para onde eu ia, simplesmente colocou minha bagagem no porta-malas e dirigiu como se já soubesse tudo da minha vida e não precisasse de maiores instruções sobre meu destino.

Como já éramos amigos íntimos ele começou.

- Sabe, o bom não é o amor. O bom é casar. É tão bom que já me casei 10 vezes.

Não sabia bem o que falar ou como reagir. Minha primeira reação foi rir, mas segurei a vontade. Talvez ele realmente fosse vidente! Um pai de santo, talvez. Por que não? Eu devia falar algo sobre meu destino, mas não me pareceu apropriado no momento. Qual era a pressa, não é mesmo? Não era esse o ponto da minha aparente loucura?

Ele sabia da minha história, certeza. Continuou.

- Esse negócio de amor é coisa de adolescente. Gente velha quer mesmo uma boa companhia e só.

Fazia sentido pensei pra mim mesma. Fiquei dois anos atrás de um suposto grande amor e para quê? Para ser monumentalmente decepcionada no final, respondeu aquela voz amiga do meu subconsciente. Não gostei da resposta, afinal de contas, não foi tão ruim assim. Eu finalmente consegui o que tanto queria, uma pena só a realidade não ter correspondido com minhas expectativas.

O taxista se intrometeu nos meus pensamentos. Não gostou da conversa interna que estava tendo, queria fazer parte do papo.

- Já sofreu por amor minha filha? Mexe com isso não. Quando for namorar, ame só 10% senão você vai sofrer.

Ele claramente sabia do que estava falando. Sabia que tinha feito algo de errado, amei com um zero a mais!

Estávamos em pleno engarrafamento carioca, não tinha para onde fugir. Não precisava dizer para onde eu tinha que ir por enquanto. Continuei calada.

- Sabe, muita mulher desesperada entra no táxi e roda a cidade toda chorando atrás do marido ou namorado. Perda de tempo.

Não me surpreendi, mas achei cliché na hora. Por que rodar a cidade toda, gastar dinheiro se você já sabe que o seu marido ou namorado está te traindo? É a tal da dor, né? Rejeição realmente não é pra qualquer um e se tem algo que a gente não esquece é traição. Por mais que depois ele se arrependa, te escreva uma carta dizendo tudo que você sempre quis ouvir, você sempre vai ter um pé atrás com ele. Nunca vai confiar totalmente nele, especialmente quando ele for sair com aquelas amigas que você sabe que não valem nada.

O meu amigo não se contentou e prosseguiu.

- Se tá bom fica, se não tá, separa. Tem gente demais nesse mundo pra ficar brigando e dizendo 'ah, mas eu amo é você'.

Isso é mesmo. Era exatamente isso que eu precisava ouvir. Uma segurança verbal, mesmo que vindo de um completo estranho, para me assegurar de que o que eu estava fazendo não era errado, não era fuga. Se fosse isso que eu queria eu nunca teria abdicado daquele sofá que eu tanto quis experimentar. Nunca.

O engarrafamento foi lentamente melhorando e começamos a andar. Me deu uma vontade louca de chorar, mas as lágrimas não desceram.

- Vou ficar entre a Figueiredo e a Barata Ribeiro. Rua 567, na esquina do Itaú, eu falei pela primeira vez.

Ele não falou mais nada durante a viagem até chegarmos lá.

- Serão R$35,60 da corrida, os conselhos ficam por minha conta.

Steph - tentando

domingo, 17 de outubro de 2010

três quartos

pois é, quem sou eu?
as vezes eu acho que ninguém sabe quem eu sou de verdade.
sério. acho que, pra falar a verdade, nem eu sei quem eu sou por completo.
sou uma pessoa quando estou na faculdade, sou uma outra pessoa no trabalho, aqui em casa já sou uma outra pessoa totalmente diferente, e por aí vai. sou mil e uma personalidades em uma só pessoa.
eu consigo ser emocionalmente forte quando se trata de questões de saúde, e daí uma fracote quando se trata de amor. sou muito inteligente pra umas matérias, e uma lerda pra aprender outras. ao mesmo tempo que tenho muito sono, não consigo dormir. penso e re-penso em tudo e em nada ao mesmo tempo. quero mudar, mas odeio mudança. não tenho paciência e quero tudo pra ontem, mas eu não faço nada para mudar essa minha rotina. alguns me acham engraçada, enquanto nunca consigo fazer outros sorrirem. uns me acham legal, outros nem tanto. cada um parece ter sua própria opinião ao meu respeito - e eu que nem uma opinião consigo formar?
as pessoas captam o que emitimos, mas acho mesmo que o que eu transmito é sim um quarto daquilo que sou.



enfim, o que eu quero dizer é que eu estou em busca dos 3/4 que me faltam! mas cá entre nós, essa busca podia ser um pouco mais fácil, não é mesmo?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

me ama!

Por que você só não acorda um dia e diz que me ama?
Vamos! Anuncie, grite, mande um telegrama!
Diz que me quer em qualquer lugar- no carro, no sofá, inclusive na tua cama!
Vamos! Verbalize, escandalize, aceito até um anagrama!
Não poupe palavras - me faça sentir irresistível, até mesmo quando estou de pijama!
Deixa de drama - liberte essa paixão que eu sei que te inflama!
Vamos! Esparrama!
A dois, não serei mais dama!
Quero amor que abale até o sismograma!
De noites com você - quero mil e uma quilogramas!
Quero cansar, suar, enjoar - todo esse melodrama!
Mas você aí com esse seu silêncio e essa sua fama
Uma pena mesmo você não estar interessado nesse tipo de programa
Preciso mesmo desenhar um diagrama?
Que você então aproveite muito essa sua Brahma
Já fiz minha parte, agora é com você - e depois?
bom, depois não reclama!

domingo, 26 de setembro de 2010

palavreando

O que vale mais - gestos ou palavras?

Por mais que nós sonhamos que aquele gatinho do carro branco ligue pra gente quando disse que ia ligar, por mais que rezamos que ele queira, nem que seja só uma vezinha sequer, nos fazer uma surpresa, se lembrar de algo que dissemos, por mais que ele se dobre em quatro, faça tudo que a gente sempre desejou ainda vai ficar faltando algo - aquela verbalizaçãozinha que nem importa mais depois dele praticamente te dar um continente inteiro. Sim, ainda assim vamos querer uma afirmação verbal do quanto somos importante, bonitas, inteligentes.

Não me limito em dizer que isso se restringe ao amor. Todo mundo quer uma verbalização positiva a seu respeito. Você estudou (claro, depois de deixar tudo para o último minuto, depois de enrolar o final de semana todo, depois de curtir o namoro, depois de ir ao cinema ver aquele filme que você nem fazia tanta questão) e foi bem na prova! Vai dizer que não é bom escutar um: "nossa, você é f*da, hein!?"

Eu sei, eu também sou assim. É por isso que eu acredito que palavras falam mais que gestos, que palavras são verdadeiros orgasmos para os nossos ouvidos. Afrodisíaco mesmo é saber que alguém disse algo bom a nosso respeito, sobre o nosso novo corte de cabelo, sobre nosso emprego, curso, artigo! Então termino o post reforçando: rapazes, amigos, digam tudo o que sentem por nós, ressaltem os pontos positivos, assim, assim....isso!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a crônica da caixinha

Enquanto eu olhava pela última vez as ruas de Brasília e me despedia silenciosamente das minhas memórias você olhou pra mim - talvez pela primeira vez.


"Por que você está tão triste? Não era isso que você queria?"

"Continua sendo o que eu quero."

"Então por que essa cara?"

"Acho que a pergunta certa seria, o que você está fazendo aqui?"

"Como assim?"

"Faz mais de um ano que não nos vemos ou nos falamos direito e por alguma razão, de todas as pessoas que eu conheço e realmente se importam comigo, você é quem está me levando para o aeroporto."

"Não faz tanto tempo assim, faz?"

Ainda com a cabeça encostada no vidro e olhando para a paisagem respondi que de fato fazia um ano que não nos víamos.

Foi você quem finalmente quebrou aquele silêncio esmagador: "Acho que nunca te agradeci pelo chaveiro que me deu hoje."

Ainda sem olhar para ele, ri. "De nada. Você também nunca agradeceu o outro chaveiro que te dei de aniversário uns anos atrás."

"Agradeci sim!"

Ignorei o comentário. "Aliás, por que ele não está aqui com suas chaves?" Tirei o meu rosto do vidro, sentei direito e o encarei.

"Ele está guardado em uma caixinha no meu guarda-roupa."

Sem pensar, respondi: "Ah, assim como a nossa amizade."

Você quase ultrapassou o sinal vermelho. "Como assim como a nossa amizade?"

"Assim como você guardou o chaveiro em uma caixinha, você decidiu guardar a nossa amizade lá também. Faz mais de um ano que temos uma conversa decente e você entra e sai da minha vida a sua conveniência. Fico chateada que nossa amizade, melhor, que eu sou do tamanho de uma caixinha e que fico acumulando poeira em cima de várias outras coisas que cabem dentro de um armário."

Você nunca teve coragem de responder e o resto da ida até o aeroporto foi gritantemente silenciosa.

Quando eu finalmente embarquei recebi uma mensagem sua, mas não tive coragem de ler e deletei na hora.

Alguns anos depois, nos encontramos em um supermercado e você perguntou por que eu nunca respondi aquela mensagem. Fui honesta e disse que nunca cheguei a ler. Você me contou o que tinha escrito.

E daí eu olhei para você e percebi como você era de verdade - talvez pela primeira vez.

domingo, 19 de setembro de 2010

la dolce vita

   Eis o que eu faço quando não estou escrevendo! 

o início: a massa



produto semi-feito: quase lá!
hora de enfeitar: maquiagem culinária
segundos antes de desaparecer

deliciosamente artístico
em seu tamanho original
                                                                      


sábado, 18 de setembro de 2010

recortes pt. 7

Foi então que o engenheiro aproximou-se dos velhos amigos e disse: “Mas você hein, não perde tempo!” e deu aquele tapinha nas costas do músico como de aprovação.
Constrangido e não aprovando aquele comentário ele respondeu: “Do que você está falando?”
“Uma mulher cancela com você e em menos de vinte quatro horas já arruma outra? Isso é realmente impressionante!” Sabia que esse comentário não era verdadeiro, mas estava curioso para ver como seu amigo reagiria.
“Ah! Então quer dizer que você veio afogar as magoas?” A loira perguntou.
“Não, só vim aqui para me distrair um pouco...”
“Ele estava arrasado quando seus planos foram cancelados!” disse o engenheiro
“Pela namorada...?” A loira perguntou de tal modo que parecia que ela torcia pela resposta negativa.
“Não” Ambos os rapazes responderam ao mesmo tempo.
“Não, quer dizer, bem, ela não é minha namorada, é só uma amiga” o músico tentou esclarecer.
“Você estava muito triste para ela ser só sua amiga...” o engenheiro provocou.
“Então se ela é só uma amiga, não terá problema de você me dar uma carona para casa não é mesmo?” A loira perguntou, e a cada pergunta se aproximando um pouco mais.
“Bom, eu já estou de saída, pode ser agora?”
“Pode!” E levantou-se rapidamente e o pegou pelo braço.

Durante a caminhada até seu carro, a loira tinha falado que tinha deixado sua chave com a sua amiga que morava com ela, mas só voltaria mais tarde e perguntou se não seria incômodo esperar por ela em seu apartamento.
Ele olhou para ela e pensou nos comentários que o engenheiro tinha feito durante a noite e finalmente concordou com o pedido. Estavam os dois já bem embriagados quando chegaram em casa e ela já segurando seu sapatos nas mãos praticamente se jogava para cima dele.

Entraram no apartamento e não tinha ninguém em casa. Já estava tarde e talvez por cansaço ou talvez pelo simples fato de estar bêbado, foram até seu quarto e como uma vela que se apaga por um simples vento, a luz que vinha do seu quarto se apagou.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

recortes pt. 6

No outro lado da linha, o músico olhava para o celular que tinha terminado nossa conversa de maneira abrupta e riu. Sabia que eu era péssima em carregar meu celular e sabia que provavelmente a bateria tinha acabado mais uma vez no meio de uma de nossas conversas. Pondo o celular no bolso, foi até seu quarto onde estava o engenheiro.

“Que cara é essa?” disse o engenheiro ao o ver entrar no quarto.
“Ah, meus planos foram cancelados hoje...” respondeu olhando para o chão.
“E desde quando isso é motivo para ficar em casa olhando para o chão? Vamos sair! Barzinho é o que não falta nessa cidade!”
“Ah, acho que é melhor ficar em casa mesmo, amanha tenho que acordar cedo..”
“Então quer dizer que pode voltar tarde do cinema, mas não de um barzinho para casa? É isso que eu estou ouvindo?”
“Ha-Ha, no cinema pelo menos eu não chegaria em casa bêbado!”
“Vamos beber só para relaxar então, não temos nada melhor para fazer mesmo! Vamos, aposto que o resto do pessoal deve estar por lá...”
Hesitou um pouco, sabia que não era uma boa idéia ir, mas se deixou levar pela pressão do engenheiro.

....

O barzinho estava lotado para variar. Quando chegaram lá, logo avistaram um grupo de amigos seus que estudaram com eles na faculdade. A noite estava agradável e uma cerveja gelada era o que faltava para tornar aquele cenário ideal. Assim que sentaram, avistaram uma mesa de mulheres que usavam jalecos brancos. Assim que o músico tinha sentado percebeu que uma delas em particular não parava de o olhar. Achou aquilo estranho, pois nunca tinha a visto antes.
Depois de algumas horas, e algumas várias cervejas, a mulher que o olhava, a loira, se sentou no lugar vazio do lado do músico.
“Você não se lembra de mim, não é? Ela falou se inclinando um pouco perto demais dele.
“E é pra lembrar?” Ele perguntou, tentando se afastar.
“Já fomos casados! Como não se lembra de mim?” Ela riu e ele ficou momentaneamente petrificado em seu lugar esperando uma explicação.
“Sim, acho que estávamos na terceira série, e nós éramos o casal da festa junina do colégio. O padre nos casou e tudo!” Continuou rindo e Ele finalmente parece ter se situado em relação aquela estranha.
“Ah! Nossa! Aquilo foi há mil séculos atrás! Como se lembrou de mim?” Perguntou realmente surpreso.
“Uma mulher nunca esquece seu primeiro marido!”
O engenheiro, presenciando essa conversa toda, percebeu que a loira queria algo mais daquela conversa, enquanto o músico parecia realmente só estar lá pela conversa. Sabia que seu amigo estava triste em relação ao furo da amiga, mas ele (o engenheiro) levava o rancor dela nunca ter ligado para ele e nem mesmo ter mencionado sequer uma vez seu encontro na festa. Sabia também que seria só uma questão de tempo até que eles (a menina e o músico) se entendessem e ficassem juntos. O engenheiro estava decidido a não deixar isso acontecer sem ele ter sua devida chance com ela.

domingo, 12 de setembro de 2010

recortes pt. 5

Já se fazia dois meses que tínhamos nossas aulinhas de violão semanais e por mais que estava ficando impossível conciliar meus estudos da universidade com a música noturna, eu estava me divertindo demais para poder parar. Além das "aulas" duas vezes por semana, tínhamos nossos almoços semanais também. Toda quarta-feira ele me encontrava na universidade e almoçava comigo no RU. Era engraçado o ver todo arrumado enquanto ninguém mais no refeitório usava uma gravata. (Sim, o músico, durante o dia era concursado!) Ele rapidamente fez amizades com os meus amigos e quando não dava para ele me encontrar para almoçar todos reclamavam de sua ausência.


Além dos nossos almoços e conversas, mandávamos e-mails com piadas ou reportagens interessantes e eu até tinha o convencido a me acompanhar a varias exposições de arte e cinema, atividades que nunca teria feito se não fosse meus empurrõezinhos estratégicos, mas sempre bem intencionados. Ultimamente estávamos passando muito tempo juntos. Sempre nos falávamos por telefone e aqueles encontros semanais rapidamente viraram encontros diários. Acho que grande parte da nossa afinidade vinha do fato de sermos tão diferentes um do outro, e foram exatamente essas diferenças que nos aproximava.

Um dia que tínhamos planejado ir ver uma mostra de filmes em francês no CCBB, mas eu tinha uma prova no dia seguinte e devido a falta de tempo, não tinha estudado a matéria ainda.

O músico me ligou com a maior empolgação do mundo para confirmar nosso cinema: “Não acredito que estou animado de verdade para ir ver um filme em francês! Só você mesmo para me fazer ver uma coisa dessas!” Ele falou rindo.

“Ah, sobre isso, por favor não me odeie! Tenho prova amanhã, e não vai dar para ir!” Falei essas palavras com o coração carregado, maldita prova, realmente queria ir!

“Ah, mas você é inteligente, não precisa estudar! Te busco em casa às 7 da noite!”

Percebi que tentava me elogiar para conseguir o que queria. “Ah, claro! Se sou tão inteligente assim então para que ir a universidade? Já sei o suficiente e portanto vou parar de ir e um emprego vai automaticamente cair do céu!” Respondi com o mesmo tom brincalhão dele.

“Esse é o espírito da coisa! E de qualquer forma, você vai sempre ter esse seu músico aqui para te sustentar!” Ele falou isso, provavelmente brincando sem perceber o efeito que essas palavras tinham sobre mim, e houve uma pausa um pouco maior que se esperava da minha parte.

“Está aí ainda?” Ele perguntou.

“Sim, desculpe, um brinco meu tinha caído aqui no chão...”

“Ah, ta...”

Sabia que ele não tinha acreditado muito em mim.

Esse era o problema da nossa amizade, ao mesmo tempo em que ambos queríamos mais alguma coisa, nenhum de nós era capaz de dar o primeiro passo. Não sei o que o impedia, mas da minha parte com certeza era medo de ser rejeitada e perder o que tínhamos.

“Olha, prometo que saímos amanha sem falta! Te deixo até me levar para um barzinho, que tal? Eu realmente preciso estudar!”

“Não, tudo bem, a gente se fala mais tarde ou amanha então...” Percebi que ele não estava muito feliz com minha mudança de planos.

“Pode ir sem mim para o cinema, aproveita e leva um dos seus amigos e apresente a eles o maravilhoso mundo do cinema europeu!” Ele não se convenceu muito, mas percebeu que a prova devia ser importante para eu perder um cinema, um dos meus programas favoritos e me deixou ir.

"Ah, claro! Vou chamar o engenheiro para ir lá ver comigo então, aposto que estava morrendo de vontade de ir mesmo!"

Senti-me um pouco mais aliviada vendo que ele já estava fazendo piadinhas e como meu celular estava com a bateria fraca, ele acabou a nossa conversa por nós. Foi melhor assim, eu realmente precisava estudar. Peguei meus livros e fui até a biblioteca e percebi que a noite seria longa.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

recortes pt. 4

Antes de começar a “aula”, a mãe do engenheiro disse para o músico que eu lembrava muito a amiga imaginária de seu filho - os dois me olharam com uma cara estranha e tirei o chapéu xadrez da cabeça e o coloquei em cima da mesa. Não entendi o que ela queria dizer com isso, então sorri mais uma vez

Já quase no final da nossa aula, vi a porta da frente abrir e entrar um rapaz de aproximadamente a mesma idade que o músico e assim que esse estranho me viu ficou surpreso. Fiquei olhando para ele um bom tempo porque me parecia muito familiar, mas não consigui me lembrar de onde o conheçia e muito menos interpretar aquela expressão de surpresa em sua cara. O engenheiro então se aproximiu de nós e o músico nos apresentou na maior inocência. Achei estranho todo aquele olhar sobre mim, mas descartei o caso, estava muito feliz para pensar em qualquer outra coisa.


Às onze da noite meu pai me ligou e perguntou onde estava e se planejava voltar para casa alguma hora. Entendi isso como uma maneira indireta dele dizer que já estava na hora de voltar, infelizmente. Como morávamos bem perto um do outro, o músico caminhou comigo até meu bloco, pois seu carro estava na oficina.  Quando chegamos na minha portaria surgiu aquele silêncio inevitável. Pensei rapidamente em algo interessante para falar, mas é ele quem fala. “Sabe, você realmente parece com a descrição que meu amigo fez de uma garota que ele conheceu em uma festa.” Não sabendo o que responder, falo: “É mesmo?”.

Ele pausa e responde: “Sim, mas ele deve ter inventado essa historia toda de menina da festa porque ele nunca dá seu telefone para ninguém e muito menos bebe refrigerante em festa open-bar!” Se eu pudesse ver meu rosto nesse exato momento, tenho certeza que me veria empalidecer. Então era da festa que eu conhecia seu amigo. Tudo fazia mais sentido agora! Era por isso que o engenheiro, ao me ver sentada na sua sala de estar tivera aquele olhar de espanto. E eu nunca liguei para ele, pensei!

Meu elevador tinha chegado e acho que ouvi o músico se despedir de mim e falar que me veria na quarta, mas não prestei muita atenção. Aliviada de estar sozinha, decidi não pensar demais no caso e ver o que aconteceria na quarta. Afinal de contas, não iria me acrescentar em nada me preocupar com isso antecipadamente.

domingo, 5 de setembro de 2010

a sete chaves

o que é seu está guardado!


Bom, então só o que é seu, leitor, por que o que é meu, honestamente, não está guardado não. É sério.

O que é meu perdeu a data de validade e expirou. O que um dia era para ser meu, já saiu de série. Não adianta mais esperar porque descarregou e nunca mais vai funcionar igual. O modelo já está antiquado - e quem quer a versão 2.0 se já fazem a versão 4.5 dele, não é mesmo? Esperei tanto por algo melhor, algo mais digno que se perdeu no meio do caminho, quebrou e parou de funcionar.

O melhor que estava por vir, não veio. Perdeu a carona, se perdeu no meio do caminho, não tinha dinheiro suficiente para o ônibus! As oportunidades se foram - tiraram férias e a ressaca ainda não passou. Aquele emprego ficou com preguiça de aparecer, preferiu ficar vendo filminho em casa com aquele salário que tanto sonhei. E as pessoas que eram para eu conhecer? para eu me apaixonar? que iam me ensinar e fazer com que eu subisse na vida? Todas elas na festa que não fui convidada, que o convite se perdeu no correio.

Eu bobiei e dancei. Eu fui namorar e perdi o meu lugar. Eu não estava de altas!

Ah, essas coisas guardadas que são feitas só para nós e ninguém mais mexe. Alguém acredita? Com você vai ser diferente? O que estava tão bem guardado, desembrulhou, caríssimo. Abriu e ninguém nunca mais viu!

sábado, 4 de setembro de 2010

recortes pt. 3

Segunda-Feira tinha finalmente chegado! Tinha um dia cheio de aulas e isso me fez pensar que não ficaria pensando muito no que aconteceria a noite, mas a cada vinte minutos me via olhando para o celular com aquela minúscula esperança que talvez ele me ligasse só para confirmar ou dizer que queria antecipar a nossa aula de violão porque tinha finalmente percebido que eu era o grande amor de sua vida e não daria conta de esperar mais nenhum minuto sem me ter por perto! Não é preciso dizer que nada disso aconteceu.


Cheguei em casa um pouco depois das cinco e meia e as seis em ponto recebo uma mensagem dele: “Está de pé nossa aula? Eu não esqueci!” Ri com a mensagem e tentei esperar um pouco para responder, mas não deu muito certo. Respondi que estava de pé sim, e que estaria em sua casa às sete da noite. Tomei banho e admito que nunca pensei que seria tão difícil escolher uma roupa!

As sete e cinco eu estava debaixo de sua portaria e pedi para o porteiro abrir a porta para mim. Como não tinha elevador, subi aquelas escadas um pouco devagar de mais, pois minha timidez e nervosismo estavam se aliando contra mim. Ligeiramente me arrependi de ter concordado com essas aulas e cogitei sair correndo de lá e rezar que nunca mais o encontrasse na minha vida. Antes de poder por meu plano de fuga em ação, ouvi alguém abrindo a porta e ao subir o último degrau, me vi diante daquela figura que a tanto tempo não tinha visto.

Era minha imaginação ou ele tinha ficado mais irresistivelmente bonito? Nunca o tinha visto sem ser com seu chinelo, short e blusa (que nunca combinavam!) e agora me via diante de alguém que usava uma blusa social azul e calça preta e um sapato fechado. Pega por surpresa, eu fiquei momentaneamente com falta de palavras e, portanto fiz o que sempre fazia quando estava perto dele, do músico, sorri.

Assim que me viu, puxou-me para um abraço como se fossemos grandes amigos de infância e que há muito tempo não nos víamos. Achando aquilo estranho, mas definitivamente não reclamando, retornei o abraço. Entrei no apartamento e vi que era totalmente diferente do que tinha imaginado. Não era sujo, não tinha comida espalhada por todos os cantos e não cheirava mal, era de fato o oposto de tudo isso. O músico, divida um apartamento com a mãe e o irmão mais velho de seu melhor amigo, o engenheiro.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

recortes pt. 2

No dia seguinte, o engenheiro acordou às três da tarde. Morava em um apartamento com sua mãe, seu irmão mais velho que estava quase se casando e seu melhor amigo.


Ninguém tinha almoçando ainda e então se vestiram e saíram para almoçar no restaurante chinês que ficava na quadra ao lado de seu apartamento. Enquanto esperavam a comida, o engenheiro comentou sobre a festa para os outros. Falou que a música estava muito boa e que até chegou a dar seu número de telefone para uma menina. Os outros, sabendo de sua reputação de mulherengo, começaram a rir e perguntaram o quão bêbado ele estava na festa, por que desde que o conheciam nunca tivera dado seu número de celular para uma mulher, pois era sua tática de evitar problemas.

Não gostando desse comentário e negando que isso era verdade, começou a fazer uma breve descrição física da menina. “Tinha cabelos escuros, era baixinha e bem branquinha e estava usando um chapéu xadrez que combinava com seu vestido preto”.

“Nossa, você acaba de descrever metade do corpo estudantil feminino da UnB. Você conheceu de verdade essa menina ou foi só mais um fruto de sua imaginação nada sóbria?” Ele perguntou rindo com seu próprio comentário. “Ah, eu acredito em você e digo mais, espero que ela ligue mesmo!” A mãe disse, sorrindo para o seu filho. A comida chegou e logo o assunto foi esquecido.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

recortes pt. 1

Era sábado à noite e eu não estava nem um pouco a fim de sair, muito menos com pique de ir para uma festa e voltar para casa no dia seguinte com cheiro de cigarro e maconha impregnados no meu cabelo e minha roupa. Estava a fim de ficar em casa e ver um filme qualquer na HBO e dormir cedo. Obviamente o destino tinha outros planos em mente.


Havia uma festa na universidade em que estudava na qual um dos meus melhores amigos iria ter sua estréia como DJ nela. Não tive como fugir e à uma hora da manhâ me vi saindo de casa com uma energia que animaria qualquer festa. (Sim, leia-se essa frase com um tom carregado de sarcasmo).

Cheguei na festa e a música estava ridiculamente boa – fiz uma nota mental de agradecer e parabenizar meu amigo pela excelente seleção de músicas mais tarde. Encontrei vários amigos do meu curso lá e isso me animou, era raro encontrar com eles fora de um ambiente acadêmico. Aos poucos fui me empolgando mais com a festa e ao ver todo mundo se divertindo, acabei entrando no clima e esquecendo daquela minha preguiça negativa que me impedia de sair de casa.

Estava morrendo de sede, um fato raro, pois nunca sentia sede, muito menos a noite e em festas, e decidi ir ao bar para comprar um refrigerante e aproveitar para ver se tinha algum conhecido meu trabalhando lá. Assim que me aproximei do bar vi um grande amigo meu da biologia no bar e ele chamou meu nome. Fui o cumprimentar e ele me perguntou qual seria o meu refrigerante de escolha para a noite. Ri porque todos que me conheciam sabiam que eu não gostava muito de bebias alcoólicas e ele nem fez questão de fingir que não sabia disso.

No instante que eu falei que queria um Guaraná, veio um rapaz com todo ar de quem faz o curso de engenharia e veio pedir um Guaraná também. Virei para olhar para ele e não acreditei que ele tinha pedido um refrigerante no meio de uma festa open-bar! Meu amigo foi pegar nossas bebidas e voltou com só um Guaraná. “Não vai me dizer que esse é o último Guaraná da festa!” falei com um tom incrédulo.

“Antes fosse esse o problema, essa latinha aqui é o último refrigerante da noite. E aí, quem de vocês vai levar?” Meu amigo nos perguntou. Fiquei realmente surpresa com a pergunta, estava esperando que ele me desse sem nenhuma cerimônia, afinal de contas era meu amigo e sabia que não gostava de bebidas com álcool.

“Ah, eu não posso tomar bebidas alcoólicas e a água já acabou e eu estou morrendo de sede, e eu estava aqui antes dela.” Foram os argumentos usados pelo estranho da engenharia.

“Nada a ver! Eu estava aqui bem antes de você! E eu duvido que você não beba bebidas alcoólicas!” Respondi numa voz de menina que não conseguiu o que queria.

“Mas é sério, eu não posso beber, além de ter um problema no fígado, meu pai era alcoólatra e desde que ele se recuperou eu fiz uma promessa em nunca mais beber.” O estranho rapaz falou tudo isso com um tom de voz muito sério que me fez acreditar naquela história.

Antes que eu pudesse responder, o barman que se dizia ser meu amigo respondeu: “A bebida é sua, minha amiga aqui não é tão egoísta ao ponto de não dar um refrigerante a alguém que realmente não tem nenhuma opção de bebidas a não ser essa aqui.”

Eu ia começar a falar alguma coisa quando de novo, meu amigo me interrompeu com suas palavras: “Mas isso não quer dizer que você também não possa retribuir o favor, pega o celular dela e quem sabe um dia você não paga para ela um refrigerante?” Ele falou tudo isso sorrindo e me olhou como quem tivesse feito um grande favor para mim.

“Nada, não é preciso me pagar um refrigerante hoje nem algum outro dia. É sério, refrigerante engorda.” Essa foi a desculpa que dei para tentar diminuir o estrago que meu amigo tinha feito. “Te pago um suco então, e já que você não confia em mim, te dou meu número em vez de você me dar o seu, e daí você me liga quando tiver afim de me fazer retribuir esse favor, o que você acha?” Realmente me impressionava como esse rapaz conseguia ficar tão serio diante de uma situação tão inusitada como aquela. Por que ele insistia em manter contato depois dessa festa, afinal de contas era só um Guaraná!

Meu amigo, claramente se divertindo com aquela conversa não hesitou em falar que achava aquilo uma ótima idéia e me fez tirar o celular do bolso e anotar direitinho o número do celular do estranho. Assim que o fiz ele se despediu e falou: “É para ligar mesmo, hein! Vou esperar sua ligação, por favor, não quebre meu coração!”. Meu amigo riu bem alto e gritou: “Pode deixar, ela vai ligar sim!”, mas nem sei se o engenheiro tinha escutado aquilo. Fiquei fazendo companhia para meu amigo por mais um bom tempo, bebendo aos poucos uma cerveja que já estava quente. Realmente eu não conseguia ver a graça daquela bebida.

Depois que saí do bar, fui dançar com umas amigas que tinha encontrado no caminho para o banheiro e ficamos lá até quase terminar a festa. Voltei para casa já quase com o sol saindo para inaugurar mais um dia quente e seco em Brasília.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dia do Blog

Feliz dia, para todos!

Amo ser blogueira
pois agora já não sou mais acusada de fofoqueira
sou ao mesmo tempo namoradeira e solteira
e isso me poupa horas de choradeira!
Limpo da realidade toda a sujeira
e por me permitir essa temporária cegueira
as palavras pra mim são uma eterna brincadeira.
Melhor de tudo é essa vontade de escrever infinitamente sem nenhuma canseira
mesmo sofrendo com um estado emocional quase na beira
mas sempre tirando algum otimismo da algibeira.
Sou ao mesmo tempo mãe, amiga, enfermeira
das doenças e amores desse blog, inclusive tenho crises de ciumeira
porque essa válvula de escape serve mesmo como uma fiel escudeira
aqui posso ser tanto Winkler como Nogueira.




domingo, 29 de agosto de 2010

escrever é preciso!

Escrevo porque gosto. Escrevo porque não dou conta de me expressar espontaneamente e ser politicamente correta ao mesmo tempo. Escrevo porque o mundo está com um déficit de bons escritores e leitores. Escrevo porque me ajuda e quem sabe talvez, te ajuda. Escrevo porque eu sou incapaz de falar o que sinto sem chorar no auge da minha raiva e frustração. Escrevo muitas vezes para você, que nunca lê, mas escrevo muito mais para você, que de fato lê. Escrevo também porque acho bonito, porque não quero fazer feio. Escrevo porque me sinto poeta ao tentar desvendar os meus sentimentos - esses sentimentos que tantas vezes se liquidificam e viram um estado gasoso entre amor e ódio. Escrevo pra ficar registrado. Escrevo porque ao te ver meus neurônios hibernam, tiram férias e vão para fortaleza e me deixam sozinha com as mais articuladas palavras de uma criança. Nem sempre escrevo, muitas vezes só penso. Escrevo porque me tranqüiliza e me dá uma chance de organizar o trânsito de idéias e palavras que me vem a mente a toda hora de todo dia. Escrevo porque já me acostumei, porque é o que eu faço, mas antes de tudo, escrevo pra mim.

Steph - voltando com tudo!

sábado, 21 de agosto de 2010

eles também!

"gosto muito de você! mas muito mesmo! quero te ver!"

Essa foi a mensagem que ela me mandou. Por quê ela me mandou isso? Ela gosta de mim? Ué, mas eu também gosto dela! Não é uma coisa meio óbvia? Ela me deu aulas de inglês e eu retribui com aulas de violão. É lógico que ela gosta de mim, eu sou bem legal. Sou? É, sou sim!

Bom, eu sou enrolado, mas no fim acabo mantendo minhas promessas. Ok que da última vez eu nem liguei para ela, mas ela falou que eu não precisaria se estivesse cansado. Mas eu nem estava muito cansado, verdade seja dita. Por que eu não liguei? Eu acordei tarde e pensei em ligar, mas fiquei com vergonha. Vergonha? Vinte cinco anos na cara e ainda com vergonha de mandar uma mensagem?

Não queria a atrapalhar, vai que ela estava ocupada. Ela sempre tem esse ar de estar sempre muito atarefada - talvez ela realmente esteja! Mas ela sempre faz tempo pra me ver. Sério, como ela consegue? A culpa foi dela também, não é mesmo? Ela podia me ligar também se quisesse me ver, podia ter me ligado para ver se eu tinha voltado mais cedo da viagem. Mas ela sempre me liga. É, ela sempre me liga. Será que ela se cansou? Eu também nem ajudo muito e nem sei por que!

Eu gosto dela também e também quero a ver - na verdade, queria a ver bem mais. Será que ela quer mesmo aprender a tocar o violão? Será que ela se sente obrigada? Por que ela não me convidou de novo para o nosso almoço? Da última vez ela que furou - mas ela me chamou para almoçar em outro lugar depois de desmarcar o almoço na casa dela. Por que eu recusei? Vergonha, de novo?! Não, me recuso a aceitar isso!

Ela deve me achar bem retardado, mas não sou! Ela acha que eu não sei que ela estaciona na minha quadra de propósito, mas no fundo, acho uma graça. Eu sei que ela entra e sai do msn mil vezes para chamar minha atenção - minha vontade é de falar com ela assim que eu entro, mas a deixo sofrer um pouco, posso até imaginar dos nomes que ela deve me xingar para as amigas.

Sim, eu gosto muito dela também. Por que eu nunca fiz nada antes? Acho que passou da hora, pois nem eu me lembro mais quantos anos temos nessa nossa amizade/relacionamento. É, decidi, vou retribuir a mensagem - retribuir da maneira que ela sempre quis!

"ops! mandei a mensagem para a pessoa errada! foi mal! "

É, talvez eu retribua outro dia.

E então ela nunca soube, e ele nunca mais falou...

domingo, 15 de agosto de 2010

desvinculação cardiovascular

Se passaram dois anos desde a última vez que te vi. Dois - e tanta coisa aconteceu!


Eu finalmente criei coragem pra entrar no mestrado, larguei minhas turmas e conheci o Peru, até aula de dança e culinária eu comecei. Foram dois anos de muitas noites viradas estudando com direito a muita cafeína, mas foram dois anos que sobrevivi sem você. Foram dois anos danados de bons!

Sabe aquela minha pele acneica que você tinha tanto nojo de tocar? Pois é, tomei vergonha na cara (literalmente!) e comecei um tratamento e ela está finalmente livre de espinhas e cravos, acredite se quiser!

Lembra daquele meu manuscrito que eu tinha te entregado para você ler? Consegui uma publicação! Não é com nenhuma editora de grande porte, é com uma que só trabalha com lançamentos, mas eles estão bem animados com o nosso projeto!Te devo uma, afinal de contas, você serviu de matéria prima para minha criação literária.

Eu realmente não sei o que se passou naquele domingo. Você não tinha prometido que iria me avisar se fosse chegar mais cedo da viagem para a gente se encontrar? Admito, você não ter nem sequer lembrado de me mandar uma mera mensagem foi a gota d'água para mim. Não que você me devia satisfação alguma, mas convenhamos, não tinha sido a primeira nem a terceira vez que aquilo acontecia. Ninguém é obrigado a ficar agüentando essa sua falta de atitude mascarada de indecisão que não leva a nada. Nem eu, caríssimo, nem eu!

Não sei por que dois anos depois de você não me ligar para marcar aquele nosso encontro eu estou escrevendo isso. Na verdade, sei sim. Estou vendendo o seu violão - lembra dele? Sim, é aquele mesmo. Estou, dois anos depois, me desvinculando da última parte de você que ainda restava. Não se preocupe, ele vai estar em boas mãos - quem sabe até o seu novo dono não aprenda a tocar todas aquelas músicas que você foi incapaz de me ensinar.

Não sei nem se um dia você irá ler essa carta, pois fiquei sabendo que nem em Brasília você está morando mais. Dizem, inclusive, os bons ventos que você está subindo rapidamente na sua carreira! Eu devia ter tido a coragem de te dizer muitas coisas, mas você sempre foi perfeitamente decepcionante. E eu ficar gastando mais tempo com você, fica combinado, seria uma monumental perda de tempo.

Steph - cansada